{"id":6396,"date":"2025-07-18T09:50:37","date_gmt":"2025-07-18T12:50:37","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=6396"},"modified":"2025-07-20T07:52:17","modified_gmt":"2025-07-20T10:52:17","slug":"rubrica-eixo-4-advertencia-preposicional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/rubrica-eixo-4-advertencia-preposicional\/","title":{"rendered":"Rubrica Eixo 4 &#8211; ADVERT\u00caNCIA PREPOSICIONAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Celeste Vi\u00f1al &#8211; <\/strong><strong>EOL\/AMP<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P\u00e1gina em branco, n\u00e3o me decido. A proposta do Tambor repercute, cumprindo sua tarefa, e o t\u00edtulo de nosso pr\u00f3ximo ENAPOL ressoa em mim, evocando possibilidades distintas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu falasse, pessoalmente, numa esp\u00e9cie de \u201cfalo com o cora\u00e7\u00e3o\u201d para substituir o <em>a partir de<\/em>, o que eu diria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como falar a partir da crian\u00e7a que fomos? Com o pouco que disso o Eu reteve, me pergunto: se eu desse voz \u00e0quela que recordo ter sido, seria \u00e0 dos quatro anos ou \u00e0 dos dez? Quando se considera ter sido crian\u00e7a? \u00c9 um s\u00f3 estado? Uma faixa et\u00e1ria? At\u00e9 quando se \u00e9? H\u00e1 crian\u00e7as grandes, assim como adultos infantilizados? Uma experi\u00eancia singular, sem d\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que tem que acontecer para que possamos nos assegurar de sermos adultos? Segundo Lacan, evocado no argumento de Fernanda Otoni Brisset, nunca se chega a ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo modo&#8230; \u00e9 caso perdido tentar fixar uma data para essa crian\u00e7a, se tenta-se falar <em>a partir <\/em>dela. Qualquer idade \u2013 e todas as intermedi\u00e1rias \u2013 estaria atravessada pelos anos, pela experi\u00eancia da an\u00e1lise. Ent\u00e3o, essa menina \u2013 se \u00e9 que podemos pensar em alguma continuidade \u2013 deveria ser captada em seus fiapos, no que <em>sinthomaticamente<\/em> p\u00f4de ter se convertido. \u00a0O resto: amn\u00e9sia, lembran\u00e7a encobridora, fic\u00e7\u00e3o retroativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, se \u201cFalar com a crian\u00e7a\u201d fosse faz\u00ea-lo <em>atrav\u00e9s de<\/em>, seria l\u00edcito outorgar para si sua voz? Ao estilo do que prop\u00f5e Saint Exup\u00e9ry, falar atrav\u00e9s da crian\u00e7a para faz\u00ea-la dizer? Um ventriloquismo inconveniente fora da literatura (e, \u00e0s vezes, dentro tamb\u00e9m). Isso nos persegue quando temos que apresentar a cl\u00ednica, e tamb\u00e9m quando a praticamos. Abstenhamo-nos de \u201cfalar atrav\u00e9s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, \u201cFalar com a crian\u00e7a\u201d implicaria tamb\u00e9m que n\u00e3o falamos <em>em dire\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e0 crian\u00e7a, que fica travada na unidirecionalidade, enquanto o t\u00edtulo nos orienta a que ela, al\u00e9m disso, deveria nos responder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, nesse festival de preposi\u00e7\u00f5es, poder\u00edamos ainda estar cometendo o erro de falar <em>sobre<\/em> a crian\u00e7a, como um objeto de estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou falar <em>para<\/em> a crian\u00e7a, o que nos deixaria numa posi\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, que tampouco conv\u00e9m ao analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar <em>segundo<\/em> a crian\u00e7a estaria do lado de colocar-se como tradutor ou par, em conformidade com ela, em p\u00e9 de igualdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tampouco falar <em>da<\/em> crian\u00e7a, um exotismo documental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, \u201cFalar <em>com<\/em> a crian\u00e7a\u201d nos desafia a nos fazermos destinat\u00e1rios de sua palavra, tenha ela a idade que tenha, e a tom\u00e1-la como sujeito analisante de pleno direito, que tamb\u00e9m suporta a interven\u00e7\u00e3o do analista. Esse <em>com<\/em> (do latim <em>cum<\/em> \u2013 em companhia de \u2013 e do indo-europeu <em>kom<\/em> \u2013 perto de) \u00e9 a preposi\u00e7\u00e3o que instala, com somente tr\u00eas letras, a medida da proximidade e da diferen\u00e7a na dissimetria transferencial do dispositivo anal\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Ruskaya Maia<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Revis\u00e3o: Renata Martinez<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celeste Vi\u00f1al &#8211; EOL\/AMP P\u00e1gina em branco, n\u00e3o me decido. A proposta do Tambor repercute, cumprindo sua tarefa, e o t\u00edtulo de nosso pr\u00f3ximo ENAPOL ressoa em mim, evocando possibilidades distintas. Se eu falasse, pessoalmente, numa esp\u00e9cie de \u201cfalo com o cora\u00e7\u00e3o\u201d para substituir o a partir de, o que eu diria? 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