{"id":1022,"date":"2021-09-01T15:19:23","date_gmt":"2021-09-01T18:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1022"},"modified":"2021-09-14T11:57:59","modified_gmt":"2021-09-14T14:57:59","slug":"o-novo-do-amor-no-feminino","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/o-novo-do-amor-no-feminino\/","title":{"rendered":"O novo do amor no feminino"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A interpreta\u00e7\u00e3o do esc\u00e2ndalo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da apresenta\u00e7\u00e3o de Graciela Brodsky rumo ao X ENAPOL, \u201cUm amor mais digno\u201d<em>, <\/em>retomarei o que ela sinaliza a respeito do novo no amor. Na \u201cNota Italiana\u201d, Lacan afirma: \u201c&#8230;tentar, a partir deles [os AEs], que apesar dos pesares passaram por suas provas no saber, aumentar os recursos gra\u00e7as aos quais venhamos a prescindir dessa rela\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda [a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o h\u00e1], para fazer o amor mais digno do que a profus\u00e3o do palavr\u00f3rio que ele constitui at\u00e9 hoje\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 um novo amor para mim, um mais digno? Farei um breve recorte a partir do que obtive da minha experiencia como analisante com rela\u00e7\u00e3o ao amor e ao casal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o Outro me ame, me demande, me necessite marcou desde sempre meu la\u00e7o com meus pares, meus pais e parceiros. Queixava-me na an\u00e1lise que meu parceiro me queria para ele todo o tempo, que eu necessitava estar sozinha tamb\u00e9m. Meus mil e quinhentos <em>mim<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi apenas em minha \u00faltima an\u00e1lise que essa posi\u00e7\u00e3o foi tocada em torno do <em>partenaire<\/em>. Com bastante frequ\u00eancia, me queixava de que ele me necessitava, seu trabalho requeria que viajasse muito, eu n\u00e3o estava ali para isso, muito trabalho, minha revista, meus pacientes, minha Escola, meus \u201cmil e um meus\u201d estavam sobre todas as coisas apesar de suas insist\u00eancias para que eu o acompanhasse. \u201c\u00c9 que ele precisa de mim\u201d, para anim\u00e1-lo, despert\u00e1-lo, fazer la\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco a pouco, o analista com um tom leve, como quem n\u00e3o quer nada, de forma ing\u00eanua, me dizia: \u201ce, por que n\u00e3o o acompanhar \u00e0s vezes? N\u00e3o vejo problema, ele quer que voc\u00ea v\u00e1. V\u00e1.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Machista! Pensava eu, como todos os homens. E chegou a interpreta\u00e7\u00e3o do esc\u00e2ndalo: \u201cO que a move \u00e9 o trabalho mais que o amor.\u201d Essa interven\u00e7\u00e3o me indignou, me enfureceu, literalmente queria matar meu analista. Como se atreve a semelhante ofensa? E frente a minha ira sua interven\u00e7\u00e3o foi: \u201c\u00c9 o trabalho para que o Outro a ame.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Um novo amor<\/strong> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A demanda e o amor andam de m\u00e3os dadas. Do meu lado nada de demanda. Ent\u00e3o, o amor? Se o amor tem cara de mulher havia uma invers\u00e3o nas posi\u00e7\u00f5es desse casal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito da receita do amor enunciada por minha av\u00f3: \u201cvoc\u00ea tem que am\u00e1-lo, mas ele tem que te amar muito mais do que voc\u00ea o ama\u201d, Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse comentou que esse \u00e9 antes de mais nada um pensamento estrat\u00e9gico, fazer-se amar como consequ\u00eancia de amar menos. Mas que, por sua vez, tem a contrapartida de implicar uma perda. Referiu-se \u00e0 cita\u00e7\u00e3o de Lacan do <em>Semin\u00e1rio 8, A transfer\u00eancia,<\/em> quando diz que o amor \u00e9 uma met\u00e1fora, s\u00e3o posi\u00e7\u00f5es que se revertem<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e a frase da av\u00f3 implica que n\u00e3o haja esse desvio. Implica finalmente uma certa solid\u00e3o de objeto. Um sentimento de ficar na posi\u00e7\u00e3o de adorada sem poder adorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meus testemunhos eu situei o que n\u00e3o muda, o <em>sinthome<\/em> de sempre, o gozo imposs\u00edvel de negativizar, o que n\u00e3o posso parar de, aquilo que resta, \u201co n\u00e3o-todo tem a solu\u00e7\u00e3o do sonho homossexual\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizarei agora aquilo que a an\u00e1lise permitiu, o novo, o inaugural, aquilo que concerne ao amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final da an\u00e1lise possibilitou um novo amor, um novo la\u00e7o ao amor, produziu um verdadeiro encontro com o homem da minha vida. O homem \u00e9 o mesmo, o que mudou foi a possibilidade da revers\u00e3o. A amada esteve sempre l\u00e1, trabalhei para isso. Sabia que bot\u00e3o apertar para fazer-me amar, mas esse mesmo bot\u00e3o n\u00e3o foi pressionado sem um grande suor para sustentar a frase da av\u00f3 da neurose infantil. Na minha fantasia de reparar o Outro, de anim\u00e1-lo, vivific\u00e1-lo, despert\u00e1-lo, est\u00e1 em jogo a demanda permanente do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final da an\u00e1lise terminou de construir a met\u00e1fora do amor despertando a amante sem deixar de me deleitar pelas del\u00edcias de ser amada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um amor mais digno, digno vem do latim <em>dignus<\/em> que quer dizer <em>merecer<\/em>. No meu caso, um amor mais digno implicou isso que merece ser nomeado amor e foi poss\u00edvel logo ao final da experi\u00eancia, quando o gozo isolado na fantasia p\u00f4de condescender ao amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho obtido tocou artesanalmente essa posi\u00e7\u00e3o garantida do amor do outro. Ao despertar o amor do sujeito permitiu amar o Outro em seu gozo, dando lugar ao feminino em mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gabriela Grinbaum<\/strong><br \/>\nBuenos Aires, EOL-AMP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Bruna Guaran\u00e1<br \/>\nRevis\u00e3o: Isabel do R\u00eago Barros Duarte<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lacan, J. \u201cNota italiana\u201d, <em>Outros Escritos<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p. 315.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lacan, J. O Semin\u00e1rio, livro 8: a transfer\u00eancia, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992, p. 59<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1085,"menu_order":30,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[27],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1022"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1022"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1022\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1028,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1022\/revisions\/1028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1085"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1022"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1022"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}