{"id":6732,"date":"2025-08-03T19:05:46","date_gmt":"2025-08-03T22:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/el-goce-y-la-alegria\/"},"modified":"2025-08-04T07:45:17","modified_gmt":"2025-08-04T10:45:17","slug":"o-gozo-e-a-alegria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/o-gozo-e-a-alegria\/","title":{"rendered":"O GOZO E A ALEGRIA"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">SALA: O \u201cTALVEZ\u201d DA CRIAN\u00c7A E SUA LOUCURA<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O GOZO E A ALEGRIA<\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cFreud sentiu que era seu dever reintroduzir nossa medida na \u00e9tica atrav\u00e9s do gozo. E<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>acaso n\u00e3o \u00e9 tentar agir com voc\u00eas [nesse sentido] (&#8230;) deixando-os com esta pergunta:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Que alegria encontramos nos naquilo que constitui nosso trabalho?\u201d<\/em> (Lacan, J.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201cAlocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da inf\u00e2ncia\u201d. <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">2003, p. 367).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatores<\/strong>: Li\u00e8ge Goulart (EBP) e Francisco Pisani (NEL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Participantes:<\/strong> Ana Sanders (Belo Horizonte), Christian La Torre (Cochabamba), Cynthia Barreiro Aguirre (Buenos Aires), Diana Ortiz (Ciudad de Mexico), Francisca Menta (Rio de Janeiro), Gabriel George (La Habana), Gisela Calderon (Buenos Aires), Irene Rosero (Cali), Luciana Silva Pedron (Bras\u00edlia), Nanci Nakamura (Salvador), Natalia Kalejman (Buenos Aires), Pablo Olivero (Buenos Aires).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que estranha alegria!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomamos a cita\u00e7\u00e3o (1) e a dissecamos. Ela nos interpelou e, mais ainda: fez surgir um desejo habitado por um trabalho alegre. Nos interessou o entusiasmo, a \u00e9tica e o desejo do analista, mas tamb\u00e9m uma frase de Lacan sobre n\u00e3o ter com quem compartilhar suas alegrias (2). Isso sugere que a alegria n\u00e3o \u00e9 para um s\u00f3, mas requer ser transmitida. Um fazer passar isso a outros, talvez possa se ligar \u00e0 transfer\u00eancia de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201c<em>alegria<\/em>\u201d vem do latim e significa <em>v\u00edvido<\/em>, <em>animado<\/em>, <em>leve, \u00e1gil<\/em> ou <em>vigoroso<\/em> (3). Tem conota\u00e7\u00f5es de movimento, energia e entusiasmo. Que alegria nos habita nesse trabalho que nos confronta com o gozo, a dor, o fora de sentido? Talvez seja a alegria de saber fazer, contingencialmente e a cada vez, com o incur\u00e1vel e transmitir, mesmo em sil\u00eancio, a marca do desejo do analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marie H. Brousse tamb\u00e9m nos aproxima ao \u201cvivaz\u201d e \u201canimado\u201d quando considera que a alegria que sacamos de nosso trabalho \u00e9 \u201ca alegria da improvisa\u00e7\u00e3o\u201d (4). Argumenta que a experi\u00eancia anal\u00edtica enquanto pr\u00e1tica tem uma rela\u00e7\u00e3o com o m\u00faltiplo e, dessa maneira, combate a in\u00e9rcia, a repeti\u00e7\u00e3o e a rigidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, h\u00e1 alegria em ocupar o lugar do analista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pergunta \u00e9 uma interpela\u00e7\u00e3o \u00e9tica: desde que lugar opera o analista? O que busca nesse trabalho com o incur\u00e1vel, com o excesso e com a transmiss\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 apenas uma pr\u00e1tica cl\u00ednica, mas \u201ca dimens\u00e3o mesma da experi\u00eancia \u00e9 \u00e9tica\u201d (5), na medida que confronta o sujeito com o real do gozo e com o extravio que se encontra em rela\u00e7\u00e3o a ele. Para isso, Miller aponta que tal experi\u00eancia envolve uma escolha, pois \u201cbuscar a verdade do pr\u00f3prio gozo perturba, indubitavelmente, o bem-estar.\u201d (6)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan sustenta que a \u00e9tica tradicional se vincula ao Ideal ou ao irreal, assinalando que o pr\u00f3prio da psican\u00e1lise \u00e9 um caminho inverso, que aprofunda a no\u00e7\u00e3o do real (7), conformando uma \u00e9tica que nada tem a ver com a moral. O car\u00e1ter supereg\u00f3ico da cultura ganha, como seu reverso, um tratamento a partir de uma \u00e9tica, a da psican\u00e1lise. Lacan a revitaliza por consider\u00e1-la essencial para compreender nossa experi\u00eancia e anim\u00e1-la a partir dessa \u00e9tica (8). No campo da cultura e suas exig\u00eancias, prevalecem certos sacrif\u00edcios que geram sofrimento, ligados a ideais culturais que n\u00e3o se emancipam da ideia de amor universal: \u201cama teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d, m\u00e1xima que gera hostilidade e \u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura lacaniana foi a de enla\u00e7ar isso mesmo como um \u201cmandamento\u201d articulado \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o que exige resolver um problema \u00e9tico, a saber, que o gozo permanece interdito como antes de se soubesse que Deus est\u00e1 morto. Um problema do mal que foi eludido pelos moralistas tradicionais, mas n\u00e3o por aquele que formulou um <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer,<\/em> afirmando: o gozo \u00e9 um mal. Por qu\u00ea? \u00c9 um mal na medida em que implica o mal do pr\u00f3ximo. \u201c\u00c9 isso que se anunciava, se averiguava, se expunha \u00e0 medida que a experi\u00eancia anal\u00edtica avan\u00e7ava. Isso tem um nome \u2013 \u00e9 o que se chama de para al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer\u201d (9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan se libera da problem\u00e1tica do bem, separando-a do que implica a experi\u00eancia psicanal\u00edtica. Porque, se retomamos a Kant, o bem s\u00f3 pode engendrar um excesso real (gozo) cuja consequ\u00eancia fatal \u00e9 a trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E diz algo mais sobre o que nos orienta em \u201cnosso trabalho\u201d: \u201cquanto mais somos santos, mais rimos\u201d (10). O bem-dizer \u00e9 \u00e9tico e o mal-dito, dir\u00e1 ele, aponta para o pior. O bem-dizer n\u00e3o diz onde est\u00e1 o bem e o afasta de uma quest\u00e3o moral e hedonista. \u00c9 preciso bem-dizer o que falha para cada um na estrutura (11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o bem-dizer n\u00e3o ignora o que aparece como imposs\u00edvel, Lacan, em\u00a0<em>Alocu\u00e7\u00e3o<\/em>, se questionava se estamos \u00e0 altura daquilo que parece que somos, pela subvers\u00e3o freudiana, chamados a sustentar isso que se chama ser-para-o-sexo, ou seja, o <em>n\u00e3o h\u00e1<\/em>. E continua: n\u00e3o somos suficientemente valentes para sustentar essa posi\u00e7\u00e3o, nem suficientemente alegres (12). A alegria lacaniana se perfila assim com a castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de n\u00e3o operar apenas com a paix\u00e3o da linguagem, com palavras belas ou com aquilo que caia na fic\u00e7\u00e3o sem compreender nada da estrutura em que ela se realiza (13). N\u00e3o seria acaso porque operamos sobre o fundo do real, do imposs\u00edvel, do que h\u00e1 e do que n\u00e3o h\u00e1? O corte, o sil\u00eancio ou um ato do analista podem fazer aparecer o gozo de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller situa que o \u00faltimo ensino de Lacan \u00e9 mais realista ao n\u00e3o tomar como refer\u00eancia a linguagem sen\u00e3o a lal\u00edngua \u2013 que concebe como uma secre\u00e7\u00e3o de um certo corpo \u2013 e ao ocupar-se menos dos efeitos de sentido do que desses efeitos que s\u00e3o afetos, irredut\u00edveis ao sentido (14). O corpo est\u00e1 marcado pelos acontecimentos de gozo, pelos traumas dessa\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>. Isso faz ressoar o que \u00e9 de outra materialidade, lal\u00edngua, que faz sua apari\u00e7\u00e3o em peda\u00e7os por meio da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller (15) dir\u00e1 que, cada vez que o saber (mito) se decomp\u00f5e, e o significante falta ali onde era esperado, h\u00e1 um efeito sujeito (dividido pelo seu gozo), e isso \u00e9 o que se deve considerar na orienta\u00e7\u00e3o do que constitui a experi\u00eancia anal\u00edtica, por verificar o sujeito como uma descontinuidade no real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>Alocu\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(16), Lacan faz um chamado a n\u00e3o eludir aquilo que mortifica por habitar o corpo da crian\u00e7a. O que uma an\u00e1lise ensina n\u00e3o \u00e9 tanto o que uma crian\u00e7a foi, mas o que ainda persiste como resto do infantil no gozo. A pergunta pela inf\u00e2ncia, na cl\u00ednica, surge assim n\u00e3o como arqueol\u00f3gica, mas como uma atualidade do gozo. \u00c9 uma via para localizar o real com o qual o sujeito trope\u00e7a hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo do analista, ent\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m o desejo de dar lugar \u00e0quilo que n\u00e3o foi representado e que retorna na repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, qual seria a alegria de nosso trabalho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode tratar-se de uma alegria que n\u00e3o desconhece a castra\u00e7\u00e3o, nem a \u00e9tica do bem-dizer, nem os princ\u00edpios psicanal\u00edticos. Uma alegria que pode ser sustentada por aqueles cujo trabalho os leva por onde n\u00e3o h\u00e1 um fio, onde h\u00e1 falhas e imposs\u00edveis. Justamente porque se pode sustentar o lugar da causa, como o santo seco de gozo, para ler onde o vivo se captura. Um saber no real tamb\u00e9m foi traduzido como \u201cter circunscrito a causa do pr\u00f3prio horror de saber\u201d: um analista \u00e9 portador dessa marca que n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a de sua pr\u00f3pria singularidade, aquele que n\u00e3o desconhece o vivo, presente no dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais contundente, Lacan o disse com a no\u00e7\u00e3o do santo, em\u00a0<em>Televis\u00e3o<\/em>: \u00e9 aquele que n\u00e3o faz caridade \u2014 mais ainda, \u201cpresta-se a bancar o dejeto: descaridade\u201d, dizia (17). Se o santo goza, j\u00e1 n\u00e3o opera&#8230; j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja crian\u00e7a ou adulto, o registro das satisfa\u00e7\u00f5es \u00e9 o mesmo, portanto, n\u00e3o h\u00e1 gente grande. N\u00e3o esque\u00e7amos que a descoberta freudiana foi precisamente que a crian\u00e7a \u00e9 um perverso polimorfo atravessado por puls\u00f5es parciais, ou seja, goza. E para um analista, o trabalho \u00e9 ler essa trama de fixa\u00e7\u00f5es. Tudo isso se torna acess\u00edvel a partir do que se l\u00ea sob transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Privilegiar a marca que se inscreve no corpo, feita de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>, pode abrir a via pela qual o sujeito possa advir como sujeito do inconsciente. Lembremos que o operador l\u00f3gico no discurso do analista \u00e9 o objeto a, no lugar do agente. Lacan acrescenta: \u201cquando se ver\u00e1 que o que prefiro \u00e9 um discurso sem palavras?\u201d (18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as a certas rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis, incluindo a do objeto <em>a<\/em>, \u00e9 poss\u00edvel ler algo que se inscreveu de forma mais ampla, muito al\u00e9m dos enunciados. E a enuncia\u00e7\u00e3o \u00e9 um enigma na medida em que se p\u00f5e em jogo o sujeito que fala na crian\u00e7a. Portanto, fazer a crian\u00e7a falar, para escutar o sujeito da enuncia\u00e7\u00e3o, envolve um desejo decidido por parte do analista de fazer falar essas marcas vivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde quer que se instale o discurso anal\u00edtico, encontraremos a crian\u00e7a como seu agente, quando de repente, ao se dar conta de sua presen\u00e7a (esvaziada enquanto ess\u00eancia), surge o objeto em sua ex-sist\u00eancia como causa inspiradora, ali onde nada h\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria de nosso trabalho, podemos pens\u00e1-la como marcada pela arte de produzir uma necessidade de discurso, \u00e9 fazer avan\u00e7ar o sujeito por sua estrutura para alcan\u00e7ar a virtude que n\u00e3o absolve do pecado original, mas que leva \u00e0\u00a0<em>gaia ci\u00eancia<\/em>\u00a0[<em>gay s\u00e7avoir<\/em>]. A virtude de n\u00e3o compreender, a do bem-dizer sobre aquilo que causa horror ao saber e pode tingir a felicidade comum. Para qu\u00ea? Para faz\u00ea-lo passar pelo bom furo do que a cada um se oferece como singular. Como se l\u00ea em\u00a0<em>Extimidade<\/em>\u00a0(19), n\u00e3o dizemos que o Outro \u00e9 alegre, porque o Outro n\u00e3o existe, e \u201cn\u00f3s\u201d em \u201cnosso trabalho\u201d podemos s\u00ea-lo, com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o dizer que descobrimos um saber, porque n\u00e3o h\u00e1 nada a descobrir, mas sim se constr\u00f3i e se inventa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso localizar, em cada um, esse gozo n\u00e3o-todo que pode apontar para uma \u00e9tica do singular, que se encontra no n\u00facleo do sintoma e que, n\u00e3o segregado, mas lido de outro modo, permite um bem-dizer que inclua o fora de sentido e o fora do campo comum do universal. Uma orienta\u00e7\u00e3o ao real implica essa vertente do inconsciente como real, onde o analista pode encarnar um suposto saber do gozo, desse resto que n\u00e3o faz hist\u00f3ria ou que n\u00e3o \u00e9 hist\u00f3ria. Mas que, por n\u00e3o fazer comunidade, pode fazer la\u00e7o quando, no discurso do analista, permite fazer-se suporte da letra como agente desse discurso que produz efeitos que ressoam no corpo e no programa de gozo de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, faz-se necess\u00e1ria uma manobra que permita pescar o lugar de onde isso goza. Para isso, o analista orienta seu ato com uma dose de ousadia, essa coragem que se requer para cortar a infinitude do dito \u2013 que tende a deslizar como uma reta sem fim \u2013 e, ent\u00e3o, que decante um dizer. Esta opera\u00e7\u00e3o sup\u00f5e uma leitura pr\u00e9via do que se escreve no corpo, ali onde pode se inscrever um gozo que equivoca a escritura.\u00a0 Lacan assinala que n\u00e3o se trata de jogar com os equ\u00edvocos, sen\u00e3o de desmistific\u00e1-los (20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O real converte o corpo em uma caixa de resson\u00e2ncia, uma vibra\u00e7\u00e3o em sintonia com\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>. O que importa aqui \u00e9 intervir nesse gozo e faz\u00ea-lo emergir, dar corpo \u00e0quilo que se situa como fora do sentido, como um perturbador peda\u00e7o do real: uma modula\u00e7\u00e3o que equivoca um significante que toca e afeta\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inventar recursos para encarnar a \u201cabje\u00e7\u00e3o\u201d do Um do gozo \u00e9 um instrumento \u00e9tico que pode propiciar uma tor\u00e7\u00e3o. Essa topologia deve se manter durante todo o percurso anal\u00edtico, e n\u00e3o apenas no final, quando o inferno de um gozo alcan\u00e7a uma tor\u00e7\u00e3o no ponto da causa do desejo e da causa do dizer, como pot\u00eancia de contra\u00e7\u00e3o e hi\u00e2ncia entre sentido e gozo, entre enunciado e enuncia\u00e7\u00e3o, entre o dito e o dizer, entre a palavra e a vocifera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laurent Dupont, em seu testemunho de passe, diz que, ao final da an\u00e1lise, o que restou fora de sentido, por meio da letra, foi a resson\u00e2ncia de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>, que p\u00f4de produzir um efeito de riso. Esse efeito do real, como furo no sentido, diferente do gozo f\u00e1lico articulado \u00e0 frase que condensa o \u201centusiasmo\u201d do fantasma, produz um gozo n\u00e3o-todo: \u201cPosso estar s\u00f3 no caminho e rir \u00e0 beira do vazio\u201d (21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria, no entusiasmo lacaniano, \u00e9 aquela que acompanha a ideia do objeto<em> a<\/em> como causa do desejo e letra de gozo. E por isso, como o santo, rir! Rir com outros!<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">(1)Lacan J., Outros Escritos, Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a [1967] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p 367<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">(2)Lacan J., Outros Escritos, Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a [1967] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p 361<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">(3) G\u00f3mez de Silva, Guido. Breve dicion\u00e1rio de la lengua espanhola (1998). M\u00e9xico: FCE, Colmex. p. 45<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(4) Brousse, Marie-He\u0301le\u0300ne. (2013). \u201cEldeseodelanalista\u201d En, <em>Freudiana 68<\/em>, Revista Psicoanal\u00edtica en Barcelona Bajo Los Auspicios de La ELP. p. 82.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(5) Miller, J-A. (2018). La \u00e9tica del psicoan\u00e1lisis. En Del s\u00edntoma al fantasma. Y retorno. Paid\u00f3s, Buenos Aires, p.144<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(6) Miller, J-A. (1988). Lacan cl\u00ednico. Matema II. Ediciones Manantial. Buenos Aires, p.132 (livre tradu\u00e7\u00e3o),<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(7) Lacan, J., Semin\u00e1rio livro 7, A \u00e9tica da psican\u00e1lise, [1959-1960] (2008), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p. 23<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(8) Lacan, J., Semin\u00e1rio livro 7, A \u00e9tica da psican\u00e1lise, [1959-1960] (2008), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p. 51.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(9) Lacan, J. Semin\u00e1rio livro 7, A \u00e9tica da psican\u00e1lise, [1959-1960] (2008), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p. 221<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(10) Lacan J., Outros Escritos, Televis\u00e3o, [1973] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p.519<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(11)\u00a0 Lacan J., Outros Escritos, Televis\u00e3o, [1973] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p. 524<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(12) Lacan J., Outros Escritos, Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a [1967] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p.362-363<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(13) Lacan J., Outros Escritos, Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a [1967] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p<em>. <\/em>364<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(14) Miller J.-A., Piezas Sueltas. Ciudad de Buenos Aires, Paid\u00f3s (2013). p.71<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(15) Miller J.-A., Respuestas de lo real, El sujeto, respuesta de lo real. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques Alain Miller, [1983] (2024), Paid\u00f3s, Buenos Aires. p 29-30<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(16) Lacan J., Outros Escritos, Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a [1967] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p.366<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(17) Lacan J., Outros Escritos, Televis\u00e3o, [1973] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p.518<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(18) Lacan J., Outros Escritos, Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a [1967] (2003), Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.p<em>. <\/em>p.368<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(19) Miller J.-A., Extimidad, La consistencia l\u00f3gica de <em>a<\/em>, Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques Alain Miller, [1986] (2011), Paid\u00f3s, Buenos Aires. p 466-468<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(20) LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 23: <em>O sinthoma<\/em>. (1975-1976) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. p. 133.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">(21) Dupont, Laurent. In: <a href=\"https:\/\/shs.cairn.info\/revue-la-cause-du-desir-2016-2-page-85?lang=fr\">https:\/\/shs.cairn.info\/revue-la-cause-du-desir-2016-2-page-85?lang=fr<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALA: O \u201cTALVEZ\u201d DA CRIAN\u00c7A E SUA LOUCURA O GOZO E A ALEGRIA \u00a0 \u201cFreud sentiu que era seu dever reintroduzir nossa medida na \u00e9tica atrav\u00e9s do gozo. 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