{"id":6738,"date":"2025-08-03T19:10:11","date_gmt":"2025-08-03T22:10:11","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/el-cuerpo-y-el-mal-entendido\/"},"modified":"2025-08-04T07:45:05","modified_gmt":"2025-08-04T10:45:05","slug":"o-corpo-e-o-mal-entendido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/o-corpo-e-o-mal-entendido\/","title":{"rendered":"O CORPO E O MAL-ENTENDIDO"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">SALA: FILHOS DO MAL-ENTENDIDO<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>O CORPO E O MAL-ENTENDIDO<\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cJ\u00e1 que me interrogam sobre o que se chama de estatuto do corpo, sublinho que ele s\u00f3<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>se aprende a partir disso: o corpo s\u00f3 aparece no real como mal-entendido\u201d (Lacan, J. O<\/em> <em>mal-entendido.<\/em><em>\u201d<\/em> <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n.72. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, 2016, p. 10-11)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatores: <\/strong>Leticia Acevedo (EOL) \u2013 T\u00e2nia Martins (EBP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Participantes: <\/strong>Agust\u00edn Barandiar\u00e1n (La Plata), Anderson Barbosa (Jo\u00e3o Pessoa), Anna Luiza Almeida (Rio de Janeiro), Evelina San Mart\u00edn (Chaco), Jimena Rivas (Lima), Jovita Lima (S\u00e3o Paulo), Luciana Bordas (San Juan), Luis Diego Baudoin (La Paz), Marcela Baccarini (Belo Horizonte), Mar\u00eda Luj\u00e1n D\u00b4addona (Buenos Aires), Martha Idrovo (Santiago de Chile), Sandra Rebell\u00f3n (Cali).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I<\/strong><strong>ntrodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito das Conversa\u00e7\u00f5es Federativas fomos convidados a trabalhar a cita\u00e7\u00e3o acima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dialogamos com quatro refer\u00eancias, escolhidas por seu potencial de tensionar e enriquecer os conceitos implicados. Nos organizamos em quatro subgrupos de tr\u00eas integrantes, cada um dos quais se encarregou de um dos temas. Essa din\u00e2mica nos permitiu sustentar uma abordagem coletiva sem perder a singularidade de cada leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A linhagem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan alude, em diferentes momentos de seu ensino, \u00e0 import\u00e2ncia da linhagem na constitui\u00e7\u00e3o subjetiva. Do que se trata fundamentalmente \u00e9 da transmiss\u00e3o. No Semin\u00e1rio 5(1958) faz refer\u00eancia ao \u201cescolher do sujeito\u201d entre aspas, j\u00e1 que \u201c&#8230;n\u00e3o \u00e9 ele quem manipula as cordinhas do simb\u00f3lico (\u2026) a frase j\u00e1 foi come\u00e7ada, antes dele, por seus pais\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <em>Nota sobre a crian\u00e7a<\/em> (1969) \u201c\u2026, destaca a irredutibilidade de uma transmiss\u00e3o\u2026 que \u00e9 a de uma constitui\u00e7\u00e3o subjetiva implicando a rela\u00e7\u00e3o com um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo.\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Semin\u00e1rio 17, acrescenta que cada um deve se reconhecer no objeto (causa de desejo ou dejeto), aborto daquilo que foi para aqueles que o engendraram. Na \u201cConfer\u00eancia de Genebra\u201d (1975), ressalta a import\u00e2ncia do desejo, as consequ\u00eancias de sua aus\u00eancia, e introduz as marcas no sujeito das palavras em torno desse desejo. Cinco anos depois, o \u201ccorpo como fruto da linhagem j\u00e1 nadava no mal-entendido tanto quanto podia\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse percurso \u00e9 interessante j\u00e1 que nos introduz ao conceito de <em>lal\u00edngua,<\/em> Lacan diz: \u201cA linguagem, sem d\u00favida, \u00e9 feita de lal\u00edngua. \u00c9 uma elucubra\u00e7\u00e3o de saber sobre lal\u00edngua.\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o falasser est\u00e1 banhado de significantes marcados pelo equ\u00edvoco pr\u00f3prio da entrada na linguagem, pela inadequa\u00e7\u00e3o entre fala e gozo. Lal\u00edngua \u00e9 o resultado desta inadequa\u00e7\u00e3o em cada falasser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>, Miller prop\u00f5e que o corpo, recortado pelo significante, torna-se superf\u00edcie de inscri\u00e7\u00e3o\u00a0 do Outro. Lal\u00edngua, transmitida em primeiro lugar pela m\u00e3e, como um enxame de S1 sem ordem, deixa marcas de gozo que o sujeito tenta recobrir com o fantasma e os discursos dispon\u00edveis. Por\u00e9m, sempre fica um resto opaco, um gozo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, e cujo retorno se manifesta como um acontecimento de corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carolina Koretsky em seu testemunho<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a> afirma, \u201cSou uma traumatizada da l\u00edngua\u201d, um trauma &#8220;inocentemente&#8221; produzido pelo fato de ter sido falada, de ser um falasser. \u201cEssa l\u00edngua que nos exila e mortifica e que, ao mesmo tempo, nos faz palpitar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas frases \u201cirremedi\u00e1veis da m\u00e3e\u201d deixam marcas: a primeira, \u201cdevemos estar prontos para partir, mas n\u00e3o sabemos quando\u201d. O peso do significante \u201cpartir\u201d produz nela, hiperatividade, agita\u00e7\u00e3o no corpo, bem como o sintoma f\u00f3bico relativo ao personagem do filme ET. A segunda, uma marca inexor\u00e1vel no corpo, diz respeito \u00e0 hist\u00f3ria de seu nascimento. O risco de vida anunciado e ligado \u00e0 possibilidade de nascer prematuramente, produz a frase materna \u201ceu falei com voc\u00ea a noite inteira e voc\u00ea quis viver\u201d, dito que foi interpretado por Koretzky como \u201cpara viver \u00e9 necess\u00e1rio que falem comigo\u201d, um sintoma, p\u00f4s-se em forma: a obstina\u00e7\u00e3o de fazer o outro falar, bem como a ang\u00fastia e o desamparo diante do sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o podemos esgotar o mist\u00e9rio do corpo falante nem apreender todos os efeitos da l\u00edngua. N\u00f3s nos aproximamos deles, os contornamos e assumimos a responsabilidade pelo peso dado a certas marcas&#8221;<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O falasser se reparte em dois falantes que n\u00e3o falam a mesma l\u00edngua, que se conjuram para a reprodu\u00e7\u00e3o a partir de um mal-entendido estrutural. Este \u00e9 inerente ao fato de que <em>lal\u00edngua<\/em> afeta o corpo e tem uma finalidade distinta da comunica\u00e7\u00e3o e do di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta lal\u00edngua, nos diz F. Otoni Brisset participa na trama das forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, de seus equ\u00edvocos. Pergunta-se: \u201cComo falar no ENAPOL essa l\u00edngua que se fala em an\u00e1lise?\u201d \u00c9 a crian\u00e7a que vive no corpo falante, presen\u00e7a que fala de uma experi\u00eancia inesquec\u00edvel e insond\u00e1vel. Em uma an\u00e1lise trata-se disso, seja qual for o tamanho do falasser\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que lal\u00edngua afeta o corpo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Piezas sueltas, Miller cita Lacan quando diz que: &#8220;&#8230; lal\u00edngua \u00e9, para cada um, algo recebido e n\u00e3o aprendido. \u00c9 uma paix\u00e3o, sofre-se dela&#8221;.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a> As marcas sobre o corpo ser\u00e3o o resultado do que se transmite no encontro entre lal\u00edngua e o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa linha, Miller localiza o que ele chama de \u201ca mais \u00edntima palpita\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia anal\u00edtica\u201d, isto \u00e9, quando a palavra perde sua fun\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o para \u201cn\u00e3o ser nada al\u00e9m da palpita\u00e7\u00e3o de um gozo\u201d.<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a> Nesse sentido, estamos diante do sujeito sem o Outro, situado por Lacan em Joyce e sua posi\u00e7\u00e3o de desabonado do inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller estabelece ent\u00e3o uma analogia que nos interessa quando afirma que \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d pode ser pensado como \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trauma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, destacamos a no\u00e7\u00e3o de trauma ligada ao mal-entendido. Podemos nos perguntar ent\u00e3o: De que mal-entendido se trata?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Confer\u00eancia \u201cA l\u00edngua familiar\u201d, pronunciada na abertura do VIII ENAPOL, \u201cAssuntos de fam\u00edlia\u201d, por Miguel Bassols, temos \u201cocorre um mal-entendido radical entre a l\u00edngua amorosa e terna dos adultos, que querem, sem d\u00favida, o melhor para seu rebento, e a l\u00edngua do gozo infantil, que interpreta esse amor como um gozo imposs\u00edvel de assumir, como uma sedu\u00e7\u00e3o imperdo\u00e1vel e finalmente traum\u00e1tica\u201d<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>. \u201cTrauma n\u00e3o existe outro: o homem nasce mal-entendido\u201d.<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entender ou n\u00e3o entender passaria por esse sentido que tenta aprisionar algo sem sentido do corpo traumatizado, sabendo que esse sentido \u00e9 apenas um engano, um engano necess\u00e1rio para contornar o que insiste como real a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No testemunho de Kuky Mildner<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a>, nos orienta o momento em que o fantasma come\u00e7ou a delinear-se: repete a frase familiar, \u201ca tua m\u00e3e te tem como numa caixinha de cristal\u201d, foi interrogando-se sobre esta, que pode tirar-lhe um pouco do amor ao qual ela se mantinha atada. Diz \u201cestar em uma caixinha de cristal, trancada, ajustada e, sobretudo, me olham desde fora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma experi\u00eancia de separa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima entre corpo e palavra, uma lembran\u00e7a se produz: tinha bronquites de repeti\u00e7\u00e3o at\u00e9 que um enfermeiro se negou a dar-lhe uma inje\u00e7\u00e3o e disse: \u201cEssa beb\u00ea o que necessita \u00e9 de ar\u2026leve-a a passear todos os dias\u2026\u201d Estas frases fizeram \u00e0s vezes da fun\u00e7\u00e3o paterna: \u201cisso \u00e9 o trauma- nomeou o analista\u201d. A falta de ar, os pulm\u00f5es cheios, tinha sido a resposta diante do impacto do desespero materno. A partir dessa localiza\u00e7\u00e3o, essa ang\u00fastia se alivia e desaparece o sintoma claustrof\u00f3bico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o trauma fundamental estava constru\u00eddo o fantasma e sua mascarada, o caminho para o final come\u00e7ava\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que n\u00e3o h\u00e1 l\u00edngua comum, at\u00e9 o final Kuky se d\u00e1 conta, a partir de um sonho, que do que se trata \u00e9 do encontro com sua l\u00edngua, sobre a que teria que escrever, da qual o analista j\u00e1 n\u00e3o fazia parte. Isso facilitou a despedida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inconsciente e falasser<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, no Semin\u00e1rio 23 assinala que diferentes objetos ocupam as hi\u00e2ncias cujo suporte imagin\u00e1rio \u00e9 o corpo, em\u00a0 contrapartida, o gozo f\u00e1lico se situa na conjun\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico com o real, isto na medida que &#8220;no sujeito que se sustenta no falasser, que \u00e9 o que designo como sendo o inconsciente, h\u00e1 a capacidade de conjugar a fala e o que concerne a um certo gozo, aquele dito do falo, experimentado como parasit\u00e1rio, devido a essa pr\u00f3pria fala, devido ao falasser&#8221;<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller diz que \u201canalisar o falasser \u00e9 o que j\u00e1 fazemos\u201d<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a>. \u201cO ser de que se trata n\u00e3o precede a fala \u00c9 o contr\u00e1rio, \u00e9 a fala que outorga o ser a esse animal por um efeito a posteriori e desde ent\u00e3o, seu corpo se separa desse ser para passar para o registro do ter. O falasser n\u00e3o \u00e9 o corpo, ele tem\u201d<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mildiner, faz refer\u00eancia ao acontecimento do nascimento de sua filha quando ao receb\u00ea-la sussurra: \u201cBenvinda preciosa, vais ter o dom da palavra\u201d, e se pergunta: De onde saiu este dizer? O que falou de mim? De onde?<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a>A resposta a estas perguntas implicou em situar na an\u00e1lise o lugar de sua rela\u00e7\u00e3o natal com o gozo, o modo em que um real entra em sua an\u00e1lise, ou com a forma em que se transmite o gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar a chegada ao mundo de uma crian\u00e7a, como objeto desejado pelos pais, \u00e9 pensar em duas l\u00ednguas, que ao n\u00e3o copularem impactam o ser vivente para marc\u00e1-lo, deixando uma marca indel\u00e9vel, marca de gozo que captura o corpo, acontecimento de corpo, frente ao qual cada um armar\u00e1 sua pr\u00f3pria novela, fic\u00e7\u00e3o, del\u00edrio, via o enodamento real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar desse esfor\u00e7o de bordear simbolicamente esse acontecimento de corpo,\u00a0 \u00e9 imposto ao falasser armar respostas ao traumatismo da lal\u00edngua, respostas que s\u00e3o diversas e sintom\u00e1ticas. N\u00e3o se trata de uma tradu\u00e7\u00e3o ou transforma\u00e7\u00e3o, mas de um caminho em uma an\u00e1lise para situar a letra de gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esfor\u00e7o dos testemunhos de passe \u00e9 de tornar leg\u00edvel esse indiz\u00edvel do troumatisme que faz corpo e que n\u00e3o \u00e9 sem um resto, desse ponto de incomensur\u00e1vel. &#8220;O testemunho \u00e9 um relato que reverbera o intrat\u00e1vel do qual ele trata, a preserva\u00e7\u00e3o desse vazio no relato \u00e9 o que leva a comunidade anal\u00edtica ao trabalho, gra\u00e7as a essa fuga do real&#8221;<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O percurso nos permitiu abordar o status do corpo, este longe de ser um dado biol\u00f3gico, aparece no real como efeito de um mal-entendido estrutural: o encontro entre lal\u00edngua e o corpo deixa uma marca de gozo que o sujeito tenta recobrir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os testemunhos de passe mostram como essa marca se inscreve em frases, cenas e modos de gozar, e como a an\u00e1lise possibilita uma inven\u00e7\u00e3o singular para fazer a\u00ed&#8230; com isso. Assim, falar com a crian\u00e7a implica alojar o falasser em sua maneira \u00fanica de habitar um corpo atravessado por lal\u00edngua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Lacan, J., \u201cOs tr\u00eas tempos do \u00c9dipo<em>\u201d, O Semin\u00e1rio, Livro5, As forma\u00e7\u00f5es do Inconsciente, <\/em>Rio de Janeiro, Zahar,1999, p.192.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Lacan, J. \u201cNota sobre a crian\u00e7a\u201d, <em>Outros Escritos, <\/em>Rio de janeiro, Zahar, 2003, p.369<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Lacan J., \u201cO mal-entendido\u201d, \u201cNos confins do semin\u00e1rio\u201d, Zahar, Rio de janeiro, 2022, p.87<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a>\u00a0 Lacan J., \u201cO rato no labirinto\u201d, O Semin\u00e1rio, livro 20, \u201cMais, ainda\u201d, Rio de janeiro, Zahar,1982, p.190.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Miller J\u00c1, \u201cO Inconsciente e o Corpo Falante\u201d, Scilicet O Corpo Falante, Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo, 2016, p.25.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Koretsky. C. \u201cDesvelar a Rasura, Texto apresentado no XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, na Plen\u00e1ria Confer\u00eancias dos Analistas da Escola, em S\u00e3o Paulo, no dia 10 de novembro de 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Ibid., p.120.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Argumento do ENAPOL<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\"><sup>[ix]<\/sup><\/a>Miller, J.-A., (2004-2005) <em>Piezas sueltas<\/em>, Buenos Aires, Paid\u00f3s, p. 75.Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\"><sup>[x]<\/sup><\/a> Miller, J.-A., (2006-2007) <em>El ultim\u00edsimo Lacan<\/em>, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2013, p. 76. Tradu\u00e7\u00e3o nossa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> Bassols, M., A l\u00edngua familiar, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00b0 <\/em>79. S\u00e3o Paulo: Eolia, 2016, p\u00e1g. 46.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> , Lacan, J., \u201cO mal-entendido\u201d, \u201cNos confins do semin\u00e1rio\u201d, Zahar, Rio de janeiro, 2022, p.87.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> Mildner, K. \u201cPrimer Testimonio\u201d, Saber Hablar, <em>Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis<\/em> 19, Buenos Aires, Grama, 2025, p.119. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> Lacan, J. \u201cDo n\u00f3 como suporte do sujeito\u201d. O semin\u00e1rio, livro 23, O Sinthoma, Zahar, Rio de janeiro, 2007. P.55.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> Miller, J. -A., \u201cO Inconsciente e o Corpo Falante\u201d, Scilicet O Corpo Falante, Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo, 2016, p.26.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Ibid<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a>Mildiner K., \u201cPrimer Testimonio\u201d, Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, \u00f3p. cit., p.119. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\"><sup>[xviii]<\/sup><\/a> Koretsky, C. Testimonio de pase, desvelar a rasura, \u00f3p., cit., \u00a0p.111<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALA: FILHOS DO MAL-ENTENDIDO O CORPO E O MAL-ENTENDIDO \u00a0 \u201cJ\u00e1 que me interrogam sobre o que se chama de estatuto do corpo, sublinho que ele s\u00f3 se aprende a partir disso: o corpo s\u00f3 aparece no real como mal-entendido\u201d (Lacan, J. O mal-entendido.\u201d Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n.72. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, 2016, p. 10-11) Relatores: Leticia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[106],"tags":[],"post_series":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6738"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6757,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6738\/revisions\/6757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6738"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=6738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}