{"id":6677,"date":"2025-08-03T18:01:28","date_gmt":"2025-08-03T21:01:28","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/el-inconsciente-fuera-de-tiempo\/"},"modified":"2025-08-04T07:49:27","modified_gmt":"2025-08-04T10:49:27","slug":"o-inconsciente-fora-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/o-inconsciente-fora-do-tempo\/","title":{"rendered":"O INCONSCIENTE FORA DO TEMPO"},"content":{"rendered":"<h3>SALA: O ETERNO DO INFANTIL<strong><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O INCONSCIENTE FORA DO TEMPO<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cEncontramo-nos aqui no cora\u00e7\u00e3o do problema do que Freud avan\u00e7a quando diz que o<\/em> <em>inconsciente se coloca fora do tempo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00c9 e n\u00e3o \u00e9 verdade. Ele se coloca fora do tempo<\/em> <em>exatamente como o conceito, porque \u00e9 o tempo de si mesmo,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>o tempo puro da coisa, e<\/em> <em>pode como tal reproduzir a coisa numa certa modula\u00e7\u00e3o, de que qualquer coisa pode ser<\/em> <em>o suporte material (\u2026).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Essa observa\u00e7\u00e3o nos levar\u00e1 muito longe, at\u00e9 os problemas de<\/em> <em>tempo que a pr\u00e1tica anal\u00edtica comporta\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Lacan, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 1, os escritos<\/em> <em>t\u00e9cnicos de Freud<\/em><em>. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996, p. 276.)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatores: <\/strong>Marcela Molinari (EOL) e Carolina Puchet (NEL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Participantes:<\/strong> Alessia Fontenelle (Salvador), Bruna Guaran\u00e1 (Rio de Janeiro), Christian Temprano (Buenos Aires), Diana Wolkowicz (Ros\u00e1rio), Federico Salvarezza (Paran\u00e1), Hilema Su\u00e1rez (Caracas), Jos\u00e9 Miguel R\u00edos (Lima), Karynna N\u00f3brega (Campina Grande), Maria Luiza Rovaris Cidade (Florian\u00f3polis), Natalia Andreini (C\u00f3rdoba), Paola Grajales (Bogot\u00e1), Withney Ferrufino (Tarija).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fomos convidados pelo Comit\u00ea Cient\u00edfico do ENAPOL para participar desse grupo de trabalho com os colegas das tr\u00eas escolas da Am\u00e9rica. A partir disso, foi-nos proposto como provoca\u00e7\u00e3o para a discuss\u00e3o o par\u00e1grafo do <em>Semin\u00e1rio 1<\/em> de Lacan (citado acima), a fim de que pud\u00e9ssemos produzir um texto que possa servir para uma das conversas que teremos sobre o tema: <em>O eterno do infantil. <\/em>A partir dessas coordenadas, propusemo-nos a conversar a cada reuni\u00e3o. Esmiu\u00e7ando o par\u00e1grafo, produzimos 3 eixos para ordenar nosso trabalho:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> O inconsciente e o conceito fora do tempo.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">J.-A. Miller (2011) afirma que, ao in\u00edcio do ensino de Lacan, encontramos duas vertentes que orientam o seu desenvolvimento: uma linha estruturalista e uma hegeliana usada como recurso para \u201ccompreender\u201d Freud\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus prim\u00f3rdios, Lacan faz uma <em>jun\u00e7\u00e3o entre estrutura e dial\u00e9tica. <\/em>Nesse momento, per\u00edodo da primazia do registro do simb\u00f3lico, o inconsciente se situar\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria, entendida como o desdobramento de combinat\u00f3rias. Vamos levar em conta aqui a no\u00e7\u00e3o de conceito que, referindo-se a Hegel, encontramos em Lacan. Sendo assim, ser\u00e1 na aula XIV &#8211; <em>As flutua\u00e7\u00f5es da libido<\/em> do <em>Semin\u00e1rio 1 <\/em>que Lacan diz: &#8220;A palavra ou o conceito n\u00e3o \u00e9 outra coisa para o ser humano do que a palavra na sua materialidade. \u00c9 a coisa mesma.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan diria que se trata do valor performativo da linguagem, pois apenas pronunciando a palavra <em>elefante<\/em> j\u00e1 se d\u00e1 a entidade de exist\u00eancia \u00e0 coisa e se pode operar com ela, tendo inclusive um impacto sobre ela: &#8220;basta que eu fale deles, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de que estejam aqui, para que estejam aqui, gra\u00e7as \u00e0 palavra <em>elefante<\/em>, e mais reais do que os indiv\u00edduos \u2013 elefantes contingentes.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o conceito n\u00e3o \u00e9 uma sombra da coisa, mas o que a torna presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan escolhe assumir a fun\u00e7\u00e3o criativa da palavra, na medida em que essa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 o que faz a coisa em si surgir.\u00a0 Realiza\u00e7\u00e3o que coloca a coisa em p\u00e9 de igualdade com o conceito, na medida em que o conceito \u00e9 o tempo da coisa.\u00a0Assim, ele nos lan\u00e7a no territ\u00f3rio do que ele chama <em>de tempo da coisa. <\/em>\u00c9 o tempo que faz com que a coisa esteja l\u00e1, ainda que n\u00e3o esteja, atrav\u00e9s da palavra:<\/p>\n<blockquote>[&#8230;] o conceito n\u00e3o \u00e9 a coisa no que ela \u00e9, pela simples raz\u00e3o de que o conceito est\u00e1 sempre onde a coisa n\u00e3o est\u00e1, ele chega para substituir a coisa [&#8230;] Hegel diz isso com grande rigor &#8211; o conceito \u00e9 o que faz com que a coisa esteja a\u00ed, n\u00e3o estando&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa maneira, podemos localizar a proposta de Freud, o inconsciente fora do tempo, bem como o conceito. Encontramos assim um fundamento no qual o suporte material da coisa pode ser qualquer coisa. N\u00e3o se trata tanto do seu suporte material, mas da sua modula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao tempo. Por esse caminho, chegamos e destacamos a formula\u00e7\u00e3o de que o tempo tem uma dimens\u00e3o constitutiva da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por acaso, a palavra transporta tempo? Com a leitura desse cap\u00edtulo, dir\u00edamos que sim. No marco do inconsciente estruturado como linguagem, de que tempo se trataria? Buscamos as pistas para encontrar uma resposta: &#8220;[&#8230;] a palavra cria a resson\u00e2ncia de todos os seus sentidos. Afinal de contas, \u00e9 ao ato mesmo da palavra enquanto tal que somos reenviados.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto, \u00e9 interessante notar que, em hebraico, o substantivo <em>coisa<\/em> (\u05d3\u05d1\u05e8, dav\u00e1r) e o verbo <em>falar<\/em>, <em>dizer<\/em> (\u05dc\u05d3\u05d1\u05e8, ledab\u00e9r) t\u00eam a mesma raiz de tr\u00eas letras: Dalet (\u05d3), Bet (\u05d1) e Resh (\u05e8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raiz triconsonantal \u00e9 a estrutura fundamental das palavras hebraicas da qual todas as outras palavras s\u00e3o derivadas. \u00c9 impressionante que essa linguagem j\u00e1 mostre como sabemos <em>sobre a coisa<\/em> apenas pela fala e dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos na cita\u00e7\u00e3o inicial que nos debru\u00e7amos<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[i]<\/sup><\/a> uma refer\u00eancia ao<em> Aufhebung<\/em> hegeliano no aspecto em que algo <em>\u00e9 verdadeiro e n\u00e3o \u00e9 <\/em>ao mesmo tempo. Um movimento que implica a supera\u00e7\u00e3o do momento anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Notamos naquele <em>\u00e9<\/em> <em>verdadeiro<\/em> e <em>n\u00e3o \u00e9 verdadeiro <\/em>um desafio temporal, ou seja, cuja natureza \u00e9 o tempo em que a pr\u00e1tica anal\u00edtica nos lan\u00e7a: n\u00e3o podemos falar de um tempo cronol\u00f3gico imut\u00e1vel que implica causa \u2192efeito. A aposta, ent\u00e3o, ser\u00e1 em outra coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pista nos ocorre no <em>Semin\u00e1rio 1<\/em>, quando Lacan toma o conceito freudiano de <em>nachtr\u00e4glich<\/em> \u2013 traduzido como <em>apr\u00e8s-coup<\/em> \u2013 para se referir \u00e0 rela\u00e7\u00e3o retroativa entre antes e depois. H\u00e1 ent\u00e3o um novo tempo que reescreve os v\u00ednculos cronol\u00f3gicos entre as coisas. A cita\u00e7\u00e3o do <em>Semin\u00e1rio 1<\/em> corrobora isso: &#8220;A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o passado. A hist\u00f3ria \u00e9 o passado na medida em que \u00e9 historiado no presente porque foi vivido no passado&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os eventos presentes afetam os eventos passados <em>a posteriori<\/em>, com a categoria de passado existindo como <em>mem\u00f3rias<\/em> que foram interpretadas \u00e0 luz das experi\u00eancias presentes.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><strong> O inconsciente atemporal<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">L. Casenave, em seu livro <em>\u00bfQu\u00e9 plantea el ni\u00f1o al psicoan\u00e1lisis? <\/em>argumenta que, al\u00e9m do tempo irrevers\u00edvel da f\u00edsica linear organizada em passado, presente e futuro, h\u00e1 outra maneira de pensar sobre o tempo ordenado pelos estoicos com base nas categorias l\u00f3gicas do contingente, necess\u00e1rio e poss\u00edvel. O presente \u00e9 um encontro, <em>Tyche<\/em>, que ocorre aleatoriamente como uma conting\u00eancia. Uma vez que aconteceu, esse presente se torna passado e n\u00e3o pode se tornar outra coisa, e ent\u00e3o \u00e9 quando passa a ser necess\u00e1rio. O futuro seria <em>Chronos,<\/em> o que significa o poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro infantil, contingente, pode ser eternizado como marcas de gozo no corpo deixadas pelo encontro traum\u00e1tico com a <em>lal\u00edngua.<\/em> Algo se fixa e comanda o modo de gozar. H\u00e1 um instante de resson\u00e2ncias imprevis\u00edveis em que o corpo se torna palavra e que uma vez inscrita se torna necess\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um tempo verbal que nos permite pensar sobre isso: o Futuro Anterior em franc\u00eas, o Futuro Composto ou Futuro Perfeito em espanhol e Futuro do Pret\u00e9rito Composto no portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Futuro Perfeito no espanhol \u00e9 formado com o verbo <em>haver<\/em> no futuro seguido pelo partic\u00edpio passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A particularidade do Futuro Perfeito que seria o Futuro do Pret\u00e9rito no portugu\u00eas \u00e9 que ele se refere a a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 v\u00e3o estar conclu\u00eddas em algum momento no futuro. Portanto, estar\u00edamos falando no passado sobre algo que ainda n\u00e3o aconteceu, mas que sabemos ou prevemos que acontecer\u00e1. Tamb\u00e9m \u00e9 usado com um valor modal de probabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem<\/em>, Lacan aponta que a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o passado definido, mas \u201co futuro anterior do que terei sido para aquilo em que me estou transformando.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se realiza na minha hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o Passado Perfeito, n\u00e3o \u00e9 o que <em>eu fui<\/em>, nem <em>o que eu teria sido no que eu sou<\/em> \u00e9 o Futuro Anterior, do que <em>eu teria sido para o que ainda estou por me tornar<\/em>. Por isso o tempo verbal <em>ter\u00e1 sido<\/em> \u00e9 o tempo de uma psican\u00e1lise. Um tempo composto que possibilita um trabalho de separa\u00e7\u00e3o entre o partic\u00edpio passado e o futuro com o valor modal de probabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Propomos ler a realidade do inconsciente com esse modo verbal, pois \u00e9 a leitura de uma marca que carrega o tra\u00e7o do futuro anterior. Aquela surpresa de se reconhecer em algo que ser\u00e1, em algo que, ao mesmo tempo, se antecipa. Uma surpresa que mostra que nessa leitura surge o sujeito, o mesmo que l\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00ea, n\u00e3o sem os efeitos de divis\u00e3o que essa descoberta acarreta.\u00a0Uma divis\u00e3o que, se fizermos uso desse tempo verbal, podemos nomear em termos de uma bifurca\u00e7\u00e3o entre o que foi e o que \u00e9. <em>Ter\u00e1 sido<\/em> \u00e9 um fora do tempo que nos convida a deslocar as ideias temporais de destino e eternidade e que nos leva ao <em>n\u00e3o realizado<\/em>, o que aponta para o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma an\u00e1lise, h\u00e1 um tempo de falar, o tempo em que se desdobra o que dizemos, descolando os ditos do dizer, e que \u00e9 um modo de escrever a rela\u00e7\u00e3o entre um tempo de dizer e um tempo de falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo em que o que dizemos avan\u00e7a, o futuro anterior funciona como um tempo em que diferentes passados n\u00e3o s\u00e3o apenas ressignificados, mas s\u00e3o criados, inventados. Sua exist\u00eancia \u00e9 po\u00e9tica e solid\u00e1ria a uma forma de ler, <em>isso<\/em> ressoa com o inconsciente.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li><strong> O inconsciente, o tempo e a pr\u00e1tica anal\u00edtica <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inconsciente n\u00e3o conhece o tempo. A experi\u00eancia da an\u00e1lise, sua dura\u00e7\u00e3o e o tempo da sess\u00e3o s\u00e3o correlatos desse desconhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan (1967) rejeitou a padroniza\u00e7\u00e3o das sess\u00f5es e sua dura\u00e7\u00e3o fixa. Na \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro\u201d, Lacan aborda a experi\u00eancia anal\u00edtica como a experi\u00eancia original que \u00e9 levada a um ponto de sua finitude, permitindo um <em>apr\u00e8s-coup<\/em>, efeito do tempo e de saber.<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a> Experi\u00eancia essa que se distancia da mera terap\u00eautica pela aplica\u00e7\u00e3o de um tempo l\u00f3gico ao tratamento, o que se verifica nas demonstra\u00e7\u00f5es conclusivas do passe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud defendeu que o inconsciente n\u00e3o conhece o tempo, mas esbarrava com a an\u00e1lise intermin\u00e1vel; aquele inconsciente trabalhador incans\u00e1vel n\u00e3o cessava de trabalhar e produzir. O tempo perde sua dimens\u00e3o cronol\u00f3gica e linear, ou seja, eventos ocorridos posteriormente podem mudar o passado. Por isso, podemos pensar no <em>tempo subjetivo n\u00e3o linear<\/em>, um tempo evanescente, onde o presente n\u00e3o se pode capturar. Ele no agora escapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para concluir<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideramos que o infantil se apresenta como uma temporalidade l\u00f3gica do inconsciente. O infantil nomeia uma fixa\u00e7\u00e3o de gozo, uma perman\u00eancia que insiste, atravessa o tempo e se reatualiza. Mas, em suma, do que se trata? Trata-se de experi\u00eancias sexuais da inf\u00e2ncia, estabelecidas no ponto em que a <em>lal\u00edngua<\/em> incide sob o corpo e deixa uma marca; marcas que atuam como fontes do sintoma, modos singulares de gozar que retornam, se repetem e se transformam ao longo de uma exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos dizer que o infantil inscreve a marca inaugural da estrutura do sujeito, testemunhando algo de sua heran\u00e7a de gozo, aquilo que, na temporalidade da an\u00e1lise, pode ser reiterado, deslocado ou nomeado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M. Recalde (2019) em seu texto <em>Lo que perdura<\/em> nos ensina que o infantil, longe de se esgotar, subsiste antes, durante e depois da experi\u00eancia anal\u00edtica. Persiste como um resto irredut\u00edvel que atravessa o tempo e aponta para a zona do inanalis\u00e1vel: aquilo que subsiste como n\u00facleo de gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (1953-54) <em>O Semin\u00e1rio, Livro 1. &#8220;Os escritos t\u00e9cnicos de Freud&#8221;. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J (1953) <em>&#8220;<\/em>Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise<em>&#8220;. <\/em>Em: <em>Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, pp 238-324.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J (1967) \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola\u201d. Em: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, pp.248-264<em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Recalde, M (2019) \u201cLo que perdura\u201d. Em: <em>Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis. <\/em><em>&#8220;<\/em>El fator infantil&#8221; n., 26, junho de 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Casenave, L (2020)<em> \u00bfQu\u00e9 plantea el ni\u00f1o al psicoan\u00e1lisis? <\/em>Cadernos ICdeBA 25.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a>Tradu\u00e7\u00e3o: Bruna M. Guarana.<\/span><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALA: O ETERNO DO INFANTIL O INCONSCIENTE FORA DO TEMPO \u00a0 \u201cEncontramo-nos aqui no cora\u00e7\u00e3o do problema do que Freud avan\u00e7a quando diz que o inconsciente se coloca fora do tempo. \u00c9 e n\u00e3o \u00e9 verdade. 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