{"id":6610,"date":"2025-08-01T06:40:44","date_gmt":"2025-08-01T09:40:44","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=6610"},"modified":"2025-08-01T07:12:16","modified_gmt":"2025-08-01T10:12:16","slug":"rubrica-eixo-1-um-tambor-vibra-em-um-dispositivo-de-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/rubrica-eixo-1-um-tambor-vibra-em-um-dispositivo-de-saude-publica\/","title":{"rendered":"Rubrica Eixo 1 &#8211; UM TAMBOR VIBRA EM UM DISPOSITIVO DE SA\u00daDE P\u00daBLICA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mar\u00eda Laura Errecarte &#8211; <\/strong><strong>EOL\/AMP<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cTratar o trauma como um <em>trouma <\/em>(\u2026) implica n\u00e3o combinar o trauma com a diacronia, mas sim com a sincronia\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo o som do Tambor deste ENAPOL, no eixo \u2018Falar de \u201cisso de que n\u00e3o se pode falar\u201d\u2019, transmitirei uma experi\u00eancia atual em que estou trabalhando junto a uma equipe de sa\u00fade. Experi\u00eancia cl\u00ednica que proporciona o acesso \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da gravidez e ao atendimento no p\u00f3s-aborto. \u00a0\u00a0Trata-se de um dispositivo de aten\u00e7\u00e3o em um Centro de Sa\u00fade, enquadrado na Lei 27610, sancionada na Argentina em 2020, sustentado na garantia de direitos de um modelo que reconhece a vontade e a legalidade de decidir sobre a interrup\u00e7\u00e3o de uma gravidez, o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual integral e a m\u00e9todos contraceptivos. Segundo os protocolos vigentes, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio explicitar os motivos da decis\u00e3o (IVE) at\u00e9 as 14 semanas de gesta\u00e7\u00e3o. Entretanto, podemos dizer que, mesmo sem o convite a falar sobre isso&#8230; um tambor vibra de maneira singular em muitos desses encontros cl\u00ednicos: lembran\u00e7as, peda\u00e7os de hist\u00f3ria, fragmentos de vida, feridas, cicatrizes, marcas; falam do imposs\u00edvel de dizer que habita um corpo e que palpita de maneira singular ao atravessar essa decis\u00e3o. Nossa aposta \u00e9 fazer desse momento uma descontinuidade \u2013 tom\u00e1-lo como uma oportunidade. Acompanhar, fazer-se <em>partenaire<\/em> nessa dif\u00edcil transi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o supor previamente nem trauma nem normalidade no que est\u00e1 acontecendo, mas sim localizar certa irrup\u00e7\u00e3o do real em jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cN\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d \u00e9 constatado nessa experi\u00eancia orientada pelo real. N\u00e3o h\u00e1 programa que possa garantir a harmonia entre os sexos, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o que o aborto seja traumatizante nem que n\u00e3o o seja. Mas, algumas vezes, nos deparamos com a despropor\u00e7\u00e3o entre a causa e o efeito e, em outras, n\u00e3o h\u00e1 palavras nem sentidos \u2013 alguns disparates, inclusive, indicam as tripas da causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Patricia encontra um imposs\u00edvel como limite para continuar com sua gravidez. Angustiada, diz: \u201cNunca mais poderia olhar nos olhos de minha filha de 11 anos e lhe dizer que vou ter um filho com algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 seu pai\u201d. Nossa interven\u00e7\u00e3o recorta ao exclamar: \u201cNunca mais olh\u00e1-la?!\u201d \u2013 e a sexualidade da filha adolescente, assim como a sua pr\u00f3pria, ressoam de outro modo. Um tambor com outro ritmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que n\u00e3o h\u00e1 uma boa rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a sexualidade e, \u00e0s vezes, ali somos instrumento fecundo \u2013 caixa de resson\u00e2ncia onde \u201co impasse sexual secreta as fic\u00e7\u00f5es que racionalizam a impossibilidade da qual prov\u00e9m [&#8230;] um convite ao real que responde por isso.\u201d<sup> <a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/sup> Em certos momentos, a sincronia de um encontro propicia um novo amor, onde se inventam fic\u00e7\u00f5es que querem ser escutadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Ruskaya Maia<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">Revis\u00e3o: Renata Martinez<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Miller, J.- A.\u00a0<em>Causa y Consentimiento<\/em>, Buenos Aires; Paid\u00f3s, 2019, P.138. NT: parte dessa aula do dia 13 de janeiro de 1988 est\u00e1 publicado com a am\u00e1vel autoriza\u00e7\u00e3o do autor, como\u00a0<em>O estatuto do trauma,<\/em>\u00a0em:\u00a0<a href=\"https:\/\/enapol.com\/xii\/orientacao-lacaniana\">https:\/\/enapol.com\/xii\/orientacao-lacaniana<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Lacan, J. <em>\u201c<\/em>Televis\u00e3o\u201d. In: ___. <em>Outros escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p.5<\/span>31.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00eda Laura Errecarte &#8211; EOL\/AMP \u201cTratar o trauma como um trouma (\u2026) implica n\u00e3o combinar o trauma com a diacronia, mas sim com a sincronia\u201d[1]. 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