{"id":6665,"date":"2025-08-03T17:54:03","date_gmt":"2025-08-03T20:54:03","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/modalidades-de-morir-en-el-siglo-xxi\/"},"modified":"2025-08-04T07:49:50","modified_gmt":"2025-08-04T10:49:50","slug":"modalidades-do-morrer-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/modalidades-do-morrer-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"MODALIDADES DO MORRER NO S\u00c9CULO XXI"},"content":{"rendered":"<h3>SALA: O ETERNO DO INFANTIL<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>MODALIDADES D<\/strong><strong>O<\/strong><strong> MOR<\/strong><strong>RER<\/strong> <strong>NO<\/strong><strong> S<\/strong><strong>\u00c9CULO<\/strong><strong> XXI<\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><em>\u201cUm pouquinho de seriedade. A morte \u00e9 do dom\u00ednio da f\u00e9. Voc\u00eas t\u00eam raz\u00e3o de acreditar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>que v\u00e3o morrer, claro &#8211; isto lhes serve de apoio. Se n\u00e3o acreditassem nisso, ser\u00e1 que<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>poderiam suportar a vida que t\u00eam?<\/em><em>\u201d<\/em> (Lacan, J. \u201cConfer\u00eancia de Lovaina\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Lacaniana<\/em>, n. 78. S\u00e3o Paulo: Eolia, fevereiro de 2018, p. 12).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatores<\/strong><strong>:<\/strong> Elena Levy Yeyati (EOL); Paula del Cioppo (NEL); Cristiane Grilo (EBP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Participantes:<\/strong> Alejandra Guerra (Buenos Aires), Ana Beatriz Zimmerman (Rio de Janeiro), Ana Mar\u00eda Valle (Ciudad de Guatemala), Barbara Afonso (Belo Horizonte),Carla Gonz\u00e1lez (Caracas), Fabricio Donizete da Costa (S\u00e3o Paulo), Gabriela Villaroel (Cochabamba), Graziela Pires (Salvador), Jos\u00e9 Sananes (Buenos Aires), Lilibeth Garc\u00eda (Lima), Patricia Pena (Buenos Aires), Soledad Arrieta (Buenos Aires).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Psicanalistas frente \u00e0s modalidades do morrer no s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>\u00a0<\/strong><span style=\"color: #757575; text-wrap-mode: initial;\">Se h\u00e1 uma coisa absolutamente certa, \u00e9 que, de nenhum modo, \u00e9 em dar um sentido a vida, que desemboca o discurso psicanal\u00edtico. Ele da um sentido a muitissimas coisas, a muitissimas condutas, mas lhe da, n\u00e3o o sentido da vida, tampouco nada que comece a dar raz\u00e3o sobre a vida.<\/span><\/p>\n<p>Jacques Lacan<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trabalho deste Observat\u00f3rio nos encontramos com uma\u00a0paisagem \u00e1rida. A taxa de suic\u00eddios e outras mortes violentas de adolescentes e jovens na Am\u00e9rica Latina, independentemente de classe social, \u00e9 alarmante<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>.\u00a0 Como pensar essa tend\u00eancia? Como resultado de um\u00a0ilimitado empuxo pulsional a gozar\u00a0ou como uma\u00a0busca da morte para terminar com uma exist\u00eancia dolorosa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vemos que a pergunta sobre a morte, sobretudo nos jovens,\u00a0n\u00e3o admite respostas em um s\u00f3 sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camus expressou uma cr\u00edtica inicial as posi\u00e7\u00f5es \u00e0 que conduzem certas perspectivas sacrificiais, de certas ideologias: \u201c&#8230; se fazem matar por ideias ou ilus\u00f5es que lhes d\u00e3o uma raz\u00e3o para viver\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>. Uma ideia compar\u00e1vel a reencontramos em\u00a0<em>Televis\u00e3o<\/em>. Ante a pergunta \u201cQue me cabe esperar? Lacan dirige sua resposta muito especialmente a Miller, para adverti-lo sobre as utopias, sobre as esperan\u00e7as que engendram certas causas pol\u00edticas: \u201cSaiba somente que tenho visto v\u00e1rias vezes a esperan\u00e7a \u2014 o que chamam: os amanh\u00e3s que cantam \u2013 levar pessoas que apreciavam tanto como aprecio a voc\u00ea, ao suicido simplesmente&#8230; O suic\u00eddio \u00e9 o \u00fanico ato que pode \u2018ter \u00eaxito sem fracasso\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan levanta uma oposi\u00e7\u00e3o entre, por um lado, a esperan\u00e7a depositada no \u00eaxito de ilus\u00f5es grandiosas e seu reverso, &#8211; o\u00a0suic\u00eddio como ato logrado\u00a0\u2014 e, por outro, o que se pode esperar da psican\u00e1lise, t\u00e3o baseada nos\u00a0atos falhos. Essas esperan\u00e7as, esses \u201camanh\u00e3s que cantam\u201d <a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a> aludem \u00e0queles que abra\u00e7aram esperan\u00e7as ut\u00f3picas que terminaram por fracassar, especialmente ap\u00f3s o maio franc\u00eas (1968). Por outro lado, Lacan diz que do discurso anal\u00edtico cabe esperar outra coisa, que \u00e9 da ordem de uma elucida\u00e7\u00e3o do inconsciente, para aquele que j\u00e1 esteja decidido a isso pela sua transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto hist\u00f3rico atual, onde se enfrentam a narrativa ultradireitista do\u00a0culto ao sucesso individual\u00a0com a resposta defensiva-depressiva da\u00a0ideologia liberal,\u00a0o que tem para oferecer o discurso anal\u00edtico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para responder essa quest\u00e3o, centramo-nos na problem\u00e1tica dos jovens que se defrontam com a morte, particularmente aqueles que demandam ser escutados em diferentes contextos:\u00a0universidades, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e consult\u00f3rio privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre excesso e descarte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada 17 minutos morre um jovem negro no Brasil<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>. Diante dessa realidade brutal, se explorou a situa\u00e7\u00e3o de adolescentes em condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade envolvidos com o tr\u00e1fico de drogas<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses jovens falam de um caminho tra\u00e7ado at\u00e9 \u00e0 morte e \u00e0 n\u00e3o exist\u00eancia: \u201cna vida \u00e9 matar ou morrer\u201d, \u201ca chave da morte \u00e9 o tr\u00e1fico\u201d. Para alguns, \u201cdeixar um filho no mundo\u201d \u00e9 importante, pois sabem que sua vida ser\u00e1 curta. Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma desorienta\u00e7\u00e3o na vida, no gozo sem limites que transborda em imperativo, pois afirmam: \u201c\u00e9 melhor viver um pouco como um rei do que muito como um Z\u00e9 Ningu\u00e9m\u201d <a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>. Relatam que, quando est\u00e3o \u201cna adrenalina\u201d do tr\u00e1fico, n\u00e3o h\u00e1 tempo para parar, pensar ou sonhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de sujeitos que, na maioria dos casos, parecem n\u00e3o ter sido desejados, carregando uma marca de abandono como objeto dejeto e resto, que se reatualiza no Outro social no momento da adolesc\u00eancia, em que se fazem matar ou matam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, foi observada a situa\u00e7\u00e3o dos jovens que consomem fentanil na fronteira entre M\u00e9xico e Estados Unidos, como uma modalidade do morrer associada ao autismo do gozo e ao antiamor<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos EUA, o fentanil \u00e9 a terceira causa de morte entre menores de 19 anos<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>. Mas essa problem\u00e1tica n\u00e3o afeta apenas esse pa\u00eds, pois tamb\u00e9m atinge os migrantes deportados que vagueiam pela fronteira com o M\u00e9xico. Por tanto, se extra\u00edram alguns ditos de usu\u00e1rios da \u201cdroga zumbi\u201d, registradas pela imprensa, que chamam a aten\u00e7\u00e3o por retratarem posi\u00e7\u00f5es de gozo: \u201cO fentanil te adormece, n\u00e3o sei por que te faz sentir t\u00e3o bem. Eu tomo v\u00e1rias vezes por dia porque, quando n\u00e3o tomo, d\u00e1 uma ansiedade terr\u00edvel\u201d. Em outro testemunho, comenta-se que a pessoa n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o de voltar \u00e0 sua cidade natal e acredita que sua vida teria sido muito diferente se n\u00e3o tivesse sido deportada dos EUA. L\u00e1, tem dois filhos com quem n\u00e3o fala h\u00e1 anos porque esqueceu seus n\u00fameros de telefone. \u201cEncontrei dois telefones com os quais poderia ter procurado minha irm\u00e3 ou filhos, mas vou vend\u00ea-los para comprar droga. Claro que gostaria de largar, ontem um colega morreu, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u2026\u201d<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma pesquisa no Brasil<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a>, foi trabalhado o tema dos suic\u00eddios em s\u00e9rie em uma pris\u00e3o para travestis, mulheres trans e homens homossexuais. A morte ali \u00e9 generalizada, est\u00e1 a c\u00e9u aberto: pessoas sem la\u00e7os familiares nem pol\u00edticas de cuidado ou prote\u00e7\u00e3o, cujo \u00fanico lugar \u00e9 o c\u00e1rcere. Os suic\u00eddios n\u00e3o assustam, e aqueles que o intentam e n\u00e3o conseguem s\u00e3o duramente castigados. Os jovens que chegam \u00e0 \u201cJanela de Escuta\u201d se surpreendem quando seguem vivos e se sentem culpados quando seus companheiros morrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cl\u00ednica privada, observou-se uma tend\u00eancia a formas de rela\u00e7\u00e3o com os objetos pulsionais, com o corpo e com a linguagem em que o sujeito carece de uma estrutura capaz de nomear o mal-estar que o habita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gozo autista como modalidade do morrer silencioso nos remete a B (27), que, ap\u00f3s uma interna\u00e7\u00e3o por anorexia severa que a levou \u00e0 beira da morte, consente falar em an\u00e1lise sobre a tristeza e o vazio. O sil\u00eancio extremo, sustentado e suportado no corpo do analista, lhe permite esbo\u00e7ar paulatinamente um gosto pela leitura e pela escrita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201ccren\u00e7a na morte\u201d <a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a> como al\u00edvio ante ao ass\u00e9dio da ang\u00fastia \u00e9 um ponto de partida para localizar a posi\u00e7\u00e3o de uma adolescente que sofre de um \u201cdeserto de palavras para a vida\u201d. O analista se oferece como leitor de uma carta que inaugura a escrita de uma s\u00e9rie de textos. Assim, a escrita constitui uma manobra para inscrever uma dist\u00e2ncia m\u00ednima: vida\u2013texto\u2013morte. A impossibilidade de escrever a morte, com a tarefa de tentar e fracassar a cada vez, resulta eficaz para lidar com os efeitos pr\u00f3prios da depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V. (11) escreve sobre um corpo que n\u00e3o quer ser olhado, um rosto que n\u00e3o se reconhece no espelho, um sil\u00eancio cheio de ru\u00eddo: \u201cnunca pensei que um dia estaria pensando em me matar\u201d. Diz: \u201cQueria saber quem sou\u2026 sem ter que agradar ningu\u00e9m\u201d. Nesse ponto, surgiu um ind\u00edcio de consentimento ao trabalho anal\u00edtico; no entanto, pouco depois ela se afastou dos encontros. Passado um ano, foi hospitalizada por tentativa de suic\u00eddio por ingest\u00e3o de medicamentos. Observa-se a inclina\u00e7\u00e3o a sair de cena no preciso momento em que se acerca de uma articula\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria como sujeito: \u201cquem sou eu?\u201d <a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, se observou que a propor\u00e7\u00e3o de suic\u00eddios entre os ind\u00edgenas brasileiros \u00e9 atualmente 2,7 vezes superior \u00e0 da popula\u00e7\u00e3o geral<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a>. Nesse sentido, a partir de uma experi\u00eancia com estudantes na universidade, recorreu-se \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es de Marcelo Veras, que apresenta o conceito de <em>necrossuic\u00eddio<\/em> como efeito de um \u201cdel\u00edrio de que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 o ultraliberalismo\u201d, o qual d\u00e1 consist\u00eancia a \u201cuma intoler\u00e2ncia cada vez mais radical \u00e0 alteridade\u201d<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>. O <em>necrossuic\u00eddio<\/em> se pode pensar como uma das marcas do racismo nas rela\u00e7\u00f5es sociais brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 aqui, se apresentaram retalhos da enuncia\u00e7\u00e3o de jovens negros, imigrantes, ind\u00edgenas, adolescentes privados de liberdade, lan\u00e7ados \u00e0s margens da sociedade ou amea\u00e7ados por narrativas que se apresentam sob a l\u00f3gica do tudo ou nada. Entre eles, h\u00e1 os que se fazem matar mediante a viol\u00eancia, o abuso de subst\u00e2ncias, os transtornos alimentares e condutas de risco, assim como os que matam, geralmente afundados na especularidade do \u201cou o outro ou eu\u201d, que frequentemente s\u00e3o assassinados, em uma din\u00e2mica que s\u00f3 os devolve o gozo avassalador do Outro. Uma radiografia de um mundo que se debate entre o luto, a melancolia e a recha\u00e7o de uma cena onde poderia se inscrever um desejo n\u00e3o an\u00f4nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cemit\u00e9rio de elefantes<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Algo fracassa nos discursos que prop\u00f5em solu\u00e7\u00f5es pr\u00e9-estabelecidas para uma quest\u00e3o como o suic\u00eddio ou outras modalidades do morrer, que atentam ao gozo e \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do sujeito no Outro. Desde o discurso pol\u00edtico, o que n\u00e3o funciona se administra contando, legislando e educando. Entretanto, o pseudodiscurso capitalista processa o mal-estar pela l\u00f3gica da oferta e da procura. \u00c9 precisamente nessa dire\u00e7\u00e3o que se inscreve o filme\u00a0<em>O cemit\u00e9rio dos elefantes<\/em><a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a>, um olhar sobre o cinismo que caracteriza certas pr\u00e1ticas contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme denuncia uma realidade pouco conhecida do submundo de La Paz \u2013 Bol\u00edvia, uma forma peculiar de suic\u00eddio em lugares onde se bebe at\u00e9 morrer. Assim, a \u201clei da cantina\u201d organiza o acesso ao consumo ilimitado de \u00e1lcool, o suficiente para consumar o ato, sob a condi\u00e7\u00e3o de que se pague adiantado. O servi\u00e7o inclui a \u201csu\u00edte presidencial\u201d: um quarto imundo com apenas um foco de luz, um colch\u00e3o no ch\u00e3o, um balde para necessidades fisiol\u00f3gicas e um espelho que coloca o personagem diante da pr\u00f3pria agonia. Por fim, o servi\u00e7o de descartar o morto num beco para que a pol\u00edcia o recolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se destacar o lugar que o suic\u00eddio ocupa nesse \u201csubmundo\u201d. Poderia dizer que pertencer a ele j\u00e1 \u00e9 um gesto suicida, precisamente porque se est\u00e1 exposto \u00e0 morte e disposto, a qualquer momento, a morrer. A faceta ir\u00f4nica desses \u201ccemit\u00e9rios\u201d n\u00e3o passa inadvertida por Viscarra, quando destaca as palavras de um policial que explicita a utilidade dessas cantinas: um trabalho velado para reduzir o n\u00famero de b\u00eabados que perambulam pela cidade-mis\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juve, de 33 anos, \u00e9 alco\u00f3latra desde os 14. O personagem se apresenta sem m\u00e1scaras: \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada nem ningu\u00e9m que me prenda a este mundo\u201d; \u00e9 o produto de uma \u201caventura da sua m\u00e3e com um estrangeiro\u201d. A pergunta sobre o destino percorre todo o filme, mas com um car\u00e1ter de interroga\u00e7\u00e3o meton\u00edmica. Trata-se de uma quest\u00e3o circular, sem met\u00e1foras. A \u00fanica decis\u00e3o que toma o personagem \u00e9 entregar o amigo na condi\u00e7\u00e3o de \u201cSullu\u201d<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a>. Assim, aproveitando-se do alcoolismo de seu \u201cirm\u00e3o de sangue\u201d, engana-o e o oferece para ser enterrado vivo nos alicerces de um pr\u00e9dio em constru\u00e7\u00e3o. Em seguida, com o dinheiro obtido por vender o amigo, se suicida no cemit\u00e9rio dos elefantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com quem o analista joga sua partida?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A t\u00edtulo de conclus\u00e3o, surge a pergunta sobre a posi\u00e7\u00e3o do analista diante das modalidades do morrer no s\u00e9culo XXI \u2014 tentativas de suic\u00eddio e outras mortes violentas \u2014 que presentificam um sofrimento encarnado no corpo, deixando descoberto que o ato se situa num horizonte de recha\u00e7o do inconsciente<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a>. Ent\u00e3o, para o analista, se trata de manobrar com o sil\u00eancio das puls\u00f5es, e o desafio \u00e9 circunscrever e\/ou interrogar aquilo que n\u00e3o fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para estar \u00e0 altura desse desafio, os praticantes se adentram nos cen\u00e1rios institucionais, universit\u00e1rios e no consult\u00f3rio, advertidos de que n\u00e3o se trata de curar a puls\u00e3o de morte, mas de aloj\u00e1-la sob transfer\u00eancia. Nesse sentido, observou-se a fun\u00e7\u00e3o mort\u00edfera do ideal no caso de M., um adolescente que vivia numa vila e que, diante da imin\u00eancia de alta de seu tratamento numa institui\u00e7\u00e3o de reabilita\u00e7\u00e3o, foi assaltado pela ideia de se deixar tentar pela vida anterior e de n\u00e3o conseguir torcer o pr\u00f3prio destino, tomou psicofarmacos ilegais e morreu. Assim, sob o ideal de \u201csair da vila\u201d, pode-se ler o vazio de significa\u00e7\u00e3o, uma l\u00f3gica de tudo ou nada que o empurrou a se deixar cair da cena do mundo. Podemos ler a\u00ed um ato bem-sucedido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomando em conta o anterior, o analista, imbu\u00eddo de uma \u201c<em>mod\u00e9stia ativa<\/em>\u201d<em>,<\/em> permite ao sujeito delimitar, articular ou inclusive bordear esse empuxo ao gozo mort\u00edfero. Diante da aus\u00eancia de demanda e do sil\u00eancio pulsional, a boa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de uma oferta, um convite ao que pode surgir &#8211; a figura do analista d\u00f3cil, que, visando uma cess\u00e3o de gozo, introduz uma pausa m\u00ednima, convidando e for\u00e7ando o consentimento do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ensina Lacan em Lovaina, nada no discurso anal\u00edtico desemboca em dar um sentido \u00e0 vida. No entanto, o analista joga a partida, n\u00e3o com o sentido, mas com os detalhes divinos que enla\u00e7am o sujeito \u00e0 vida<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a>, advertido de que cada partida \u00e9 \u00fanica e diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Traductores<\/strong>: Graziela Pires, Ana Beatriz Zimmerman, Fabricio Donizete da Costa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><sup>[i]<\/sup><\/a> Lacan, J., \u201cConferencia en la Universidad de Lovaina\u201d, 13 de octubre de 1972, <em>Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis<\/em>, a\u00f1o XI, n\u00famero 23, 2017.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a> Observatorio Venezolano de Violencia. (2023). Informe anual de violencia autoinfligida. https:\/\/observatoriodeviolencia.org.ve\/news\/informe-anual-de-violencia-autoinfligida-2023\/<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Geograf\u00eda (INEGI). (2024, 6 de septiembre). Estad\u00edsticas a prop\u00f3sito del D\u00eda Mundial para la Prevenci\u00f3n del Suicidio (10 de septiembre). <a href=\"https:\/\/www.inegi.org.mx\/contenidos\/saladeprensa\/aproposito\/2024\/EAP_Suicidio24.pdf\">https:\/\/www.inegi.org.mx\/contenidos\/saladeprensa\/aproposito\/2024\/EAP_Suicidio24.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Aristegui Noticias. (2024, 10 de septiembre). Crece la tasa de suicidios en M\u00e9xico; 63% de los casos involucran a j\u00f3venes. https:\/\/aristeguinoticias.com\/1009\/aristegui-en-vivo\/entrevistas-completas\/crece-la-tasa-de-suicidios-en-mexico-63-de-los-casos-involucran-a-jovenes\/<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Villarroel, M. (2013, 10 de septiembre). Bolivia registra en cinco a\u00f1os 3.495 suicidios; el 33% en La Paz. La Raz\u00f3n. <a href=\"https:\/\/www.la-razon.com\/sociedad\/2013\/09\/10\/bolivia-registra-en-cinco-anos-3495-suicidios-el-33-en-la-paz\/\">https:\/\/www.la-razon.com\/sociedad\/2013\/09\/10\/bolivia-registra-en-cinco-anos-3495-suicidios-el-33-en-la-paz\/<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">World Health Organization WHO (2025). Disponible en: <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/suicide\">https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/suicide<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Noticias disponibles en: <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2023-09\/brasil-registra-1000-suicidios-de-criancas-e-adolescentes-por-ano\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2023-09\/brasil-registra-1000-suicidios-de-criancas-e-adolescentes-por-ano<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\"><sup>[iii]<\/sup><\/a> Lacan J., \u201cTelevisi\u00f3n\u201d. En <em>Otros escritos<\/em>, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2010, pp.568-56.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\"><sup>[iv]<\/sup><\/a> Lacan J., \u201cTelevisi\u00f3n\u201d. En <em>Otros escritos<\/em>, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2010, pp.568-56.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\"><sup>[v]<\/sup><\/a> Expresi\u00f3n francesa que proviene del t\u00edtulo de un libro (P\u00e9ri, <em>Les Lendemains qui chantent<\/em>) y que, seg\u00fan explica \u00c9ric Laurent, se incorpor\u00f3 al lenguaje com\u00fan.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Cerqueira, D. (2018). Atlas da viol\u00eancia 2019. (org). IPEA. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/relatorio_institucional\/180604_atlas_da_violencia_2019.pdf\">http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/relatorio_institucional\/180604_atlas_da_violencia_2019.pdf<\/a> -El Atlas de la Violencia, publicaci\u00f3n anual del Instituto de Investigaci\u00f3n Econ\u00f3mica Aplicada (Ipea) y del Foro Brasile\u00f1o de Seguridad P\u00fablica (FBSP), es un importante estudio que analiza datos sobre la violencia en Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> El presente informe forma parte de la investigaci\u00f3n doctoral en curso en la Universidad Federal de Minas Gerais desarrollada por B\u00e1rbara Afonso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> El presente informe forma parte de la investigaci\u00f3n doctoral en curso en la Universidad Federal de Minas Gerais desarrollada por B\u00e1rbara Afonso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Miller, J.-A., \u201cLa teor\u00eda del <em>partenaire<\/em>\u201d, <em>Revista Lacaniana, <\/em>N\u00b0<em>19, <\/em>Buenos Aires, Grama, noviembre 2015<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> Blasco Ros, C., Monteagud Romero, S., (26 de mayo 2023). La plaga del fentanilo: as\u00ed act\u00faa esta droga devastadora. <em>El Pa\u00eds.<\/em> Disponible en: <a href=\"https:\/\/elpais.com\/ciencia\/2023-05-26\/la-plaga-del-fentanilo-asi-actua-esta-droga-devastadora.html\">https:\/\/elpais.com\/ciencia\/2023-05-26\/la-plaga-del-fentanilo-asi-actua-esta-droga-devastadora.html<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> Gonz\u00e1lez D\u00edaz, M., (15 de dezembro de 2022). \u201cTomo fentanil v\u00e1rias vezes ao dia. Se n\u00e3o o fa\u00e7o, fico com uma ansiedade tremenda\u201d: a pioneira sala de consumo seguro na Am\u00e9rica Latina que combate as mortes por overdose no M\u00e9xico. Dispon\u00edvel em:\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-america-latina-63581276\">https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-america-latina-63581276<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> Janela da Escuta. Laboratorio do CIEN e Programa de Extens\u00e3o, Ensino e Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, desde 2005.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> Lacan, J. Confer\u00eancia na Universidade de Lovaina, op. cit., p. 7. Neste trabalho, Lacan faz a distin\u00e7\u00e3o entre a morte, que \u00e9 \u201cdo dom\u00ednio da f\u00e9\u201d, e a vida, cujo \u00fanico tra\u00e7o caracter\u00edstico \u00e9 que se reproduz. \u201cVoc\u00eas t\u00eam toda raz\u00e3o em acreditar que v\u00e3o morrer, \u00e9 claro; isso os sustenta. Se n\u00e3o acreditassem nisso, conseguiriam suportar a vida que t\u00eam?\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> Lacan J, El Seminario, Libro 5, Las formaciones del Inconsciente, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2010, p. 253.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> Pesquisa Fapesp. Revista da Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo. Reportagem de Renata Fontanetto. Edi\u00e7\u00e3o 333, nov 2023. Publica\u00e7\u00e3o online em 25 out 2023, atualizado em 28 de fev. 2024. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/taxa-de-suicidio-entre-indigenas-supera-em-quase-tres-vezes-a-da-populacao-geral\/&gt;. Acesso em 19 de abril de 2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Veras, Marcelo. A morte de si. S\u00e3o Paulo: Cult Editora, 2023, p.51-52.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\"><sup>[xvii]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.google.com.mx\/search?sca_esv=4c6739d3b2e81566&amp;q=Tonchy+Antezana&amp;si=APYL9btZkf4kdGhzReFKIi4_F4HlfAbNt65clXF8w4EPLuE33n48umUx-94t8GbFU5vSMnU83YWpcGvZ-i2DEZOppsOgdwZQ73Vh8CmY3ACTGHe-jGQ5E8vwQEwYYCICHHxDjhJkrgBP2IiQkpOfNPwfMeqn2ASNNwt6IrtGN88XNblr7W_xWe0CJahWm9ZToU64raaQGlbXxgI9PNB216LoOrY4OxNZ0Q%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjAoPqM3IqNAxUA4ckDHeAcBAEQmxMoAHoECDIQAg\">Tonchy Antezana<\/a>, 2008. Filme baseado na obra do escritor boliviano V\u00edctor Hugo Viscarra, onde a morte \u00e9 o tema central.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> <em>Sullu<\/em>\u00a0\u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o que recebem diversos objetos rituais compostos por fetos de animais, utilizados em pr\u00e1ticas de agradecimento \u00e0 Pachamama. \u00c9 uma palavra derivada do idioma qu\u00e9chua que significa, justamente,\u00a0<em>feto<\/em>. O uso de\u00a0<em>sullus<\/em>nas chamadas\u00a0<em>mesas de challa<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>wajt\u2019as<\/em>\u00a0\u00e9 bastante comum, sendo parte tanto das pr\u00e1ticas de institui\u00e7\u00f5es oficiais quanto do cotidiano dos cidad\u00e3os, particularmente no oeste da Bol\u00edvia, onde esse tipo de oferenda \u00e9 realizado com frequ\u00eancia em eventos como inaugura\u00e7\u00f5es, aquisi\u00e7\u00f5es, na ter\u00e7a-feira da\u00a0<em>challa<\/em>\u00a0ou durante o m\u00eas de agosto, m\u00eas dedicado \u00e0 Pachamama.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\"><sup>[xix]<\/sup><\/a> Laurent, E, <em>Estabilizaciones en las psicosis<\/em>, Editorial Manantial ,1989, p.\u00a0 123-124.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a> Lacan, J. Confer\u00eancia pronunciada na Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina, em 13 de outubro de 1972.1, op. cit., p. 11. O sentido da vida como tal \u00e9 sua reprodu\u00e7\u00e3o e, em todo caso, cada ser falante sustenta (ou n\u00e3o) um sentido singular.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALA: O ETERNO DO INFANTIL MODALIDADES DO MORRER NO S\u00c9CULO XXI \u00a0\u201cUm pouquinho de seriedade. A morte \u00e9 do dom\u00ednio da f\u00e9. Voc\u00eas t\u00eam raz\u00e3o de acreditar que v\u00e3o morrer, claro &#8211; isto lhes serve de apoio. Se n\u00e3o acreditassem nisso, ser\u00e1 que poderiam suportar a vida que t\u00eam?\u201d (Lacan, J. \u201cConfer\u00eancia de Lovaina\u201d. 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