{"id":7902,"date":"2025-08-29T09:11:45","date_gmt":"2025-08-29T12:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/universidad-el-deseo-de-ensenar-y-el-futuro-del-psicoanalisis-en-tiempos-de-inteligencia-artificial\/"},"modified":"2025-08-31T07:52:18","modified_gmt":"2025-08-31T10:52:18","slug":"universidade-o-desejo-de-ensinar-e-o-futuro-da-psicanalise-em-tempos-de-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/universidade-o-desejo-de-ensinar-e-o-futuro-da-psicanalise-em-tempos-de-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"UNIVERSIDADE: O DESEJO DE ENSINAR E O FUTURO DA PSICAN\u00c1LISE EM TEMPOS DE INTELIG\u00caNCIA ARTIFICIAL"},"content":{"rendered":"<h3><strong>UNIVERSIDADE: O DESEJO DE ENSINAR E O FUTURO DA PSICAN\u00c1LISE EM TEMPOS DE INTELIG\u00caNCIA ARTIFICIAL<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Coordena\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o: In\u00e9s Sotelo e Fernando L\u00f3pez-Espa\u00f1a<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Equipe de pesquisa da Rede Universit\u00e1ria Americana (RUA \u2013 FAPOL)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Membros da equipe de pesquisa: Heloisa Caldas, Giselle Cardozo, Miguel L\u00f3pez, Lucia Marquina, Franco Masi Ferrari, Fabio Paes Barreto, Erick Leonardo Pereira, Miguel de la Rosa, Ana Lucia Soler, Ana Mar\u00eda Sol\u00eds, Antonio Teixeira, Diego Tirado, Laura Valcarce, Denizye Zacharias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Trabalho apresentado no XII ENAPOL, 2025<\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O surgimento da Intelig\u00eancia Artificial (IA) na vida cotidiana contempor\u00e2nea, e particularmente no ambiente universit\u00e1rio, levanta novas quest\u00f5es sobre a produ\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e estatuto do conhecimento.<\/p>\n<p>No caso das universidades, a incorpora\u00e7\u00e3o de ferramentas como o Chat GPT, entre outras, transformou n\u00e3o s\u00f3 as pr\u00e1ticas de estudo dos alunos, mas tamb\u00e9m os m\u00e9todos de ensino e a conex\u00e3o com o conhecimento.<\/p>\n<p>Este artigo prop\u00f5e considerar esses fen\u00f4menos por meio de pesquisa explorat\u00f3ria com estudantes de psicologia de diversas universidades latino-americanas, utilizando o referencial da psican\u00e1lise lacaniana. A partir de textos de Freud, Lacan, Jacques-Alain Miller e \u00c9ric Laurent, Graciela Brodsky e outros autores contempor\u00e2neos que abordaram o tema, ser\u00e3o analisadas quest\u00f5es relacionadas ao lugar do outro, a muta\u00e7\u00e3o do discurso universit\u00e1rio e o desejo de ensinar, em um contexto em que a IA parece ocupar o lugar de um saber automatizado e dessubjetivado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se\u00e7\u00e3o 1 \u2013 Os alunos tomam a palavra<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<p>Como parte desta pesquisa, foi realizado um question\u00e1rio com estudantes de psicologia de diversas universidades da Am\u00e9rica latina. As 111 respostas coletadas nos permitem investigar como se vinculam com as ferramentas de Intelig\u00eancia Artificial (IA) ao longo de sua trajet\u00f3ria universit\u00e1ria, com \u00eanfase especial na \u00e1rea de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. A an\u00e1lise articula essas respostas com uma leitura da psican\u00e1lise a partir da perspectiva de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana.<\/p>\n<p>Localizamos algumas respostas que nos permitiram refletir sobre a escrita, o estilo e a enuncia\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do saber, bem como a import\u00e2ncia da presen\u00e7a do professor e da transmiss\u00e3o de um desejo, para al\u00e9m dos conte\u00fados espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Um dos primeiros aspectos que emerge claramente \u00e9 o uso generalizado da IA como recurso t\u00e9cnico. A maioria dos alunos relata utiliz\u00e1-la para resumir textos, escrever trabalhos, buscar sin\u00f4nimos, esclarecer ideias ou verificar anota\u00e7\u00f5es. No entanto, essa utilidade traz consigo uma certa ambival\u00eancia; embora reconhe\u00e7am sua efic\u00e1cia, n\u00e3o confiam plenamente nela. Como aponta um aluno: <em>&#8220;A IA \u00e9 muito boa como um gatilho para explora\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica. Mas n\u00e3o acredito que ela tenha usado as melhores fontes&#8221; <\/em>(resposta \u00e0 pesquisa).<\/p>\n<p>Vale ressaltar que, das 111 respostas, apenas uma afirma confiar totalmente nas respostas da IA; as demais demonstram desconfian\u00e7a e precisam verificar e detectar erros, principalmente nas cita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa desconfian\u00e7a se baseia em uma diferen\u00e7a estrutural: a IA &#8220;responde&#8221;, mas n\u00e3o ensina. Ela n\u00e3o gera transfer\u00eancia. Uma das frases mais repetidas nas respostas da pesquisa \u00e9 que o professor &#8220;transmite a partir do seu desejo, do seu estilo, do seu corpo&#8221;. Em contraste, a IA \u00e9 apresentada como um conhecimento sem corpo, sem paix\u00e3o, sem erro: &#8220;uma voz sem voz&#8221;.<\/p>\n<p>Destacamos algumas respostas: <em>&#8220;Eu explico assim: d\u00e1 para perceber que n\u00e3o tem alma. [&#8230;] O texto de um ser humano diz algo sobre ele, mesmo que fale de algo muito distante dele.&#8221; &#8220;Acho que muda meu estilo, porque meu estilo \u00e9 \u00fanico [&#8230;] O estilo da IA \u00e9 gen\u00e9rico e carente de charme, embora ajude a corrigir erros gramaticais e sint\u00e1ticos, a coes\u00e3o e a estrutura do texto.&#8221; &#8220;De certa forma, limita minha criatividade <\/em>&#8221; (respostas da pesquisa).<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do saber se articula em diversas respostas \u00e0 import\u00e2ncia da presen\u00e7a do professor, uma presen\u00e7a corporificada (encarnada), na qual o olhar, a voz, ou seja, a resson\u00e2ncia no corpo entram em jogo. Resumimos algumas das respostas:<\/p>\n<p><em>&#8220;A conversa\u00e7\u00e3o (&#8230;), permitindo que as palavras circulem, permitindo que pensemos juntos, que leiamos juntos, que tenhamos crit\u00e9rios para raciocinar sobre o que lemos e n\u00e3o apenas repetir como a IA.&#8221; &#8220;Escuta cl\u00ednica, sensibilidade humana, interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. (&#8230;) Ensinar tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de transmiss\u00e3o que se d\u00e1 nas rela\u00e7\u00f5es, nos encontros, na transfer\u00eancia.&#8221; &#8220;O calor humano da resposta e da ideia de que a aula ministrada \u00e9 sustentada pela experi\u00eancia do professor. (&#8230;) A resposta da IA \u00e9 gen\u00e9rica e carece de sensibilidade para descrever sentimentos humanos.&#8221; &#8220;A aula \u00e9 um ambiente did\u00e1tico, onde a linguagem \u00e9 fluida e o olhar \u00e9 essencial para ver como ela se desenvolve. (&#8230;) A IA \u00e9 autom\u00e1tica, r\u00edgida e resumida.&#8221; &#8220;O professor proporciona a oportunidade de interagir, est\u00e1 aberto ao debate, pode dar exemplos reais, n\u00e3o apenas transmite, mas tamb\u00e9m escuta. A constru\u00e7\u00e3o acontece em sala de aula&#8221; <\/em>(respostas da pesquisa).<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o nos remete \u00e0 no\u00e7\u00e3o de Sujeito Suposto Saber. Ensinar n\u00e3o se reduz \u00e0 transmiss\u00e3o de conte\u00fado; implica uma posi\u00e7\u00e3o subjetiva, corporificada (encarnada), sustentada pelo desejo. O que a psican\u00e1lise ensina, segundo a f\u00f3rmula de Lacan, \u00e9 o que a minha an\u00e1lise me ensina. N\u00e3o apenas o que ela produz em mim como efeito, mas o que \u00e9 posto em ato do meu inconsciente me ensina sobre o que n\u00e3o se sabe, ainda mais, sobre o imposs\u00edvel de saber, o que escrevemos S(\/A) (Brodsky, 2023). Ensinar na perspectiva da psican\u00e1lise implica fazer existir o saber no outro, n\u00e3o oferecendo respostas fechadas, mas sim provocando uma pergunta. A esse respeito, um aluno afirma: &#8221; <em>O professor faz perguntas que ningu\u00e9m jamais pensaria sem essa provoca\u00e7\u00e3o&#8221; <\/em>(resposta da pesquisa).<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a \u00e9 fundamental. A IA pode informar, mas n\u00e3o transmitir. A transmiss\u00e3o requer um ato, um estilo, falta. Como argumenta \u00c9ric Laurent, o discurso anal\u00edtico introduz uma tor\u00e7\u00e3o, frente ao saber universit\u00e1rio totalizante, ele fura o Todo-Saber e produz sintomas (Laurent, 2007, citado em Tirado Condoretty, 2023). Esse argumento \u00e9 retomado por Diego Tirado Condoretty, que afirma que o analista no contexto universit\u00e1rio n\u00e3o reproduz saberes, mas sim o sintomatiza, inventando novas formas de ensino que introduzem o real no discurso acad\u00eamico (2023).<\/p>\n<p>A IA surge, portanto, como um outro t\u00e9cnico, eficaz, mas sem transfer\u00eancia. Em contraste, o professor que ensina a partir do seu desejo transmite algo insubstitu\u00edvel: <em>&#8220;A equivoca\u00e7\u00e3o, a pausa, a inquieta\u00e7\u00e3o do n\u00e3o saber&#8221;. &#8220;A IA responde sem corpo, sem furo no saber, sem enuncia\u00e7\u00e3o&#8221; <\/em>(respostas da pesquisa).<\/p>\n<p>Essas observa\u00e7\u00f5es nos ajudam a entender por que, para os alunos, a IA n\u00e3o pode substituir o outro que ensina. Pode ser um auxiliar \u00fatil, mas n\u00e3o causa desejo.<\/p>\n<p>Neste ponto, \u00e9 fundamental relembrar uma advert\u00eancia de Jacques-Alain Miller: &#8220;\u00c9 precisamente a opera\u00e7\u00e3o da pedagogia: separar o saber do gozo. A estupidez educacional consiste em tentar a todo custo separar o saber do gozo, refrear o gozo para que o saber triunfe. No pedag\u00f3gico, h\u00e1 um \u00f3dio ao gozo excedente do sujeito&#8221; (Miller, 1999, p. 15).<\/p>\n<p>Antoni Vicens nos lembra que \u201cO lugar dominante do discurso da universidade \u00e9 o saber; isso n\u00e3o impede de supor que a a\u00e7\u00e3o do mestre como seu motor. O outro desse saber, aquilo ao qual ele se dirige como seu fim, \u00e9 um mais-de-gozar, cujo produto \u00e9 a divis\u00e3o do sujeito, na medida em que ele jamais totalizar\u00e1 essa aproxima\u00e7\u00e3o do saber ao gozo. Mas essa formaliza\u00e7\u00e3o do discurso da universidade tamb\u00e9m nos apresenta a figura do mestre moderno: S2 \u00e9 a burocracia, o saber funcional que domina a circula\u00e7\u00e3o do gozo a partir do ideal de um saber total, de um saber sem resto nem divis\u00e3o subjetiva\u201d (Vicens, 2006, p. 24).<\/p>\n<p>A IA, como forma extrema do discurso universit\u00e1rio automatizado, n\u00e3o consegue acomodar esse plus. A aula, por outro lado, quando sustentada pelo desejo do professor, n\u00e3o expulsa o gozo, mas sim o bordeia, o toca e, \u00e0s vezes, o causa.<\/p>\n<p>In\u00e9s Sotelo (2023) enfatiza que o lugar da psican\u00e1lise na universidade deve ser sustentado por uma transmiss\u00e3o viva, que transmita algo do desejo de ensinar, agalm\u00e1tico. Essa dimens\u00e3o se perde quando o saber \u00e9 reduzido a um conte\u00fado utilit\u00e1rio, despojado de estilo e singularidade.<\/p>\n<p>As respostas dos estudantes mostram que, mesmo em um contexto em que a IA est\u00e1 se tornando onipresente, eles conseguem distinguir com precis\u00e3o entre a resposta gerada por um algoritmo e o ensinamento de um professor que transmite a partir de seu pr\u00f3prio percurso, onde situaram seus corpos; isto \u00e9, de sua posi\u00e7\u00e3o sustentada na episteme, na pr\u00e1tica cl\u00ednica e na pol\u00edtica. Essa distin\u00e7\u00e3o se torna especialmente clara em disciplinas de orienta\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica. Como resume um aluno: <em>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 como substituir o singular&#8221;. &#8220;A IA torna tudo o mais sint\u00e9tico poss\u00edvel, sem muita profundidade. H\u00e1 algo de humano insubstitu\u00edvel na escrita&#8221; <\/em>(respostas da pesquisa).<\/p>\n<p>Por fim, as respostas obtidas tamb\u00e9m interrogam o lugar da universidade diante do avan\u00e7o dessas tecnologias. A IA oferece recursos j\u00e1 presentes na vida acad\u00eamica, possibilitando a aproxima\u00e7\u00e3o com textos e autores desconhecidos, aos quais n\u00e3o se teria acesso de outra forma. Contudo, a elabora\u00e7\u00e3o singular, os achados de qualquer pesquisa e a leitura cr\u00edtica exigem o sujeito da enuncia\u00e7\u00e3o, uma vez que esta n\u00e3o se limita \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de enunciados.<\/p>\n<p>Como argumenta Ana Mar\u00eda Sol\u00eds (2023), a partir de seu trabalho na Rede Universit\u00e1ria Americana (RUA), a conversa\u00e7\u00e3o entre analistas no campo universit\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas uma estrat\u00e9gia metodol\u00f3gica, mas uma forma de transmiss\u00e3o que abriga o dizer, o desejo e o n\u00e3o sabido.<\/p>\n<p>Sobre o progresso da IA e das universidades, resumimos algumas das respostas:<\/p>\n<p>\u201c<em>A universidade precisa se adaptar. A IA \u00e9 uma ferramenta que veio para ficar e evoluir. N\u00e3o adianta resistir a algo que a maioria dos alunos usa.&#8221; &#8220;A universidade deve se transformar: pesquisar o impacto da IA no ensino e na aprendizagem e, com base nisso, propor maneiras de us\u00e1-la que gerem implica\u00e7\u00e3o subjetiva dos alunos.&#8221; &#8220;Na minha experi\u00eancia, acho que a universidade ignora o problema. O t\u00f3pico \u00e9 discutido, mas nenhuma a\u00e7\u00e3o \u00e9 tomada para refletir uma posi\u00e7\u00e3o&#8221; <\/em>(respostas da pesquisa).<\/p>\n<p>Em resumo, com base nas respostas dos alunos, a IA poderia ser considerada uma nova parceira na rela\u00e7\u00e3o com o saber, permitindo-nos reconsiderar o que J.-A. Miller prop\u00f4s em &#8220;Causa e Consentimento&#8221; (2019), quando colocou a ci\u00eancia nesse lugar de &#8220;jogar seu jogo&#8221; com a psican\u00e1lise &#8220;no n\u00edvel de seu saber&#8221;. Miguel L\u00f3pez aponta que a diferen\u00e7a talvez esteja na dimens\u00e3o de com quem o jogo est\u00e1 sendo jogado, pois enquanto na ci\u00eancia temos um saber feroz e o desejo \u2014 e gozo \u2014 dos cientistas, a IA responde mais \u00e0 l\u00f3gica do Imp\u00e9rio da Tecnologia proposta por J.-A. Miller, com &#8220;o gadget no lugar do agente&#8221; no que pode ser considerado uma nova trama discursiva (L\u00f3pez, 2024). Disso, podemos concluir que o gadget n\u00e3o poder\u00e1 substituir o professor, pois entre resposta e interpreta\u00e7\u00e3o, entre dados e ensino, abre-se um campo onde o corpo, o desejo e a transfer\u00eancia continuam sendo insubstitu\u00edveis.<\/p>\n<p>Como afirma Laura Valcarce no Editorial da edi\u00e7\u00e3o 44 da Revista Virtualia, &#8220;a Intelig\u00eancia Artificial generativa impactou as subjetividades, interferindo diretamente em nosso cotidiano&#8221; (Valcarce, 2024, p. 3) e gera um &#8220;fasc\u00ednio inquietante&#8221; diante da temida substitui\u00e7\u00e3o do ser humano. Valcarce constata que o desafio da psican\u00e1lise \u00e9 responder n\u00e3o apenas a partir de uma perspectiva cl\u00ednica, mas a partir de uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica, epist\u00eamica e pol\u00edtica, capaz de alojar o singular em um contexto de acelera\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica.<\/p>\n<p>Esse enfoque ecoa o que os alunos testemunham: nem tudo pode ser automatizado. Um res\u00edduo n\u00e3o comput\u00e1vel persiste, e ensinar psican\u00e1lise requer um ato, uma presen\u00e7a e um desejo que nenhuma m\u00e1quina pode simular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se\u00e7\u00e3o 2: Quem \u00e9 o Outro para os estudantes e jovens de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Em uma \u00e9poca marcada por transforma\u00e7\u00f5es vertiginosas no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, o lugar do saber e do sujeito que o encarna est\u00e3o passando por uma muta\u00e7\u00e3o. Se o s\u00e9culo XX foi dominado pela figura do professor como representante do saber autorizado, o s\u00e9culo XXI testemunha o surgimento de novos dispositivos que encarnam um saber automatizado, sem sujeito, sem corpo ou hist\u00f3ria. Nesse contexto, a quest\u00e3o de quem \u00e9 o outro do saber para os alunos assume relev\u00e2ncia crucial.<\/p>\n<p>Franco Massi se det\u00e9m a situar a incid\u00eancia da virtualidade nos adolescentes e nos lembra das indica\u00e7\u00f5es de Miller: \u201cAntes, o saber era um objeto que devia ser buscado no campo do Outro, devia ser extra\u00eddo do Outro pela via da sedu\u00e7\u00e3o, da obedi\u00eancia ou da exig\u00eancia, o que implicava passar por uma estrat\u00e9gia com o desejo do Outro (&#8230;) Hoje h\u00e1 um autoerotismo do saber diferente da er\u00f3tica do saber que prevalecia no passado, porque aquela passava pela rela\u00e7\u00e3o com o Outro\u201d (Miller, 2015, p. 42).<\/p>\n<p>As respostas dos alunos coletadas em nossa pesquisa revelam uma ambival\u00eancia. Por um lado, eles valorizam a rapidez e a clareza com que a Intelig\u00eancia Artificial (IA) responde. Por outro, apontam a falta de contexto, profundidade e singularidade de seus enunciados. N\u00e3o h\u00e1 saber sem transfer\u00eancia, e n\u00e3o h\u00e1 transfer\u00eancia sem sujeito.<\/p>\n<p>Lacan nos ensina que o Sujeito Suposto Saber \u00e9 o ponto de ancoragem da transfer\u00eancia, aquele que permite que o saber \u2014 e o n\u00e3o saber \u2014 se aloje no outro. Mas esse outro n\u00e3o \u00e9 neutro: ele \u00e9 corporificado. A IA, mesmo a mais sofisticada, n\u00e3o pode ocupar esse lugar porque n\u00e3o deseja, n\u00e3o falha, n\u00e3o responde a partir de uma hi\u00e2ncia, mas a partir de um c\u00e1lculo.<\/p>\n<p>Miller dir\u00e1 que \u201cLacan ignora a transfer\u00eancia porque (&#8230;) a transfer\u00eancia pressup\u00f5e um Outro bem estabelecido e bem armado (&#8230;). H\u00e1 transfer\u00eancia (&#8230;) quando sup\u00f5e o saber que\u00a0 significaria algo.\u201d (Miller, 2013, p. 144). Podemos acrescentar que, tamb\u00e9m hoje, ela se esvai diante do saber que corresponde ao discurso do mestre digital, que desloca o desejo para a efic\u00e1cia, o enigma pelo algoritmo a suposi\u00e7\u00e3o pela resposta autom\u00e1tica. Isso evidencia que a IA encerra essa interroga\u00e7\u00e3o viva que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p>As respostas dos alunos confirmam esse diagn\u00f3stico. Embora reconhe\u00e7am a utilidade da IA, enfatizam que ela n\u00e3o substitui o la\u00e7o com o professor.<\/p>\n<p>O professor que ensina a partir do seu desejo n\u00e3o apenas transmite informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m cria um modo singular de se relacionar com o saber. Esta ser\u00e1 uma transmiss\u00e3o viva, quando aqueles que encarnam o lugar de professor repassam o agalm\u00e1tico, o desejo de transmitir a psican\u00e1lise, uma transmiss\u00e3o que aponta para o porvir.<\/p>\n<p>Eric Laurent diria que, se o ensino for assim, estar\u00e1 sempre \u00e0 beira da borda da ignor\u00e2ncia, no ponto de desconhecimento, incluindo o sil\u00eancio. &#8220;No ensino, devemos incluir o que n\u00e3o se pode ensinar&#8221;, acrescentando que o saber anal\u00edtico deve ser sustentado por v\u00e1rios anos de uma an\u00e1lise, caso contr\u00e1rio, servir\u00e1 apenas para criar livros did\u00e1ticos de psicologia com refer\u00eancias \u00e0 psican\u00e1lise que os alunos devem repetir (Laurent, 2005, p. 26).<\/p>\n<p>\u00c9 um lugar vazio e n\u00e3o programado de onde o saber \u00e9 gerado como inven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como repeti\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a IA n\u00e3o pode ser esse Outro. Ela responde sem falhas, sem estilo, sem corpo. Ela n\u00e3o ensina, apenas informa.<\/p>\n<p>Por sua vez, Mario Goldenberg, em &#8220;IA e a Singularidade Lacaniana&#8221;, sustenta que &#8220;esta narrativa generativa da IA pode abordar conhecimentos altamente \u00fateis, mas, ao evitar o imposs\u00edvel, h\u00e1 sempre algo a dizer&#8230; No entanto, ela n\u00e3o participa do inconsciente estruturado como linguagem, nem da dimens\u00e3o real de <em>lal\u00edngua <\/em>. Pois n\u00e3o \u00e9 gerada pela incid\u00eancia de <em>lal\u00edngua <\/em>no corpo. O que ela pode dizer sobre o real, o imposs\u00edvel e, mais ainda, do contingente? Por isso, vale a pena perguntar: Quais ser\u00e3o os efeitos da Intelig\u00eancia Artificial sobre a subjetividade?&#8221; (Goldenberg, 2024, p. 15).<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Ansermet pergunta: &#8220;Estamos na era do triunfo do inanimado ou, ao contr\u00e1rio, uma nova vers\u00e3o do ser vivo \u00e9 inventada a partir do inanimado?&#8221; (Ansermet, 2024, p. 12), afirmando ent\u00e3o que a psican\u00e1lise \u00e9 chamada a confrontar o que est\u00e1 acontecendo sem adotar uma posi\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica ou amaldi\u00e7oar os tempos, mas sim a orient\u00e1-la para a vida, para o desejo. Diante de um dispositivo que responde infalivelmente, onde o sujeito \u00e9 reduzido a um consumidor de dados, o analista, por outro lado, promove uma rela\u00e7\u00e3o com o saber onde a falta e a incerteza s\u00e3o produtivas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, \u00c9ric Laurent enfatiza que o sujeito contempor\u00e2neo deseja o saber que lhe \u00e9 imposto sem questionamentos, e que a IA surge como uma promessa de respostas que n\u00e3o exige comprometimento subjetivo. \u201cO ac\u00famulo de dados enlouquece com uma loucura particular. Alimenta o sonho de saber tudo sobre o outro e de poder calcular o que o outro quer. As ferramentas estat\u00edsticas n\u00e3o pressup\u00f5em nenhum saber cl\u00ednico pr\u00e9vio. (&#8230;) Dir\u00edamos, com Lacan, que as ferramentas estat\u00edsticas s\u00e3o significantes puros e mudos. Essa \u00e9 a sua for\u00e7a\u201d (Laurent, 2024, p. 5).<\/p>\n<p>Essa muta\u00e7\u00e3o cultural n\u00e3o \u00e9 in\u00f3cua: quando a dimens\u00e3o do enigma se perde, a transfer\u00eancia se enfraquece e o la\u00e7o social \u00e9 afetado. A universidade, atravessada por essas coordenadas, corre o risco de se tornar um espa\u00e7o de saber desabitado.<\/p>\n<p>Por sua vez, Roxana Vogler alerta que o fasc\u00ednio pela IA reproduz uma l\u00f3gica de &#8220;domestica\u00e7\u00e3o do saber&#8221;, em que o sujeito se submete a um outro sem divis\u00e3o. Essa posi\u00e7\u00e3o anula o trabalho do inconsciente, que introduz descontinuidades, lapsos e obst\u00e1culos que mobilizam o desejo. O ensino psicanal\u00edtico, por outro lado, promove uma forma de saber que se constr\u00f3i na incompletude (Vogler, 2024).<\/p>\n<p>Eric Laurent dir\u00e1 que inventar coisas novas implica a rela\u00e7\u00e3o com o desejo e sua articula\u00e7\u00e3o com o vivo enquanto tal (Laurent, 2005, p. 28).<\/p>\n<p>Em suma, o Outro do saber para os jovens de hoje parece dividido. A IA representa um Outro eficiente, mas sem desejo, sem transfer\u00eancia. O professor, por outro lado, encarna um ensino que n\u00e3o se reduz \u00e0 resposta correta, mas que introduz \u00e0 justa pergunta. Ali onde a IA se fecha, a psican\u00e1lise abre um vazio. E \u00e9 nesse vazio que o sujeito do saber pode advir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se\u00e7\u00e3o 3: O desejo de ensinar para o psicanalista<\/strong><\/p>\n<p>J-C. Milner, em sua obra \u201cDe l&#8217;Universit\u00e9 comme foule\u201d [\u201cSobre a Universidade como Multid\u00e3o\u201d], dir\u00e1 que \u201cas institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias s\u00e3o essenciais para o funcionamento do mundo moderno. Mais do que a Igreja ou o Ex\u00e9rcito, que Freud havia analisado, a Universidade constitui uma das principais formas da multid\u00e3o contempor\u00e2nea\u201d (Milner, 2011, p. 97), alertando que \u00e9 essencial ocupar um lugar nela.<\/p>\n<p>Ensinar psican\u00e1lise na universidade apresenta um desafio singular: como sustentar a transmiss\u00e3o de um saber que n\u00e3o \u00e9 totaliz\u00e1vel, que n\u00e3o se presta \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o ou que se esgota em defini\u00e7\u00f5es? O que significa, ent\u00e3o, ensinar a partir da posi\u00e7\u00e3o de um psicanalista?<\/p>\n<p>Em seu livro &#8220;Psicanalistas e o Desejo de Ensinar&#8221;, Graciela Brodsky parte de uma pergunta: Jacques Lacan ensinava? Ela responde que ele ensinou Freud, ensinou a ler Freud, ensinou a ler a letra de Freud. Ela tamb\u00e9m afirma que ele ensinava porque os jovens psicanalistas o demandavam. Em Jacques Lacan, n\u00e3o t\u00eam um professor, mas sim um mestre motivado por seus alunos. Eles o demandavam porque Lacan inspirou o desejo de que o demandassem. Ela conclui que o ensino de Jacques Lacan adv\u00e9m da transfer\u00eancia a Jacques Lacan e n\u00e3o tem outro suporte. Ela acrescenta que Lacan ensinava a ensinar de viva voz e com um livro na m\u00e3o: o de outro. Ele falava alto e comprometia todo o seu corpo em suas palavras (Brodsky, 2023).<\/p>\n<p>\u201cLacan nos apresenta o discurso universit\u00e1rio com S2 \u2013 tal como o definimos como ser todo saber \u2013 no lugar do agente, no lugar dominante. Com o discurso universit\u00e1rio definido dessa forma, tendo apenas definido S2, ele j\u00e1 o apresenta como o discurso da burocracia, como o discurso do capitalismo, como o discurso da filosofia, e o chama de S2, no lugar predominante, como a tirania do saber\u201d (Brodsky, 2023, p. 32).<\/p>\n<p>Graciela Brodsky abre uma quest\u00e3o extraordin\u00e1ria: \u201cPor que eu deveria ensinar o que a an\u00e1lise me ensinou, se a psican\u00e1lise teve uma fun\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, como se dizia, se a psican\u00e1lise me ensinou alguma coisa, por que eu deveria ensinar, por que ir al\u00e9m daquela satisfa\u00e7\u00e3o do que entendi, desse al\u00edvio pelo que deixei de lado? (&#8230;) Penso que, assim como falamos das origens neur\u00f3ticas do desejo do analista, poder\u00edamos falar das origens do desejo de ensinar, se ensinar n\u00e3o est\u00e1 atrelado a um sintoma, a um sinthoma, a uma satisfa\u00e7\u00e3o, a uma solu\u00e7\u00e3o, a um gozo, n\u00e3o fica claro por que ensinar\u00edamos, a n\u00e3o ser por um ideal, por um dever, que, por outro lado, sempre d\u00e1 errado, porque a \u00fanica coisa que faz o ensino funcionar \u00e9 o que Lacan chamou de <em>gay-savoir <\/em>, ou seja, o saber alegre, o saber gozoso, aquele saber que tem um plus, um tempero que s\u00f3 o gozo pode lhe dar\u201d (Brodsky, 2023, p. 101).<\/p>\n<p>A isso, poder\u00edamos contrastar o que G. Brodsky diz na p\u00e1gina 83 do mesmo livro, em rela\u00e7\u00e3o a uma refer\u00eancia de Miller em &#8220;Ler o Sintoma&#8221;: saber ler, com a consequ\u00eancia do bem dizer. Quem tem um bem dizer \u00e9 porque sabe ler. De qualquer forma, algu\u00e9m que pensa bem e fala bem \u00e9 algu\u00e9m que as pessoas procuram, porque querem ouvi-lo. Miller coloca a quest\u00e3o do t\u00e9dio do lado da universidade.<\/p>\n<p>Assim, temos o gozo, de um lado, e o t\u00e9dio, como contrapartida. O saber alegre e o saber repetitivo, desencarnado, pr\u00f3prio da Intelig\u00eancia Artificial.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, podemos pensar o ato de ensinar n\u00e3o busca pela forma\u00e7\u00e3o de especialistas, mas sim despertar uma quest\u00e3o que toca o sujeito, que o cause. Ensinar n\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o instrumental, mas sim uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica frente ao saber. Isso se op\u00f5e \u00e0 l\u00f3gica contempor\u00e2nea da efic\u00e1cia, na qual o professor aparece como um t\u00e9cnico da informa\u00e7\u00e3o, avaliado por resultados estandardizados. Como disse Lacan no Semin\u00e1rio 10, o professor existe sempre que uma pergunta j\u00e1 tem uma resposta escrita e tenta montar uma colagem onde todas as pe\u00e7as coincidem e encaixam. O analista, por outro lado, com seu ensino, como <em>bricoleur <\/em>, &#8220;evoca a falta que constitui todo o valor da obra figurativa&#8221; (Lacan, 2007\/1962-1963, p. 187).<\/p>\n<p>Por sua vez, Giselle Cardozo Stabile, em sua obra &#8220;O Desejo de Ensinar Hoje&#8230;&#8221; (s.d.), lembra que em &#8220;Piezas Sueltas&#8221; Miller anuncia que a posi\u00e7\u00e3o de ensinar n\u00e3o \u00e9 natural; seria uma quest\u00e3o de converter a paix\u00e3o pela psican\u00e1lise e o sofrimento que ela pode acarretar em uma manifesta\u00e7\u00e3o de paix\u00e3o. Para al\u00e9m da singularidade de cada sujeito que consente uma experi\u00eancia anal\u00edtica e dos vest\u00edgios tra\u00e7\u00e1veis nas diversas fic\u00e7\u00f5es que nos dariam coordenadas de como cada um de n\u00f3s veio a ocupar espa\u00e7os na universidade, seria uma quest\u00e3o de localizar aquilo onde parte da paix\u00e3o que habita o analista pode se tornar o desejo de ensinar.<\/p>\n<p>Numa perspectiva lacaniana, o professor n\u00e3o ensina o que sabe, mas sim o que permanece do n\u00e3o sabere, nesse sentido, causa. O desejo de ensinar, para o psicanalista, n\u00e3o se apoia na certeza, mas na disposi\u00e7\u00e3o de ser interrogado pelo real.<\/p>\n<p>Nesse ponto, Bassols adverte que o fasc\u00ednio pela IA reproduz uma debilidade correlativa ao ideal de completude promovido pela tecnoci\u00eancia. A Intelig\u00eancia Artificial serve, portanto, como um semblante de pensamento, mas com automatismos produzidos por algoritmos, ainda que cada vez mais sofisticados. Esses algoritmos s\u00e3o tribut\u00e1rios da l\u00f3gica simples do significante: S1-S2 (Bassols, 2024). O ensino sob uma perspectiva psicanal\u00edtica, por outro lado, opera no intervalo entre esses significantes, alojando o furo que a IA tenta preencher.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 pequena. Como enfatiza Fernando Espa\u00f1a, refletindo sobre a pr\u00e1tica anal\u00edtica no contexto universit\u00e1rio, a efic\u00e1cia da psican\u00e1lise n\u00e3o se mede por objetivos predeterminados, mas pela emerg\u00eancia de um novo saber no acontecimento da fala (Espa\u00f1a, 2025). Esse acontecimento \u2014 singular, contingente \u2014 resulta irredut\u00edvel a qualquer algoritmo.<\/p>\n<p>Na universidade atual, habitada por indicadores e standard, o desejo de ensinar surge como uma forma de resist\u00eancia. Como argumenta \u00c9ric Laurent, o analista cidad\u00e3o n\u00e3o se refugia no consult\u00f3rio, mas se deixa desafiar por seu tempo, por seus sintomas, por seus alunos. Ele n\u00e3o ensina a partir de uma posi\u00e7\u00e3o de certeza, mas sim a partir da disponibilidade de ouvir e interpretar (Laurent, 2000).<\/p>\n<p>Esse desejo n\u00e3o \u00e9 propriedade de quem o det\u00e9m, mas sim uma fun\u00e7\u00e3o incorporada em cada ato. Ensinar \u00e9 um gesto pol\u00edtico: apostar que ainda h\u00e1 algo por dizer, algo por pensar, algo por desejar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se\u00e7\u00e3o 4: O lugar da psican\u00e1lise na universidade<\/strong><\/p>\n<p>Christiane Alberti abre sua palestra na Universidade de Buenos Aires em 2024 relembrando que Lacan, em uma palestra proferida na It\u00e1lia em 1974, observou, ao ver muitos jovens, que depositava sua esperan\u00e7a neles. Alberti pergunta: \u201cDe que esperan\u00e7a se trata? A esperan\u00e7a de que Lacan fala n\u00e3o adv\u00e9m de uma vis\u00e3o r\u00edgida e rom\u00e2ntica da juventude, mesmo idealizada. Para Lacan, \u00e9 uma necessidade, uma orienta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da psican\u00e1lise, at\u00e9 mesmo uma a\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. Se queremos que a psican\u00e1lise exista, se queremos que o futuro da psican\u00e1lise dure por muito tempo, ent\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 juventude \u00e9 uma necessidade\u201d (Alberti, 2024).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da psican\u00e1lise na universidade \u00e9 uma aposta que se renova constantemente. N\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que uma pr\u00e1tica fundada no singular, no equivoco e na transfer\u00eancia possa existir em uma institui\u00e7\u00e3o marcada por conhecimento sistematizado, desempenho acad\u00eamico e padroniza\u00e7\u00e3o. No entanto, a psican\u00e1lise insiste nessa fronteira. Como Jacques Lacan apontou em sua interven\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Psican\u00e1lise em Vincennes, trata-se de ensinar o que, em princ\u00edpio, n\u00e3o se ensina. &#8220;Como podemos ensinar o que n\u00e3o se ensina?&#8221;, questionou ele (Lacan, 2011\/1978, p. 7). A psican\u00e1lise na universidade n\u00e3o pode ser fundada nos mesmos princ\u00edpios que regem o discurso universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Lacan distingue claramente o discurso anal\u00edtico do discurso universit\u00e1rio. O primeiro n\u00e3o tem pretens\u00e3o de verdade: reconhece-se como semblante e n\u00e3o se imp\u00f5e como universal. Como aponta Jacques-Alain Miller, no discurso universit\u00e1rio, o saber (S2) \u00e9 sustentado como uma impostura de verdade, enquanto no discurso anal\u00edtico, o agente \u00e9 o objeto <em>a <\/em>, sem garantia, sem universalidade (Miller, 2011).<\/p>\n<p>Isso implica uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica que rejeita tanto a domina\u00e7\u00e3o quanto a pedagogia. Portanto, Lacan exclui o discurso anal\u00edtico da educa\u00e7\u00e3o entendida como transmiss\u00e3o de conte\u00fado, enfatizando sua incompatibilidade estrutural com o sistema universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, essa incompatibilidade n\u00e3o impede o di\u00e1logo. Lacan defendeu a exist\u00eancia de um Departamento de Psican\u00e1lise na universidade, n\u00e3o para diluir sua singularidade, mas para confrontar o saber acad\u00eamico com o furo do saber inconsciente. Como lembra Miller, Lacan &#8220;come\u00e7ar\u00e1 pelo oposto, enfatizando que o regime do discurso anal\u00edtico \u00e9 profundamente diferente do regime do discurso universit\u00e1rio&#8221; (Miller, 2011, p. 23).<\/p>\n<p>Graciela Brodsky lembra que Lacan sustenta que \u201co sentido da presen\u00e7a do Departamento de Psican\u00e1lise e do psicanalista na universidade \u00e9 precisamente para renovar, a partir do discurso anal\u00edtico, aquelas ci\u00eancias que se propagam sob o modo universit\u00e1rio\u201d (Brodsky, 2023, p. 59).<\/p>\n<p>Esse ponto \u00e9 abordado por Heloisa Caldas, que articula o surgimento da Intelig\u00eancia Artificial (IA) com o que Lacan chamou de &#8220;muta\u00e7\u00e3o capital&#8221; do discurso do mestre. Trata-se de uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural que confere ao discurso do mestre seu &#8220;estilo capitalista&#8221;, em que o lugar do saber se dissocia da divis\u00e3o subjetiva e do vazio do objeto (Lacan, 2006\/1969-1970). Nesse novo regime discursivo, o saber se torna mercadoria, o mestre \u00e9 an\u00f4nimo e desencarnado, e o sujeito se dissolve em um gozo pr\u00eat-\u00e0-porter. Como Caldas aponta, &#8220;o saber produzido pela IA \u00e9 uma mercadoria que o sujeito obt\u00e9m sem implicar-se subjetivamente em sua elabora\u00e7\u00e3o&#8221; (Caldas, 2025), escapando assim \u00e0s fissuras inerentes a qualquer processo genu\u00edno de saber.<\/p>\n<p>Essa muta\u00e7\u00e3o afeta diretamente a universidade, que, presa \u00e0 l\u00f3gica do desempenho, da produtividade e da acredita\u00e7\u00e3o, tende a equiparar o saber com a informa\u00e7\u00e3o. Nas palavras de Caldas, este novo discurso n\u00e3o s\u00f3 se articula com o discurso universit\u00e1rio, como o potencializa em sua vertente mais tecnocr\u00e1tico, esvaziando a dimens\u00e3o da transfer\u00eancia e do ato (Caldas, 2025).<\/p>\n<p>Assim, F\u00e1bio Paes Barreto nos lembra em seu texto &#8220;Psican\u00e1lise e Neuroci\u00eancia: N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o, h\u00e1 pe\u00e7as soltas&#8221; (s.d.), que em 2012, em um congresso em Buenos Aires, Miller convocou os psicanalistas a atualizarem sua pr\u00e1tica. Na ocasi\u00e3o, Miller enfatizou os discursos da ci\u00eancia e do capitalismo como precursores de uma ruptura com a estrutura tradicional da experi\u00eancia humana (Miller, 2012).<\/p>\n<p>Em resposta a isso, a psican\u00e1lise introduz uma tor\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de ensinar psican\u00e1lise, mas de dar corpo aos seus efeitos, num espa\u00e7o onde o discurso universit\u00e1rio prop\u00f5e um saber j\u00e1 organizado, legitimado e avali\u00e1vel. O analista que ensina se autoriza para criar as condi\u00e7\u00f5es nas quais sua \u00e9tica sustenta seu dizer.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a universidade \u00e9 um desses espa\u00e7os privilegiados de interlocu\u00e7\u00e3o. Um lugar onde a psican\u00e1lise pode levantar quest\u00f5es que n\u00e3o se resolvem por meio de protocolos e oferecer interpreta\u00e7\u00f5es da subjetividade contempor\u00e2nea irredut\u00edveis ao quantific\u00e1vel. O analista que se deixa desafiar pela \u00e9poca, por seus sintomas contempor\u00e2neos, pelas necessidades urgentes que batem \u00e0 porta.<\/p>\n<p>A Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires, como destaca Sotelo (2021), mant\u00e9m desde o retorno da democracia uma pol\u00edtica que possibilitou \u00e0 psican\u00e1lise n\u00e3o apenas um lugar institucional, mas tamb\u00e9m um espa\u00e7o de experimenta\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Pr\u00e1ticas profissionais articuladas com hospitais, semin\u00e1rios cl\u00ednicos e disciplinas de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana s\u00e3o formas pelas quais a psican\u00e1lise se insere na universidade sem abrir m\u00e3o de seu rigor, \u00e0 medida que os alunos viajam da cidade para as salas de aula e das salas de aula para o hospital e vice-versa&#8230; Os alunos se encontram em hospitais p\u00fablicos com pacientes que lhes permitem compreender como a \u00e9poca vive a puls\u00e3o, em espa\u00e7os administrados por psicanalistas praticantes, que sustentam sua pr\u00e1tica sem standards, mas dentro de uma pol\u00edtica rigorosa. Na pr\u00e1tica profissional, o texto central ser\u00e1 o do paciente, transformado em caso cl\u00ednico, \u00e0 medida que \u00e9 constru\u00eddo pelo aluno. \u00c9 por meio desse trabalho que o aluno, provocado no hospital, se tornar\u00e1, por meio da leitura e da discuss\u00e3o, um provocador para colegas e professores em sala de aula.<\/p>\n<p>A Rede Universit\u00e1ria Americana (RUA), promovida pela FAPOL, visa \u00e0 mesma dire\u00e7\u00e3o: n\u00e3o se trata apenas de ensinar psican\u00e1lise na universidade, mas de nos deixarmos ensinar pela universidade e pelos alunos, criando um di\u00e1logo vivo. O desafio n\u00e3o \u00e9 apenas oferecer uma forma\u00e7\u00e3o de qualidade, mas tamb\u00e9m verificar se a nossa presen\u00e7a transforma o que a universidade ensina.<\/p>\n<p>Assim, o lugar da psican\u00e1lise na universidade n\u00e3o \u00e9 um lugar confort\u00e1vel, mas \u00e9 necess\u00e1rio. \u00c9 um lugar de tens\u00e3o, entre o discurso do saber fechado e a abertura ao real do sujeito. \u00c9 um lugar que n\u00e3o busca se adaptar ao mercado, mas sim manter uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica frente ao saber, ao sintoma e ao desejo.<\/p>\n<p>O analista, como provocador, pelo desejo que o habita, provocado e surpreendido, a cada vez, no encontro com o novo que irrompe na sala de aula. Esse desejo se sustenta ao fazer a psican\u00e1lise existir como pr\u00e1tica singular, que resiste \u00e0 neutraliza\u00e7\u00e3o do sujeito. As respostas dos alunos demonstram que ainda h\u00e1 uma sensibilidade para apreender essa diferen\u00e7a: o professor que ensina a partir do seu desejo, que transmite estilo, que abre a quest\u00e3o, continua sendo reconhecido como tal.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise n\u00e3o vem para completar a universidade. Ela vem para perfur\u00e1-la, interrog\u00e1-la, introduzir equ\u00edvocos e divis\u00f5es subjetivas, al\u00ed onde se buscam transpar\u00eancia e efici\u00eancia. Essa \u00e9 sua contribui\u00e7\u00e3o, sua resist\u00eancia e seu compromisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se\u00e7\u00e3o 5: \u00c0 guisa de conclus\u00e3o: IA na universidade, um desafio para o psicanalista<\/strong><\/p>\n<p>O surgimento da Intelig\u00eancia Artificial (IA) no ambiente universit\u00e1rio alterou profundamente as modalidades de como acessamos o saber, as ferramentas pedag\u00f3gicas e a rela\u00e7\u00e3o entre professores e alunos. Para n\u00f3s que ensinamos psican\u00e1lise, essa presen\u00e7a tecnol\u00f3gica \u2014 \u00fatil como recurso, mas alheia ao la\u00e7o transferencial \u2014 nos desafia no pr\u00f3prio cerne da transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Os depoimentos dos 111 alunos entrevistados revelam um discernimento l\u00facido: eles reconhecem o poder instrumental da IA, mas tamb\u00e9m suas limita\u00e7\u00f5es estruturais. A IA responde, organiza e sintetiza; no entanto, n\u00e3o ensina, pois ensinar exige corpo, desejo e estilo. Enquanto a IA proporciona efici\u00eancia t\u00e9cnica, o ato de ensinar exige uma forma de falar que inspire e uma falha que reacenda o desejo de saber.<\/p>\n<p>Embora Lacan enfatize a incompatibilidade entre psican\u00e1lise e ensino como pedagogia, ele tamb\u00e9m inclui o discurso universit\u00e1rio e destaca a incompatibilidade entre psican\u00e1lise e universidade. &#8220;Lacan defender\u00e1 o Departamento de Psican\u00e1lise, mas partir\u00e1 do oposto, enfatizando que o regime do discurso anal\u00edtico \u00e9 profundamente diferente daquele do discurso universit\u00e1rio e de outros discursos.&#8221; (Miller, 2011, p. 23)<\/p>\n<p>Eric Laurent argumenta que na universidade se trata de redescobrir espa\u00e7os para debates desafiadores e din\u00e2micos e, assim, redescobrir a rela\u00e7\u00e3o adequada com as demandas t\u00e9cnicas que nos assaltam. \u201cN\u00e3o podemos simplesmente dizer &#8216;N\u00e3o!&#8217; e nos perder em um isolamento espl\u00eandido. \u00c0s vezes, precisamos dizer &#8216;Sim!&#8217; e &#8216;N\u00e3o!&#8217;\u201d (Laurent, 2018, par\u00e1grafo 5).<\/p>\n<p>Diante disso, o analista que ensina ocupa um registro diferente: ele n\u00e3o garante um saber estabelecido, mas sustenta uma transmiss\u00e3o viva que hospeda o fracasso, bordeia o gozo e produz desejo. O desafio n\u00e3o \u00e9 rejeitar a IA ou render-se ao seu fasc\u00ednio, mas situ\u00e1-la em sua justa medida: auxiliar e n\u00e3o substituir. Quando a IA oferece transpar\u00eancia, o analista aposta pela opacidade f\u00e9rtil do sintoma; quando ela automatiza, o analista abre espa\u00e7o para o singular.<\/p>\n<p>Este \u00e9, portanto, um desafio \u00e9tico, pol\u00edtico e cl\u00ednico. \u00c9tico, porque nos obriga a decidir o que ensinamos e como o fazemos. Pol\u00edtico, porque impacta a circula\u00e7\u00e3o do saber dentro da institui\u00e7\u00e3o. Cl\u00ednico, porque afeta a maneira de alojar as quest\u00f5es e o mal-estar dos alunos. O analista que ensina na universidade \u00e9 chamado a reinventar seu ato: utilizando recursos digitais sem abandonar a fun\u00e7\u00e3o de causa, transformar cada aula em um acontecimento de transmiss\u00e3o e sustentar um espa\u00e7o onde a falta, o equivoco e o desejo tenham lugar.<\/p>\n<p>Em suma, o porvir da psican\u00e1lise na universidade n\u00e3o \u00e9 determinado pela rejei\u00e7\u00e3o ou pelo fasc\u00ednio pela IA, mas pela capacidade de manter vivo um ensino que cause desejo. Onde a IA responde, o analista questiona; onde a IA organiza, o analista interpreta; onde a IA simplifica, o analista complica; e onde a IA homogene\u00edza, o analista faz o singular ressoar.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a nossa maneira de alojar o porvir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Alberti, C. (2024). <em>Palestra de Christiane Alberti na Universidade de Buenos Aires <\/em>. N\u00e3o publicado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Ansermet, F. (dezembro de 2024). Intelig\u00eancia artificial: o que est\u00e1 mudando? <em>Em Virtualia. EOL Digital Journal <\/em>(44), 12-13.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Bassols, M. (2024). Debilidade mental na era da intelig\u00eancia artificial. Em <em>Freudiana: Revista de Psican\u00e1lise da ELP-Catalunha <\/em>(103).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Brodsky, G. (2023). <em>Psicanalistas e o desejo de ensinar <\/em>. Grama.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Caldas, H. (2025). Trecho in\u00e9dito da apresenta\u00e7\u00e3o oral &#8220;A cria\u00e7\u00e3o da IA e seu saber-fazer&#8221; no evento <em>Intelig\u00eancia Artificial, o sujeito e sua assinatura <\/em>, organizado pelo SEPAI &#8211; Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise Cl\u00ednica \/RJ, em 16\/08\/2025 .<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Cardozo Stabile, G. (s.d.). <em>O desejo de ensinar hoje\u2026 <\/em>In\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Espanha, F. (abril de 2025). A Efic\u00e1cia da Psican\u00e1lise. Em Glifos: Revista Virtual da NEL Cidade do M\u00e9xico (21), 33-35.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Goldenberg, M. (dezembro de 2024). IA e a Singularidade Lacaniana. <em>Em Virtualia. Revista Digital EOL <\/em>(44), 14-16.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (2006). Semin\u00e1rio 17: O Outro Lado da Psican\u00e1lise, 1969-1970. <em>Semin\u00e1rio de Jacques Lacan <\/em>. Paid\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (outubro de 2011) Lacan para Vincennes!, 1978. In <em>Revista Lacaniana de Psican\u00e1lise <\/em>(11). Publica\u00e7\u00e3o da Escola de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (2007). Semin\u00e1rio 10: Ansiedade, 1962\u20131963. Em J. Granica (ed.) e E. Berenguer (trad.), O Semin\u00e1rio de Jacques Lacan. Paidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Laurent, \u00c9. (2000). O Analista Cidad\u00e3o. Em <em>Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental <\/em>(pp. 9\u201320). Tres Haches.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Laurent, \u00c9. (2005). <em>Como se ensina a pr\u00e1tica cl\u00ednica? <\/em>Cadernos ICdeBA 13.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Laurent, \u00c9. (agosto de 2018). Reflex\u00f5es sobre a impossibilidade atual de ensinar. In <em>Correio Express: Revista online da Escola Brasileira de Psicologia <\/em>(4).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Laurent, \u00c9. (dezembro de 2024). A Ilus\u00e3o do Cientificismo, a Ang\u00fastia do S\u00e1bio. Em <em>Virtualia. Revista Digital EOL <\/em>(44), 5-11.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">L\u00f3pez, M. (2024). <em>Psican\u00e1lise e o Imp\u00e9rio da Tecnologia <\/em>. Editora UNC.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, JA. (1999). O tri\u00e2ngulo do saber. <em>Freudiana: Revista de Psican\u00e1lise da ELP-Catalunha <\/em>(25), 13-20.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Miller JA (2011). Todo mundo \u00e9 louco I. Em <em>Revista Lacaniana de Psican\u00e1lise <\/em>(11), 11-23. Grama.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, J. A. (2012). Ou real no s\u00e9culo XXI. In <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana <\/em>(63), 11-19.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, J.A. (2013). <em>O \u00daltimo Lacan <\/em>. Paidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, JA. (2015). Rumo \u00e0 adolesc\u00eancia. Em <em>Da inf\u00e2ncia \u00e0 adolesc\u00eancia <\/em>. Cole\u00e7\u00e3o ICdeBA n\u00ba 13. Paid\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, JA. (2019). <em>Causa e Consentimento. Os Cursos Psicanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller <\/em>. Paid\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Milner, JC (2011). De l&#8217;Universit\u00e9 comme foule [Da Universidade como multid\u00e3o]. <em>Cahiers d&#8217;\u00c9tudes L\u00e9vinassiennes <\/em>(10), pp. Verdier.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Paes Barreto, F. (s.d.). Psican\u00e1lise e neuroci\u00eancia: n\u00e3o h\u00e1 conex\u00e3o, h\u00e1 pe\u00e7as soltas. In\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Sol\u00eds, AM (2023). Sobre a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana na universidade. Em <em>Cyth\u00e8re? Revista da Rede Universit\u00e1ria Americana (RUA) <\/em>(6). FAPOL.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Sotelo, I. (2021). <em>Psican\u00e1lise na Universidade. Interven\u00e7\u00f5es na Faculdade de Psicologia da UBA <\/em>. FAPOL.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Sotelo, I. (2023). <em>Psican\u00e1lise e Universidade <\/em>. Palestra proferida no I Congresso Internacional de Psicologia. Universidade Nacional de La Plata, Buenos Aires, Argentina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Tirado Condoretty, D. (2023). Conhecimento, universidade e psican\u00e1lise. Em <em>Cyth\u00e8re? Revista da Rede Universit\u00e1ria Americana (RUA) <\/em>(6). FAPOL.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Valcarce, L. (dezembro de 2024). Editorial. Em <em>Virtualidade. Revista digital EOL <\/em>(44), 3-4.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Vicens, A. (outubro de 2006). Do reverso da trama \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o da linha. Em <em>NODVS: L&#8217;aperi\u00f2dic virtual da Secci\u00f3 Cl\u00ednica de Barcelona <\/em>(19). <a href=\"https:\/\/www.scb-icf.net\/nodus\/contingut\/article.php?art=238&amp;rev=33&amp;pub=1\">https:\/\/www.scb-icf.net\/nodus\/contingut\/article.php?art=238&amp;rev=33&amp;pub=1<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Vogler, R. (dezembro de 2024). Resolva o x do pr\u00f3prio algoritmo no parl\u00eatre. Em <em>Virtualia. Revista digital EOL <\/em>(44), 27-29.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>Esta se\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada em uma pesquisa com 111 estudantes de psicologia de diferentes universidades da Am\u00e9rica Latina. A amostra foi composta por 84 mulheres e 27 homens, com idade m\u00e9dia de 27 anos. As respostas vieram de institui\u00e7\u00f5es como a Universidade de Buenos Aires (UBA), Faculdade de Psicologia, em Buenos Aires, Argentina; a Universidade Nacional de San Luis (UNSL), Faculdade de Psicologia, em San Luis, Argentina; a Universidade do Congresso, Faculdade de Ci\u00eancias da Sa\u00fade, sediada em Mendoza, Argentina; a Universidade Cat\u00f3lica de Santiago de Guayaquil, Faculdade de Psicologia Cl\u00ednica, Educa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o, em Guayaquil, Equador; a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s (PUC-GO), em Goi\u00e2nia, Brasil; a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Rio de Janeiro, Brasil; a Universidade Cat\u00f3lica Boliviana &#8220;San Pablo&#8221;, Faculdade de Psicologia, com campi em Cochabamba e La Paz, Bol\u00edvia; e a Universidade Cat\u00f3lica de Salta (UCASAL), Faculdade de Artes e Ci\u00eancias, em Salta, Argentina. Essa diversidade geogr\u00e1fica e geracional nos permite explorar como a rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento se configura hoje, principalmente diante do surgimento da Intelig\u00eancia Artificial (IA) no ensino superior.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UNIVERSIDADE: O DESEJO DE ENSINAR E O FUTURO DA PSICAN\u00c1LISE EM TEMPOS DE INTELIG\u00caNCIA ARTIFICIAL &nbsp; Coordena\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o: In\u00e9s Sotelo e Fernando L\u00f3pez-Espa\u00f1a Equipe de pesquisa da Rede Universit\u00e1ria Americana (RUA \u2013 FAPOL) Membros da equipe de pesquisa: Heloisa Caldas, Giselle Cardozo, Miguel L\u00f3pez, Lucia Marquina, Franco Masi Ferrari, Fabio Paes Barreto, Erick Leonardo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[108],"tags":[],"post_series":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7902"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7902"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7902\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7904,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7902\/revisions\/7904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7902"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=7902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}