{"id":5582,"date":"2025-06-12T17:22:12","date_gmt":"2025-06-12T20:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=5582"},"modified":"2025-06-13T11:15:22","modified_gmt":"2025-06-13T14:15:22","slug":"rubrica-eixo-3-com-a-crianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/rubrica-eixo-3-com-a-crianca\/","title":{"rendered":"RUBRICA EIXO 3: COM A CRIAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Manuel Zlotnik &#8211; <\/strong><strong>EOL\/AMP<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Em outras \u00e9pocas, n\u00e3o se deixava a crian\u00e7a falar. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9 fome!\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> disseram ao nosso colega Alejandro Reinoso quando era crian\u00e7a, e isso o calou. A crian\u00e7a n\u00e3o sabia, n\u00e3o tinha experi\u00eancia nem conhecimento, portanto, n\u00e3o podia falar. Os mais velhos falavam e os mais novos se calavam; era a \u00e9poca da supremacia do Nome do Pai.<\/p>\n<p>Hoje, os tempos mudaram drasticamente. Com a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos da Crian\u00e7a e a livre demanda, a crian\u00e7a fala e isso transforma-se em um mandato. O que ela diz \u00e9 tomado literalmente e, em muitos casos, esse dito fica fixado, r\u00edgido e imposs\u00edvel de dialetizar. Atualmente, a crian\u00e7a \u00e9 o que diz, ou seja, um projeto de identidade no qual ser\u00e1 um sujeito id\u00eantico a si mesmo.<\/p>\n<p>Antes, n\u00e3o se falava <em>com<\/em> a crian\u00e7a, eram tempos mais conservadores e retr\u00f3grados. No entanto, agora que estamos em tempos mais liberais e progressistas, tampouco nos \u00e9 evidente que se fale <em>com<\/em> a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Tanto em uma \u00e9poca como em outra, fala-se <em>\u00e0 <\/em>crian\u00e7a ou fala-se <em>da<\/em> crian\u00e7a, por\u00e9m me inclino a pensar que n\u00e3o se falava &#8211; nem se fala &#8211; <em>com<\/em> a crian\u00e7a. A preposi\u00e7\u00e3o <em>com<\/em>, neste caso \u2013 a meu ver \u2013, \u00e9 crucial, e essa preposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode supor estar sob transfer\u00eancia e, obviamente, supor uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Falar <em>com <\/em>a crian\u00e7a implica escut\u00e1-la, ou seja, uma escuta que possa abrir sentidos, abrir uma dial\u00e9tica, e assim fazer com que a crian\u00e7a n\u00e3o fique presa no destino de sua demanda, mas possa abrir-se para o horizonte de seu desejo.<\/p>\n<p>A preposi\u00e7\u00e3o <em>com<\/em> indica-nos algo fundamental para que a crian\u00e7a se abra ao horizonte de seu desejo: que ela esteja acompanhada. Com isso, queremos enfatizar que ela seja acompanhada sem nada prefixado previamente, e dessa forma, alojar a constru\u00e7\u00e3o daquilo que ser\u00e1 sua fic\u00e7\u00e3o singular, a partir da qual poder\u00e1 estabelecer seu lugar e seu la\u00e7o.<\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise, \u00e9 fundamental colocar em jogo o <em>com<\/em>. Creio que isso faz parte do que entendemos por desejo do analista.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho d\u00favidas de que o pr\u00f3ximo ENAPOL ser\u00e1 o enquadre mais adequado para uma elabora\u00e7\u00e3o coletiva, no qual poderemos tratar essa problem\u00e1tica detalhadamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Rafaela Vieira de Oliveira Quixabeira<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Revis\u00e3o:<\/strong> Maria Rita Guimar\u00e3es<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">[1] REINOSO, A<em>. Da indigna\u00e7\u00e3o de si \u00e0 dignidade do sinthoma<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Ana Lydia Santiago. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<strong>, <\/strong>S\u00e3o Paulo: Eolia, n.82, p. 109, abr. 2020. ISSN 15193128.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Zlotnik &#8211; EOL\/AMP Em outras \u00e9pocas, n\u00e3o se deixava a crian\u00e7a falar. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9 fome!\u201d[1] disseram ao nosso colega Alejandro Reinoso quando era crian\u00e7a, e isso o calou. A crian\u00e7a n\u00e3o sabia, n\u00e3o tinha experi\u00eancia nem conhecimento, portanto, n\u00e3o podia falar. 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