{"id":4764,"date":"2025-05-15T15:44:08","date_gmt":"2025-05-15T18:44:08","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=4764"},"modified":"2025-05-16T06:14:22","modified_gmt":"2025-05-16T09:14:22","slug":"rubrica-eixo-2-falar-em-analise-entre-a-ficcao-e-o-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/rubrica-eixo-2-falar-em-analise-entre-a-ficcao-e-o-real\/","title":{"rendered":"Rubrica Eixo 2 &#8211; FALAR EM AN\u00c1LISE: ENTRE A FIC\u00c7\u00c3O E O REAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Gabriela Villarroel &#8211; Nova Pol\u00edtica da Juventude &#8211; NEL<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convocada pelas vibra\u00e7\u00f5es do tambor do ENAPOL, compartilho algumas resson\u00e2ncias que o eixo 2, Falar&#8230; \u201ctestemunhar da melhor maneira poss\u00edvel sobre a verdade mentirosa\u201d, me suscitou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considero que este \u00e9 um eixo que nos permitir\u00e1 demonstrar por que a psican\u00e1lise n\u00e3o tem a ver com a realidade. Provavelmente seja por essa orienta\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o t\u00e3o f\u00e1cil de localizar \u2013 que Freud descobre o inconsciente, e a psican\u00e1lise fica enquadrada em uma \u00e9tica que se dirige ao singular: o gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu texto \u201cA perda de realidade na neurose e na psicose\u201d, Freud prop\u00f5e que em ambos os casos \u201cn\u00e3o apenas conta a quest\u00e3o da <em>perda de realidade<\/em>, mas tamb\u00e9m a de uma <em>substitui\u00e7\u00e3o da realidade<\/em>\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>. Uma realidade fantasm\u00e1tica para a neurose e delirante para a psicose ou, em \u00faltima inst\u00e2ncia e de maneira mais precisa, ambas delirantes, com um objetivo claro: tratar o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller, em seu texto \u201cCl\u00ednica ir\u00f4nica\u201d, menciona: \u201cDiante do louco, diante do delirante, n\u00e3o se esque\u00e7a que voc\u00ea \u00e9, ou foi, analisante, e que tamb\u00e9m falava sobre o que n\u00e3o existe\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>. Falamos, ent\u00e3o, do que o ser falante inventa para fazer frente ao acontecimento de sua exist\u00eancia. Inven\u00e7\u00f5es, nas distintas formas e funcionamentos do <em>falasser, <\/em>que lhe permitem um tratamento do gozo. Uma delas pode ser a verdade mentirosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller situa a verdade mentirosa n\u00e3o como oposi\u00e7\u00e3o, mas como alian\u00e7a. \u201cA verdade mentirosa, tal como a entendo, diz outra coisa mais radical: a pr\u00f3pria verdade \u00e9 uma mentira.\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se chegar em uma an\u00e1lise porque essa verdade mentirosa gera sofrimento. Ent\u00e3o, cabe tratar essa fic\u00e7\u00e3o. E \u00e9 neste contexto que Miller assinala: \u201cTrata-se menos de saber o que foi extra\u00eddo do gozo, da fantasia, em termos de efeitos de verdade, em termos de saber, do que dizer a satisfa\u00e7\u00e3o que consegui extrair de meu modo de gozar. Pois meu modo de gozar \u00e9 o que ele \u00e9\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psican\u00e1lise, portanto, n\u00e3o \u00e9 tanto a espera da emerg\u00eancia de uma verdade, mas a espera de uma satisfa\u00e7\u00e3o que convenha. \u00c9 o que demonstram os testemunhos de passe, atravessando a verdade mentirosa para chegar ao <em>Sinthome. <\/em>Tomando como exemplo o testemunho de Jorge Assef: passar da <em>garrapata \u00e0 garra<\/em><a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><em><strong>[v]<\/strong><\/em><\/a>. Ou tamb\u00e9m os autistas, que sem a verdade mentirosa podem inventar maneiras de responder a esse real no qual est\u00e3o imersos, como se v\u00ea no caso de Temple Grandin com \u201ca m\u00e1quina de abra\u00e7ar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Camila Baratto<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Revis\u00e3o: Gustavo Ramos<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Freud, S. A perda de realidade na neurose e na psicose (1923-1925). In:___. <em>Neurose, psicose, pervers\u00e3o<\/em>. Trad. de Maria Rita Salzano Moraes. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2016. p. 284.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Miller, J.-A. Cl\u00ednica ir\u00f4nica (1988). In: ___. <em>Matemas I<\/em>. Trad. de S\u00e9rgio Laia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996. p. 199.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Miller, J.-A.\u00a0<em>Perspectivas dos Escritos e Outros escritos de Lacan: entre desejo e gozo<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p. 125.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> <em>Ibidem, <\/em>p. 130.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> N.T.: Embora a tradu\u00e7\u00e3o de <em>garrapata<\/em> em portugu\u00eas seja &#8220;carrapato&#8221;, optamos por manter o termo em sua forma original devido ao jogo homof\u00f4nico, \u00e0 crucial relev\u00e2ncia da palavra <em>garra <\/em>e \u00e0 escans\u00e3o sil\u00e1bica singular \u2013 <em>garra-pata<\/em> \u2013, demonstrada por Jorge Assef em seu testemunho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriela Villarroel &#8211; Nova Pol\u00edtica da Juventude &#8211; NEL Convocada pelas vibra\u00e7\u00f5es do tambor do ENAPOL, compartilho algumas resson\u00e2ncias que o eixo 2, Falar&#8230; \u201ctestemunhar da melhor maneira poss\u00edvel sobre a verdade mentirosa\u201d, me suscitou. 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