{"id":6706,"date":"2025-08-03T18:20:15","date_gmt":"2025-08-03T21:20:15","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/la-deserotizacion-del-mundo-pasiones-tristes-de-todos-los-generos\/"},"modified":"2025-08-11T05:37:46","modified_gmt":"2025-08-11T08:37:46","slug":"a-deserotizacao-do-mundo-paixoes-tristes-de-todos-os-generos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/a-deserotizacao-do-mundo-paixoes-tristes-de-todos-os-generos\/","title":{"rendered":"A DESEROTIZA\u00c7\u00c3O DO MUNDO &#8211; PAIX\u00d5ES TRISTES DE TODOS OS G\u00caNEROS"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong>SALA: O SEXUAL DO INFANTIL<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0A DESEROTIZA\u00c7\u00c3O DO MUNDO<br \/>\n<\/strong><strong>PAIX\u00d5ES TRISTES DE TODOS OS G\u00caNEROS<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cN\u00e3o h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o universal de escolha de objeto. Por isso sempre surge uma<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>peculiaridade contingente quando algu\u00e9m toca a dimens\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es, e o Outro<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>zomba desses pobres sujeitos, um a um, com suas condi\u00e7\u00f5es particulares de amor\u201d<\/em> (Miller, J.-A. Converg\u00eancia e Diverg\u00eancia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova <\/em><em>s<\/em><em>erie,<\/em> n. 2, julho 2010.)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Relatores:<\/strong> Lorena Gre\u00f1as (NEL); Heloisa Telles (EBP); Gisela Smania (EOL)<\/p>\n<p><strong>Participantes:<\/strong> Agust\u00edn Farr\u00e9 (San Juan), Andr\u00e9s Amariles (Medell\u00edn), Bruna Albuquerque (Belo Horizonte) Camila Ventura (Rio de Janeiro), Dalia Virgil\u00ed (Buenos Aires), Diego Cervelin (Florian\u00f3polis), Edgar V\u00e1squez (Ciudad de M\u00e9xico), Florencia Fern\u00e1ndez (Montevideo), Iara Su\u00e1rez (La Plata), Iv\u00e1n Delgado (Maracaibo), Marina Fragoso (Jo\u00e3o Pessoa), Miguel de la Rosa (Guayaquil).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Este relat\u00f3rio foi elaborado pelas tr\u00eas Antenas do Observat\u00f3rio <em>A deserotiza\u00e7\u00e3o do mundo \u2013 Paix\u00f5es tristes de todos os g\u00eaneros<\/em>, constitu\u00eddo em janeiro de 2025 pela FAPOL<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Conclu\u00edda a fase inicial, com a discuss\u00e3o dos textos produzidos por cada Antena, prosseguimos no caminho de elabora\u00e7\u00e3o e escrita que nos conduziu at\u00e9 aqui, considerando especialmente o tema proposto para uma das Conversa\u00e7\u00f5es Federativas. O desafio estava posto: como fazer ressoar a <em>deserotiza\u00e7\u00e3o <\/em>(do mundo) e <em>o infantil<\/em>?<\/p>\n<p>Partimos do sintagma \u201cdo mundo\u201d para \u2013 distantes de qualquer af\u00e3 sociol\u00f3gico \u2013 designar a \u201cespiral de nossa \u00e9poca\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>, advertidos de que essa se define em seu car\u00e1cter transindividual, no n\u00f3 irremedi\u00e1vel que constituem o individual e o coletivo. Compete-nos extrair os axiomas que comandam o esp\u00edrito de nosso tempo para produzir \u2013 mais al\u00e9m da pregn\u00e2ncia dos fen\u00f4menos de \u00e9poca \u2013 uma leitura poss\u00edvel. Assim, a partir da pr\u00e1tica anal\u00edtica<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, como ler a <em>deserotiza\u00e7\u00e3o<\/em> em cada <em>parl\u00eatre <\/em>nos tempos atuais?<\/p>\n<p>Destacamos duas quest\u00f5es fundamentais que serviram como ponto de partida para a investiga\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>1- A crian\u00e7a se revela, se <em>concebe<\/em> cada vez mais nas fic\u00e7\u00f5es que animam a civiliza\u00e7\u00e3o como \u201cobjeto apaixonadamente desejado e recha\u00e7ado\u201d, tornando-se a policromia do <em>perverso polimorfo<\/em>: \u00edndice de um insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>2- A onipresen\u00e7a da pornografia torna-se hoje tribut\u00e1ria das paix\u00f5es tristes, sobre as quais testemunham especialmente os jovens.<\/p>\n<p>Apresentamos, a seguir, os seguintes pontos para discuss\u00e3o e conversa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>I. Do esc\u00e2ndalo ao empuxo ao gozo<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas fragmentos cl\u00ednicos nos permitiram captar o valor perturbador que agita as demandas atualmente. Dois deles situam como, por exemplo, o corpo da crian\u00e7a, enquanto objeto, concentra, condensa a dimens\u00e3o do esc\u00e2ndalo, recha\u00e7ando a maneira singular como um corpo, na qualidade de vivo, goza. O terceiro discorre sobre o modo como as paix\u00f5es tristes ignoram a causa escrita no inconsciente.<\/p>\n<p>Uma m\u00e3e procura atendimento, angustiada por ter surpreendido seu filho no banho com um primo tr\u00eas anos mais velho. Chega convencida de que o que ali acontecera foi um abuso. A analista pede para conversar, a s\u00f3s, com o menino, que comenta que isso j\u00e1 havia ocorrido outras vezes e que lhe causava vergonha. Fala do aborrecimento da m\u00e3e e do distanciamento, do esc\u00e2ndalo familiar suscitado pela cena; e que para ele <em>isso <\/em>foi um jogo. A analista equivoca o abusivo, introduzindo certo impasse: \u201cTalvez seja necess\u00e1rio que isso que aconteceu comece a ser nomeado de outra maneira\u201d.<\/p>\n<p>Em outro caso, um menino, depois de um toque fugaz em seu corpo por parte de um vendedor durante uma viagem, relata o acontecido a sua m\u00e3e, que reage com p\u00e2nico e faz uma den\u00fancia. Enquanto a fam\u00edlia se mobiliza atenta \u00e0 \u201cpreven\u00e7\u00e3o do trauma\u201d que isto causar\u00e1 ao menino, ele se dedica a contar a hist\u00f3ria na escola, chegando a dizer ao analista: \u201cGosto de ser o centro das aten\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo que possa haver fatos claramente excessivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre o que \u00e9 vivido como esc\u00e2ndalo pelos adultos e o singular que se vive como desordem na experi\u00eancia de cada crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Freud, com a sexualidade infantil, \u201cperturbou o sono do mundo\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. \u00c9ric Laurent, em uma leitura atual dos \u201cTr\u00eas ensaios\u201d, prop\u00f5e uma quest\u00e3o fundamental: \u201c[\u2026] interrogar novamente onde, de fato, cabe situar o esc\u00e2ndalo. Claramente, <em>h\u00e1 algo do sexual que n\u00e3o pode se inscrever no discurso da cultura<\/em>; algo que sempre deve ser cercado, limitado [\u2026]\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Este \u00e9 o real a considerar e, como tal, seguir\u00e1 sendo inquietante, perturbador. Freud escandaliza porque o aberrante \u00e9 o sexo, ele mesmo, j\u00e1 que o sexual n\u00e3o tem regras, n\u00e3o encaixa<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Por outro lado, paradoxalmente, a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o impulsiona, com suas ofertas, seu imperativo de gozo: o sexo est\u00e1 nas telas e facilmente acess\u00edvel, inclusive para as crian\u00e7as. Como destaca Laurent, \u201ceste empuxo ao gozo vai muito bem [&#8230;] com o gozo autoer\u00f3tico de uma pornografia generalizada, incrementada com a realidade fict\u00edcia, [&#8230;] sem <em>partenaire<\/em>\u201d<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O terceiro recorte de que nos servimos: um jovem acorda \u00e0s 6:00 da manh\u00e3, l\u00ea not\u00edcias e depois come\u00e7a a ver pornografia \u2013 sempre o mesmo tipo de material predeterminado pelo algoritmo. A religi\u00e3o que segue indica que tais h\u00e1bitos s\u00e3o conden\u00e1veis; recrimina-se por ser fraco de esp\u00edrito e de f\u00e9. Este momento lhe \u00e9 imposto como condi\u00e7\u00e3o para iniciar o restante das atividades que, igualmente, tampouco lhe proporcionam algum prazer: vai \u00e0 academia, corre e treina boxe. Chega \u00e0 conclus\u00e3o de que se ele dedicar mais tempo ao treino, ter\u00e1 menos energia para ver porn\u00f4. Faz assim e, depois do entusiasmo inicial, chega a decep\u00e7\u00e3o, tem mais tempo, mas n\u00e3o sabe o que fazer com ele.<\/p>\n<p>Lacan, seguindo Espinosa, prop\u00f5e em \u201cTelevis\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> que as paix\u00f5es tristes s\u00e3o aquelas que impedem a a\u00e7\u00e3o e tornam imposs\u00edvel a dimens\u00e3o do prazer, incluindo-se, nesta s\u00e9rie, n\u00e3o somente a covardia moral da tristeza, o pesar e a melancolia, mas tamb\u00e9m o t\u00e9dio, a morosidade e o mau-humor. A justificativa \u00e9 simples e elegante, uma vez que estes afetos dizem de um extravio concernente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o inconsciente e o bem-dizer &#8211; portanto, com o campo do Outro, o desejo e o gozo.<\/p>\n<p>A performance que a pornografia implica n\u00e3o deixa de evocar a aus\u00eancia de um erotismo que encontra nos semblantes sua sustenta\u00e7\u00e3o. H\u00e1, sim, um imp\u00e9rio da t\u00e9cnica sobre a sexualidade, um tabu da palavra, um gozo do corpo suposto bastar a si mesmo, um apelo a um gozo separado do inconsciente<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0II. <\/strong><strong>O fator infantil<\/strong><\/p>\n<p>Lacan associou a dignidade da psican\u00e1lise a produzir <em>grandes pessoas<\/em><a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a><em>,<\/em> dado que elas n\u00e3o existem<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>. N\u00e3o se trata de um assunto et\u00e1rio ou cronol\u00f3gico, mas sim de uma posi\u00e7\u00e3o de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o ao gozo, uma \u00e9tica. <em>Grandes pessoas<\/em> s\u00e3o aquelas que se responsabilizam pelo gozo que as habita e que vitaliza seus corpos, fazendo desconsistir o Outro o suficiente para tanto.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica psicanal\u00edtica com crian\u00e7as, inclusive, trata-se de tomar o gozo em uma escala que n\u00e3o \u00e9 a familiar, porque \u201ca escala de tratamento do gozo que \u00e9 a met\u00e1fora paterna \u2013 o \u00c9dipo \u2013 \u00e9 considerada numa ordem de subvers\u00e3o muito maior\u201d <a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. O fator infantil<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a> torna-se, ent\u00e3o, um elemento a ser situado na orienta\u00e7\u00e3o pelo real, esse ponto preciso do choque de <em>lal\u00edngua<\/em> no corpo, aquilo que perdura para toda vida<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>, mais al\u00e9m da estrutura cl\u00ednica, porque erotiza, causa, marca. Distinto da neurose infantil \u2013 uma vez que \u00e9 seu n\u00facleo estruturante, mas n\u00e3o inclui sua novela \u2013, o fator infantil define a rela\u00e7\u00e3o do <em>ser falante<\/em> com seu objeto de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma pergunta se imp\u00f5e: qual \u00e9 o instrumento de gozo que um <em>ser falante<\/em> constr\u00f3i para si? Tanto nas crian\u00e7as como nos adultos trata-se da constru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o com o objeto de gozo sob a forma de uma fic\u00e7\u00e3o, eventualmente um fantasma. Apostar que o corpo n\u00e3o fique capturado como objeto dos fantasmas parentais, tutorais ou da \u00e9poca<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a>, mas o suficientemente separado deles, ou seja, subjetivado, para construir uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ao objeto ($ &lt;&gt; <em>a<\/em>).<\/p>\n<p>Lacan alertava que, no liberalismo, o problema da \u00e9poca seria o recorte do corpo em peda\u00e7os<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a>, a deslocaliza\u00e7\u00e3o do gozo, sua imposi\u00e7\u00e3o generalizada e dispersa, \u201c[&#8230;] a segrega\u00e7\u00e3o trazida \u00e0 ordem do dia por uma subvers\u00e3o sem precedentes\u201d<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>; o mesmo que Miller nomeou como subida do objeto <em>a <\/em>ao z\u00eanite da civiliza\u00e7\u00e3o. O mais-de-gozo que o capitalismo promove, por meio do consumo, convida a uma experimenta\u00e7\u00e3o fragmentada do corpo, irrompe.<\/p>\n<p>Nos tempos atuais, os psicanalistas est\u00e3o convocados a apostar em algo mais que o Pai, operando uma dupla localiza\u00e7\u00e3o nos dizeres: o sujeito e o objeto. Com sorte, ser\u00e1 poss\u00edvel inclusive produzir uma rela\u00e7\u00e3o ($ &lt;&gt; <em>a<\/em>) que anime, mas advertidos de que, no fantasma, nunca se chega verdadeiramente a colocar a m\u00e3o<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Freud encontra este la\u00e7o fundamental entre o sintoma e o que deixa marcas indel\u00e9veis, que ressurge como acontecimento de gozo, que ultrapassa o <em>Isso fala<\/em>, uma vez que o infantil \u201cescreve a import\u00e2ncia do que resta fora do sentido para o sujeito [\u2026], \u00e9 um nome do real na experi\u00eancia anal\u00edtica\u201d<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>III. Perturbar as paix\u00f5es tristes: <em>gay s\u00e7avoir<\/em><\/strong><\/p>\n<p>De que er\u00f3tica falamos, hoje, diante do empobrecimento dos semblantes e do gozo no z\u00eanite do social?<\/p>\n<p>A partir de um ponto preciso de seu ensino, em \u201cTelevis\u00e3o\u201d, Lacan assinala que o \u201cOutro da civiliza\u00e7\u00e3o universal vai chamar-se [&#8230;] discurso do capitalismo\u201d<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a>. Cabe-nos cernir a abrang\u00eancia dessa defini\u00e7\u00e3o na subjetividade da \u00e9poca. Assim, podemos ler que o sujeito \u2013 em seu estatuto de consumidor \u2013 pode ficar capturado em uma reedi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de satisfa\u00e7\u00e3o, na qual s\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o para a \u201cm\u00e1xima excita\u00e7\u00e3o imperd\u00edvel\u201d<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a>. Assim, n\u00e3o s\u00e3o raras as situa\u00e7\u00f5es em que se chega a preferir \u201ca certeza [&#8230;] do gozo pleno do objeto sem desejo\u201d<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan esclarece que a fun\u00e7\u00e3o do discurso \u00e9 produzir o la\u00e7o social. Todo la\u00e7o social \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, um la\u00e7o er\u00f3tico, um la\u00e7o de amor<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\">[23]<\/a>. No entanto, na cl\u00ednica contempor\u00e2nea nos deparamos com os efeitos subjetivos do falso discurso capitalista, que ignora, recha\u00e7a as coisas do amor, contribuindo para a deserotiza\u00e7\u00e3o do mundo, cujo valor cl\u00ednico toma a forma das paix\u00f5es tristes.<\/p>\n<p>Assim, o sujeito corre atr\u00e1s da incans\u00e1vel produ\u00e7\u00e3o de objetos em detrimento do objeto \u00edntimo, esse que chamamos, com Lacan, de objeto <em>a<\/em>. Tal como coloca Christiane Alberti, nossa civiliza\u00e7\u00e3o se caracteriza pelo fato de que o fazer e o ter prevalecem sobre a densidade do ser<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\">[24]<\/a>. \u201cO que acontece quando os objetos da realidade, do bem, prevalecem sobre a causa do desejo? Quando o sujeito permanece aprisionado aos seus gadgets, em uma satisfa\u00e7\u00e3o quase autista, marcado pelo \u00edndice da exterioridade, ele se v\u00ea despojado de uma parcela de interioridade<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[25]<\/a>. Essa interioridade constitu\u00edda pela palavra e que se deve ao eco no corpo do fato que h\u00e1 um dizer. Sem esse habitat interior da palavra, com a dimens\u00e3o er\u00f3tica que ela sup\u00f5e, muitos jovens e adolescentes v\u00eaem-se, por exemplo, sem poder se servir da imagina\u00e7\u00e3o, do despertar da fantasia. Ou melhor, eles parecem aliviados de n\u00e3o terem de produzir seus pr\u00f3prios devaneios, a\u00ed mesmo onde o objeto tecnol\u00f3gico os empanturra de sonhos j\u00e1 sonhados, feitos para todos, <em>pr\u00eat-\u00e0-porter<\/em>. O <em>Umwelt<\/em> tecnol\u00f3gico os coloca para dormir, protegidos do \u201ctoque do real\u201d<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[26]<\/a>, do eco da palavra e de seu efeito de afeto no corpo.<\/p>\n<p>Um recorte cl\u00ednico ensina algo sobre o papel inelud\u00edvel dessa parcela \u00edntima da palavra em seu encontro contingente com o corpo, sobre como, para cada um, foi \u201cinstilado um modo de falar\u201d, marca sobre a qual se funda a hip\u00f3tese er\u00f3tica do inconsciente.<\/p>\n<p>\u201cMe sinto muito crian\u00e7a\u201d. Assim se apresenta em an\u00e1lise um paciente que fala quase para n\u00e3o ser ouvido. O \u201cn\u00e3o poder falar\u201d constitui um tra\u00e7o infantil que perdura. Fala r\u00e1pido, um pouco sem vida, em um portugu\u00eas marcado por sua l\u00edngua materna.<\/p>\n<p>A analista faz um grande esfor\u00e7o a fim de segui-lo, mais atenta a isso que ressoa na palavra que ao significado. O paciente diz que n\u00e3o se sente escutado em nenhum lugar como quando faz sua an\u00e1lise. Quais s\u00e3o as possibilidades para erotizar um dizer?<\/p>\n<p>Servindo-se do \u201ctempo que faz falta\u201d, o paciente come\u00e7a a falar de sua \u201ccompuls\u00e3o\u201d pelo \u00e1lcool, pelas drogas e pela pornografia. Come\u00e7a a perguntar-se sobre como enla\u00e7ar amor, desejo e gozo; sobre como enfrentar a diminui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es sexuais com sua parceira, diante da alucinante exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pornografia e do fato de poder pagar pelo sexo. Assim, entre \u201ca voz que n\u00e3o sai, o ru\u00eddo e o sil\u00eancio\u201d, ele consegue extrair de seus ditos e de seus excessos alguma medida do que lhe \u00e9 insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>O que podemos extrair dessa cl\u00ednica de sujeitos entediados frente \u00e0 inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, que retrocedem na hora de assumir uma posi\u00e7\u00e3o a respeito do sexual, do corpo? Neste tempo, no qual as m\u00e1ximas de \u201cautoajuda\u201d \u2013 em seu car\u00e1ter universal \u2013 se multiplicam, poder\u00edamos falar de um recha\u00e7o do valor er\u00f3tico da l\u00edngua, sempre dita no singular?<\/p>\n<p>A pornografia est\u00e1 a servi\u00e7o desse estado de \u201cvacuidade sem\u00e2ntica\u201d, acompanhada pela banaliza\u00e7\u00e3o e o desencanto que, hoje, afetam os sujeitos. Em \u201cTelevis\u00e3o\u201d, Lacan afirma que a subjetividade moderna est\u00e1 capturada pelo t\u00e9dio, destacando que o que conduz a este afeto \u00e9 reduzir o Outro ao Um, ou confundi-los<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\">[27]<\/a> <a href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\">[28]<\/a>. A psican\u00e1lise luta contra a depress\u00e3o, o t\u00e9dio e at\u00e9 mesmo contra a morosidade, porque afirma ao sujeito que, no horizonte da subjetividade de seu tempo, sempre haver\u00e1 um furo no Outro<a href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\">[29]<\/a>.<\/p>\n<p>Entre as distintas manifesta\u00e7\u00f5es do excesso e as determina\u00e7\u00f5es que sempre falham em fazer consistir um <em>plus<\/em> de satisfa\u00e7\u00e3o duradouro, as paix\u00f5es tristes parecem se apresentar nos ditos dos pacientes como testemunhos de um saber que submerge especialmente na impot\u00eancia. De fato, Miller observa que \u201cquando o saber \u00e9 triste, ele \u00e9 impotente para colocar o significante em resson\u00e2ncia com o gozo, [de modo que] esse gozo permane\u00e7a exterior\u201d<a href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\">[30]<\/a>. Nesse sentido, uma an\u00e1lise pode se constituir como o espa\u00e7o em que cada um se perceba capaz de localizar o imposs\u00edvel onde, antes, s\u00f3 havia impot\u00eancia, em conson\u00e2ncia com uma \u00e9tica do bem-dizer \u2013 <em>gay s\u00e7avoir<\/em><a href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\">[31]<\/a> \u2013, que \u00e9 muito diferente do saber todo-poderoso, o qual \u201cconsiste em cercar, em fechar, no saber, aquilo que n\u00e3o se pode dizer\u201d<a href=\"#_edn32\" name=\"_ednref32\">[32]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Participantes: <em>Agust\u00edn Farr\u00e9 <\/em>(San Juan)<em>, Andr\u00e9s Amariles (Medell\u00edn), Bruna Albuquerque <\/em>(Belo Horizonte)<em>, Camila Ventura <\/em>(Rio de Janeiro)<em>, Dalia Virgil\u00ed <\/em>(Buenos Aires)<em>, Diego Cervelin <\/em>(Florian\u00f3polis)<em>, Edgar V\u00e1squez <\/em>(Ciudad de M\u00e9xico),<em> Florencia <\/em>Fern\u00e1ndez (Montevideo)<em>, Iara Su\u00e1rez <\/em>(La Plata)<em>, Iv\u00e1n Delgado <\/em>(Maracaibo)<em>, Marina Fragoso <\/em>(Jo\u00e3o Pessoa)<em>, Miguel De la Rosa <\/em>(Guayaquil)<em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Leitoras: <em>Gisela Smania <\/em>(EOL), <em>Heloisa Telles <\/em>(EBP), <em>Lorena Gre\u00f1as <\/em>(NEL)<em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Cf. Lacan, J. \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise\u201d (1953). <em>Escritos, <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 1998. p. 322.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> A mat\u00e9ria dos Observat\u00f3rios \u00e9 a mesma que a da experi\u00eancia anal\u00edtica: \u00e9 a hip\u00f3tese sustentada no texto de apresenta\u00e7\u00e3o da proposta. Ver: Otoni, F. A mat\u00e9ria do Observat\u00f3rio FAPOL. Texto apresentado em janeiro de 2025, dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/La-materia-del-observatorio-FAPOL.pdf\">La-materia-del-observatorio-FAPOL.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Freud, S. A hist\u00f3ria do movimento psicanal\u00edtico (1914). <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.<\/em> Rio de Janeiro: Imago, 1974, Vol. XIV, p. 32.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Laurent, \u00c9. La sexualidade infantil (2024). <em>Freudiana, n. 103 \u2013 El desorden de lo real. <\/em>Barcelona: ELP, Comunidad de Catalu\u00f1a, 2025, p. 23. Grifos nossos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> <em>Ibidem, <\/em>p. 26.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> <em>Ibidem, <\/em>p. 49-50.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Lacan, L. Televis\u00e3o (1974). <em>Outros escritos, <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 524-526.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Cottet, S. As refer\u00eancias freudianas sobre o corpo (2016). Texto de orienta\u00e7\u00e3o do X Congresso da AMP \u201cO corpo falante. O inconsciente no s\u00e9culo XXI\u201d. Rio de Janeiro, 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.association-mondiale-psychanalyse.org\/pt\/o-congresso\/o-corpo-falante\/\">www.association-mondiale-psychanalyse.org\/pt\/o-congresso\/o-corpo-falante\/<\/a>. Ver tamb\u00e9m: Miller, J-A. O inconsciente e o corpo falante (2016). Dispon\u00edvel no mesmo site.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Laurent, \u00c9. Existe um final de an\u00e1lise para as crian\u00e7as (1991). <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, <\/em>n. 10. S\u00e3o Paulo: Eolia, 1994, p. 24.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Lacan, J. Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a (1967). <em>Outros escritos<\/em>, <em>op. cit. <\/em>p. 367.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Laurent, 1991\/1994, <em>op. cit.<\/em>, p. 28.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Express\u00e3o usada por S. Freud em \u201cTr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade\u201d (1905). Cap. II \u2013 A sexualidade infantil \u2013 \u201cEsquecimento do fator infantil\u201d. <em>Obras completas, <\/em>Rio de Janeiro: Imago, 1966, v. VII, p. 180. Ver tamb\u00e9m o apartado V (Algumas discuss\u00f5es) no caso \u201cO Homem dos Lobos\u201d. Ed. Aut\u00eantica, <em>Hist\u00f3rias cl\u00ednicas. Obras incompletas de S. Freud, <\/em>p. 587.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Rabinovich, D. Nota Editorial. <em>Lacaniana<\/em> \u2013 Revista del Psicoan\u00e1lisis, n. 26. Buenos Aires: Grama, p.7.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> Cf. proposto por \u00c9ric Laurent a partir de Lacan (<em>Semin\u00e1rio 16<\/em>, Li\u00e7\u00e3o de 30\/04\/1969, p. 285): a crian\u00e7a como \u201cobjeto <em>a <\/em>liberado, produzido\u201d, uma vez que a fam\u00edlia \u201cn\u00e3o se assenta mais na met\u00e1fora paterna, [\u2026], e sim na maneira como a crian\u00e7a \u00e9 o objeto de gozo da m\u00e3e, da fam\u00edlia e, para al\u00e9m dela, da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. In: Laurent, \u00c9. As novas inscri\u00e7\u00f5es do sofrimento da crian\u00e7a.<em> A sociedade do sintoma \u2013 a psican\u00e1lise<\/em>,<em> hoje. <\/em>Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2007, p. 44-45.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> Cf. Laurent, 1991\/1994, <em>op. <\/em>cit, p. 32 e Lacan, 1967\/2003, <em>op. cit, <\/em>p. 367.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> Lacan, 1967\/2003, <em>op. cit.,<\/em>p. 361.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Laurent, 1991\/1994, <em>op. cit., <\/em>p. 32.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a> Bonnaud, H. L\u00b4infantile. In: <em>Ironik !<\/em>, n. 54, 14 mars 2023, publication en ligne (<a href=\"http:\/\/www.lacan-universite.fr\">www.lacan-universite.fr<\/a>), p. 3.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a> Cf. Laurent, \u00c9. A luta da psican\u00e1lise contra a depress\u00e3o e o t\u00e9dio. (1997) <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, <\/em>n. 21, S\u00e3o Paulo: Eolia, abril 1988, p. 90. Veja-se tamb\u00e9m Lacan, J. Televis\u00e3o (1974). In: <em>Outros escritos<\/em>, <em>op. cit.<\/em>, p. 528-533.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a> Cosenza, D. <em>Cl\u00ednica do excesso. Derivas pulsionais e solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas na psicopatologia contempor\u00e2nea.<\/em> Belo Horizonte: Scriptum, 2024, p. 72.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a> <em>Ibidem<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[23]<\/a> Miller, J.-A. Uma conversa sobre o amor (1988). In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online. Nova s\u00e9rie<\/em>, ano 1, n. 2, jul. 2010, p. 3. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_2\/Uma_conversa_sobre_o_amor.pdf&gt;. Acesso em: 24\/07\/2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[24]<\/a> Cf. Alberti, C. \u201cEl psicoan\u00e1lisis en direcci\u00f3n de la juventud hoy\u201d. Interven\u00e7\u00e3o no <em>XVI Congresso Internacional de Pesquisa e Pr\u00e1tica Profissional em Psicologia<\/em>, realizado na Faculdade de Psicologia, UBA, em Buenos Aires, em 27 de novembro de 2024. In\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[25]<\/a> <em>Ibidem<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[26]<\/a> Lacan, 1974\/2003, <em>op. cit.<\/em>, p. 526.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[27]<\/a> <em>Ibidem<\/em>, p. 528.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\">[28]<\/a> Laurent, 1997\/1998, <em>op. cit., <\/em>p. 90<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\">[29]<\/a> <em>Ibidem.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\">[30]<\/a> Miller, J.-A. A prop\u00f3sito de los afectos en la experiencia anal\u00edtica (1986). In: <em>Matemas II.<\/em> Buenos Aires: Manantial, 1988, p. 1962.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\">[31]<\/a> Lacan, J. Televis\u00e3o (1974). In: <em>Outros escritos<\/em>, <em>op. cit.<\/em>, p. 525. Nessa escrita, Lacan usa <em>gay <\/em>(\u201cfeliz\u201d, mas tamb\u00e9m aquilo que, do sexual, \u00e9 fora das normas) e <em>\u00e7a<\/em>, o <em>Isso<\/em>. Ou seja, uma rela\u00e7\u00e3o com o saber que implica o inconsciente, o desejo, o gozo, a surpresa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref32\" name=\"_edn32\">[32]<\/a> Miller, 1986\/1988<em>, op. cit.<\/em>, p. 162.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0SALA: O SEXUAL DO INFANTIL \u00a0A DESEROTIZA\u00c7\u00c3O DO MUNDO PAIX\u00d5ES TRISTES DE TODOS OS G\u00caNEROS \u00a0 \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o universal de escolha de objeto. Por isso sempre surge uma peculiaridade contingente quando algu\u00e9m toca a dimens\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es, e o Outro zomba desses pobres sujeitos, um a um, com suas condi\u00e7\u00f5es particulares de amor\u201d&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[106],"tags":[],"post_series":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6706"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6706"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6997,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6706\/revisions\/6997"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6706"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=6706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}