{"id":6715,"date":"2025-08-03T18:45:58","date_gmt":"2025-08-03T21:45:58","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/el-germen-pulsional-y-lalengua\/"},"modified":"2025-08-06T06:03:05","modified_gmt":"2025-08-06T09:03:05","slug":"o-germen-do-pulsional-e-a-lalengua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/o-germen-do-pulsional-e-a-lalengua\/","title":{"rendered":"O G\u00c9RMEN DO PULSIONAL E A <em>LALENGUA<\/em>"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">SALA: <em>LAL\u00cdNGUA<\/em> DESENCADEADA<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O G\u00c9RMEN DO PULSIONAL E A <em>LAL\u00cdNGUA<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cO que aconteceu na primeira inf\u00e2ncia? Nada, mas j\u00e1 havia o germe de um primeiro<\/em> <em>impulso sexual\u201d <\/em>(Freud, S. Carta de Freud a Fliess &#8211; 3 de janeiro de 1899. <em>A correspond\u00eancia completa de Freud para Fliess 1887-1904<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, 1986, p. 339).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatores<\/strong>: Graciela Gonz\u00e1lez Horowitz (EOL) e M\u00f4nica Hage (EBP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Participantes<\/strong>:\u00a0Anam\u00e1ris Pinto (Belo Horizonte), Clara Melo (Salvador), Federico Pozzer (Buenos Aires), Isabel Abreu (S\u00e3o Paulo), Karina Zapata (Santiago de Chile), Let\u00edcia Rosa (Campo Grande), Mar\u00eda Basile (Mendoza), Mariela Guti\u00e9rrez (Buenos Aires), Pilar Santoyo (Culiac\u00e1n), Robinzon Caicedo (Cali), Susana Schaer (La Paz), Valeria Vinocur (C\u00f3rdoba).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sacudidos pelo entusiasmo que essa proposta nos suscitou, decidimos pin\u00e7ar essa cita\u00e7\u00e3o, e assim uma conversa enriquecedora foi se precipitando em um trabalho de Escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte de energia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo do argumento que traz esta mesa como t\u00edtulo: a <em>lal\u00edngua<\/em> desencadeada, percebemos que Freud, em sua carta 101, nos d\u00e1 os elementos para ler ali, que n\u00e3o se trata do \u201cser\u201d da inf\u00e2ncia, nem do \u201cser que, por pouco mais, ia ser\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>. Trata-se do Um do gozo. Choque pulsional, nos termos de Freud, <em>acontecimento de corpo<\/em>, com Lacan. Esse \u201cantes\u201d, referente a esse <em>nada que h\u00e1<\/em> na primeira inf\u00e2ncia, habita um fora de hist\u00f3ria, um fora de tempo do inconsciente que, uma vez corporificado como sintoma, mant\u00e9m sua presen\u00e7a nas modula\u00e7\u00f5es e resson\u00e2ncias que decantam da <em>lal\u00edngua.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud aponta, com esse <em>nada <\/em>de sentido, o <em>g\u00e9rmen<\/em> em que ferve uma energia que se distribui no corpo sem lei, <em>ondas pulsionais<\/em> \u2014 que transbordam <em>o aparelho<\/em> \u2014 imposs\u00edveis de processadas at\u00e9 zero, fazendo lugar em um campo que designa um significante fora do Outro da linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que Freud nos guia ao <em>Ur<\/em>, \u00e0 <em>origem<\/em> e nos apresenta o <em>dromo<\/em>, a pista que nos leva a nos encontrar com o <em>trauma.<\/em> <em>Trauma enquanto f\u00f3rmula geral do acontecimento de corpo, <\/em>que deixa marcas de afeto.<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> Encontramos na carta um prel\u00fadio do conceito de <em>lal\u00edngua<\/em>, quando, em segundo lugar, Freud afirma ter apreendido <em>um novo elemento significativo pr\u00e9vio ao sintoma e anterior \u00e0 fantasia. <\/em>Apontando, assim, <em>esse real que n\u00e3o est\u00e1 enla\u00e7ado a nada.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\"><strong>[iii]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma desarmonia origin\u00e1ria quando o choque, o mau encontro com a puls\u00e3o acontece e sua sonoridade se faz escutar, introduzindo um gozo no corpo imposs\u00edvel de simbolizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recomendamos fortemente, nesse ponto, assistir ao v\u00eddeo da artista C\u00e9leste Boursier\u2011Mougenot <em>C\u2019\u00e9tait<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><strong>[iv]<\/strong><\/a><\/em>, que belamente com sua arte nos aproxima e nos permite apreender algo do conceito de <em>clinamen<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><strong>[v]<\/strong><\/a><\/em>, tomado por Lacan<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a> e Miller<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a> para se referir a um estado at\u00f4mico inicial, no qual <em>o vazio<\/em> \u00e9 perturbado por uma turbul\u00eancia. Impacto que produz um desvio imprevis\u00edvel, permitindo que esses choques deem <em>origem<\/em> \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de objetos e seres vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse conceito, tratando da origem e do fora de sentido, descreve o interesse que o pr\u00f3prio Freud destaca sobre a desordem que produz a irrup\u00e7\u00e3o da \u201c<em>Sexualentbindung\u201d<\/em>, ao aludir a uma libera\u00e7\u00e3o brusca de uma energia <em>desencadeada<\/em>. Lacan<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a> recolhe essa ideia ao dar fun\u00e7\u00e3o de g\u00e9rmen \u00e0 letra, acentuando a reprodu\u00e7\u00e3o do Um sozinho, que itera \u201csem rima e sem raz\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>, para dizer \u201cdo acidente contingente que se produz [\u2026] a incid\u00eancia da l\u00edngua sobre o ser falante\u201d<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Lacan escreve em nosso solo lacaniano o conceito de <em>lal\u00edngua<\/em>, seu barulho introduz o mal-entendido. Esse giro em seu ensino descola das forma\u00e7\u00f5es do Inconsciente a face Real do Significante, pois dir\u00e1 que a <em>lal\u00edngua<\/em> \u00e9 feita de elementos <em>Uns<\/em> que n\u00e3o se articulam, n\u00e3o pertencem \u00e0 ordem do sentido, enxames que zumbem perturbando o corpo. Desse enxame, se soltar\u00e1 Um privilegiado que encarnar\u00e1 esse <em>crash <\/em>singular para cada um, constituindo-se em acontecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, nos orienta a ler a cicatriz que da <em>lal\u00edngua<\/em> se precipita no encontro com o corpo, ferida imposs\u00edvel de negativar, trauma \u201corigin\u00e1rio\u201d que habilita a linguagem a uma elucubra\u00e7\u00e3o de saber sobre ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan toma o conceito de letra como materialidade, como tra\u00e7o. Nos diz que, se algo constitui o Um, \u00e9 o sentido de elemento, e assim refere-se ao Um, que n\u00e3o faz cadeia, que n\u00e3o se articula e conta-se como zero de sentido. Por qu\u00ea? Porque a letra \u00e9 a escrita do indiz\u00edvel, por o que <em>a fun\u00e7\u00e3o do escrito<\/em> n\u00e3o tem a ver com a sem\u00e2ntica, mas com o que se precipita da <em>lal\u00edngua<\/em> como ileg\u00edvel \u2014 saldo de gozo. Nas palavras de nossa querida Alejandra Eidelberg: a <em>letra<\/em>, essa que \u00e9 marca na terra e que n\u00f3s lemos no corpo como ind\u00edcio do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma l\u00f3gica do real<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Freud abre um sulco para preparar o caminho dos psicanalistas, que bebem dessa fonte, molhando suas peles para adub\u00e1-las no terreno da psican\u00e1lise lacaniana, nos parece relevante ir localizando o poss\u00edvel <em>uso<\/em> que se far\u00e1 daquilo que n\u00e3o se pode dizer e representa o gozo que inunda o vazio de sentido. Esse <em>nada<\/em> encarnado na onda pulsional que, como Freud ensina, est\u00e1 na origem e resta irredut\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a> toma Fregue para centrar-se no <em>conjunto vazio<\/em>, e tentar demonstrar \u201ca hi\u00e2ncia que h\u00e1 entre esse Um e algo que depende do ser e, al\u00e9m do ser, o gozo\u201d<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a>. Para exemplificar isso, vamos ressaltar tr\u00eas elementos que convergem em seu uso, percebendo que, em uma an\u00e1lise conclu\u00edda, ocorre uma transforma\u00e7\u00e3o do inconsciente<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a> e que se manifesta na qualidade de <em>letra<\/em>. Eles s\u00e3o: a fun\u00e7\u00e3o aparente f (x), aquela que conserva um lugar vazio a ser preenchido por x do argumento. Por outro lado, a import\u00e2ncia operat\u00f3ria do referente, aquilo que fica fora do sistema significante e sustenta a fun\u00e7\u00e3o e o conceito de sutura<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a> em rela\u00e7\u00e3o ao 0 e ao 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laurent dir\u00e1: \u201cO que vem garantir todas as verdades \u00e9 este ponto fora do sistema; [\u2026] o gozo\u201d<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a> E Lacan, em rela\u00e7\u00e3o ao significante e ao significado, dir\u00e1 que o referente \u00e9 o terceiro indispens\u00e1vel e que \u201co referente<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a> \u00e9 propriamente que o significado rateia, o colimador n\u00e3o funciona\u201d. No lugar do referente, como valor de verdade, h\u00e1 um furo<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ressaltamos isso partindo da carta freudiana 101, onde afirma que na origem n\u00e3o h\u00e1 nada, apenas um g\u00e9rmen de mo\u00e7\u00f5es pulsionais. O que <em>ex-siste, o real<\/em>, tem seu lugar pr\u00e9vio ao simb\u00f3lico e \u00e9 o que resta como materialidade, ap\u00f3s o assassinato da coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da cadeia Significante, em que \u201co colimador\u201d<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a> n\u00e3o funciona, evidencia-se o esfor\u00e7o do sujeito por obturar esse furo e do que resiste absolutamente ao simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">x [&#8211;|&#8211;|&#8211;|&#8211;|&#8211;|&#8211;|&#8211;|&#8211;] x<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O S<sub>1<\/sub> com o qual o sujeito se identifica, na sua articula\u00e7\u00e3o na cadeia significante com um S<sub>2<\/sub>, conserva \u201csuturado\u201d a presen\u00e7a de uma aus\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, o que <em>n\u00e3o h\u00e1<\/em>, na origem, no seu valor de <em>zero absoluto<\/em>, faz notar que <em>h\u00e1<\/em> o que n\u00e3o se liga com <em>nada<\/em>, causa da s\u00e9rie repetitiva. O <em>Um desencadeado<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar do g\u00e9rmen e do franqueamento do conjunto vazio, a partir do qual o Um se constitui, recolhemos a frase que, em conson\u00e2ncia com a cita\u00e7\u00e3o de Freud, nos diz: \u201cAquilo de que se trata, nesse Um repetido da primeira linha, \u00e9, muito propriamente a nada (<em>nade<\/em>), ou seja, a porta de entrada que \u00e9 designada pela falta, pelo lugar onde se cria um furo\u201d<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falar com a crian\u00e7a \u00e9 falar com o trauma<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o: O que nos ensina uma an\u00e1lise que toca o <em>clinamen<\/em> <em>do gozo<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, situaremos alguns fragmentos de testemunhos para observar as tor\u00e7\u00f5es entre <em>lal\u00edngua<\/em> e a linguagem <em>ao fazer falar a crian\u00e7a que h\u00e1 <\/em>em cada tratamento<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\"><em><strong>[xxi]<\/strong><\/em><\/a>, ao nos enredarmos com \u201c<em>isso<\/em>\u201d e <em>fazer falar o corpo pulsional<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\"><strong>[xxii]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silvia Nieto<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\"><strong>[xxiii]<\/strong><\/a> nomeia sua marca singular \u201c<em>a chichi amorosa<\/em>\u201d, como uma maneira de chamar a excita\u00e7\u00e3o que habita seu corpo e o transborda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Pepita<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\"><strong>[xxiv]<\/strong><\/a>, podemos dizer que na frase \u201c<em>sua vida<\/em>\u201d nos mostra o caminho de uma redu\u00e7\u00e3o da economia de gozo que vai desde \u201c<em>a pena<\/em>\u201d, do mortificante do significante ao vivificante da <em>letra<\/em>. <em>A pena que voa<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cProduz um estado que nunca surge espontaneamente [\u2026] e que esse estado recentemente criado constitui a diferen\u00e7a essencial entre uma pessoa que foi analisada e outra que n\u00e3o foi\u201d<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[xxv]<\/a><\/p>\n<p>M. H. Blancard<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[xxvi]<\/a>, em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo sonho no final da an\u00e1lise, comenta sobre o esvaziamento do gozo: \u201c<em>N\u00e3o basta tomar OMO (\u00e0 palavra), \u00e9 preciso capturar o gozo na letra [\u2026] os dois \u201cO\u201d se barram, escrita do conjunto vazio, enquanto o \u201cM\u201d se transforma em pun\u00e7\u00e3o que articula o vazio do sujeito com o nada do objeto.<\/em>\u201d Aponta com seu testemunho a letra que vai ao lugar do vazio do inomin\u00e1vel e, de algum modo, o nomeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, os AE testemunham do furo real. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um\u201d que tenha nomeado o g\u00e9rmen, e sim a materialidade da letra vazia de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O g\u00e9rmen est\u00e1 perdido para o sentido. H\u00e1 um vazio de nome do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>letra<\/em> \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o e \u00e9 a possibilidade que a linguagem nos d\u00e1 para indicar o real da <em>lal\u00edngua<\/em>, o incur\u00e1vel. Aquilo que ronrona e est\u00e1 na porta de entrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere \u00e0s an\u00e1lises, nos ocupa ent\u00e3o um saber-fazer com aqueles impulsos resistentes que ainda nos perguntamos de onde emergem, aos quais Freud chamou de <em>h\u00f3spedes for\u00e7osos oriundos de um mundo estranho<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\"><strong>[xxvii]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isto, para concluir, n\u00e3o deixamos de interrogar o que Marcus<a href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\">[xxviii]<\/a> trouxe ao dizer que cada um vive a l\u00edngua a partir da <em>lal\u00edngua<\/em>, e que <em>lal\u00edngua<\/em> s\u00f3 existe porque tem a l\u00edngua. \u00c9 poss\u00edvel fazer disso uma analogia com a carta 46<a href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\">[xxix]<\/a>, onde Freud nos diz que o excedente sexual por si s\u00f3 n\u00e3o pode criar recalque, pois necessita da coopera\u00e7\u00e3o da defesa, afirmando, por sua vez, que, sem excedente sexual, a defesa n\u00e3o opera?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse cruzamento entre <em>lal\u00edngua<\/em> e o excedente sexual encontramos o n\u00facleo traum\u00e1tico que desperta nosso interesse. Ser\u00e1 que, pelo <em>mist\u00e9rio do corpo falante<\/em> que nos atravessa, seguimos perguntando ao t\u00e3o analisado caso Emma: \u00e9 o excedente sexual o trauma, ou \u00e9 a partir da atribui\u00e7\u00e3o de um sentido? \u00c9 igual ter 12 anos ou estar em um momento da vida anterior \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ligar o trauma \u00e0 sincronia<a href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\">[xxx]<\/a> nos aproxima de uma resposta. Como nos ensina, com seu testemunho, Carolina Koretzky: \u201cNenhuma palavra, nenhuma imagem poder\u00e1 restaurar o momento preciso e exato em que as palavras encontraram corpo\u201d<a href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\">[xxxi]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso\u201d surge em qualquer momento da vida, no instante em que se casam o excedente e o sentido, colocando em tens\u00e3o a tor\u00e7\u00e3o furo-excesso, para dizer o que n\u00e3o se encaixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Revis\u00e3o: Cynthia Gon\u00e7alves Gindro<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Lacan, J<em>. O Semin\u00e1rio, livro 20: mais ainda.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 55.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Miller, J-A<em>. Biologia lacaniana e acontecimento de corpo<\/em>, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana. Revista Brasileira de Psican\u00e1lise. S\u00e3o Pauolo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia. Dezembro de 2004, n. 41,\u00a0 p. 53.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Miller, J-A. <em>Piezas sueltas<\/em>. Paid\u00f3s, Bs As, 2013, p. 50.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Clinamen &#8211; Installation de C\u00e9leste Boursier-Mougenot C&#8217;\u00e9tait\u00a0&#8211;\u00a0janvier 2018 \u00e0 la biennale d&#8217;art contemporain de Lyon. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Mn319FI6EFI\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Mn319FI6EFI<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> <em>Clin\u00e2men,<\/em> termo da filosofia dos est\u00f3icos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Lacan, J<em>. O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988, p. 64.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Miller, J-A<em>. Ler um sintoma<\/em>. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana. Revista Brasileira de Psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia. Junho de 2015. n. 70, p.21.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Lacan, J<em>. O Semin\u00e1rio, livro 20: mais ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 118.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Miller, J-A. <em>El ser y el Uno<\/em>, 2011, 4\/5\/2011. In\u00e9dito. Tradu\u00e7\u00e3o Nossa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> Miller, J-A., <em>Biologia lacaniana e acontecimento de corpo<\/em>, \u00f3p. cit., p. 53.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 19:&#8230;ou pior<\/em>. Rio de janeiro: Zahar, 2012, p. 56.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> Lacan, J<em>. O Semin\u00e1rio, livro 20: mais ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 14.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> Tarrab, M., Las<em> Huellas del s\u00edntoma<\/em>, Gramma, Bs As, 2005, p. 117.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> Miller, J-A. <em>Matemas II<\/em>, Bs As, Manantial, 1988.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> Laurent, E., <em>Paradojas de la identificaci\u00f3n<\/em>, Bs As, Paid\u00f3s, 1999, p. 62. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20: mais ainda.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p.31.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a> Miller, J- A., <em>La psicosis en el texto de Lacan, La psicosis en el texto<\/em>, Manantial, Bs As, 1990.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> O objetivo da colima\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer que o eixo \u00f3ptico de cada lente ou espelho coincida com o raio central do sistema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a> Lacan, J<em>. O Semin\u00e1rio, livro 19:\u2026ou pior.<\/em> Rio de janeiro: Zahar, 2012, p. 141.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a> Santiago, J. 2025, Fic\u00e7\u00e3o e canto da fala e da linguagem. Conversa\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria para o XII ENAPOL. Belo Horizonte. 31 de maio de 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a> Otoni, F., <em>Falar com a crian\u00e7a!<\/em> Argumento do XII ENAPOL. 3 de fevereiro de 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/enapol.com\/xii\/argumento\/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[xxii]<\/a> Kuperwajs, I., <em>Aprender a falar com isso<\/em>. Textos Preparat\u00f3rios para o XII ENAPOL. 24 de Marzo 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/enapol.com\/xii\/aprender-a-falar-com-isso1\/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[xxiii]<\/a> Nieto, S., <em>A mi aire, Revista ELP 34<\/em>, 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[xxiv]<\/a> Fuentes, M. J., <em>Una pena, <\/em>Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, n. 25, 2018, p. 93.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[xxv]<\/a> Freud, S. <em>An\u00e1lise termin\u00e1vel e intermin\u00e1vel<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o <em>Standard<\/em> Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas, vol. XXIII. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1975, p. 259.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[xxvi]<\/a> Blancard, M.H., <em>\u201cTomar el goce a la letra\u201d<\/em>, Revista Freudiana, n. 67, 2012. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[xxvii]<\/a> Freud, S., <em>Conferencia 18<\/em>, Obras completas, t. XVI, Amorrortu, Bs As, 2009, p. 254.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\">[xxviii]<\/a> Vieira, M. A. 2025, <em>Fic\u00e7\u00e3o e canto da fala e da linguagem<\/em>. Conversa\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria para o XII ENAPOL. Belo Horizonte. 31 de maio de 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\">[xxix]<\/a> Freud, S. <em>Carta 46<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas, vol I. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1977, p. 312.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\">[xxx]<\/a> Miller, J.A.,<em> Causa y consentimiento,<\/em> Paid\u00f3s, Bs As, 2019, p.138.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\">[xxxi]<\/a> Koretzky, C, Atividade: <em>Rendez-vous avec la passe<\/em>, 2024. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALA: LAL\u00cdNGUA DESENCADEADA O G\u00c9RMEN DO PULSIONAL E A LAL\u00cdNGUA \u00a0 \u201cO que aconteceu na primeira inf\u00e2ncia? Nada, mas j\u00e1 havia o germe de um primeiro impulso sexual\u201d (Freud, S. Carta de Freud a Fliess &#8211; 3 de janeiro de 1899. A correspond\u00eancia completa de Freud para Fliess 1887-1904. 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