{"id":1040,"date":"2021-09-03T09:00:04","date_gmt":"2021-09-03T12:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1040"},"modified":"2021-09-03T09:00:04","modified_gmt":"2021-09-03T12:00:04","slug":"entrevista-com-agustin-toscano","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/entrevista-com-agustin-toscano\/","title":{"rendered":"Entrevista com Agust\u00edn Toscano"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Entrevista com Agust\u00edn Toscano<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> por Miguel L\u00f3pez<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeira pergunta<\/strong>: O convite \u00e9 para conversar sobre o tema dos la\u00e7os no cinema que voc\u00ea faz, para al\u00e9m do cunho sociol\u00f3gico e pol\u00edtico presente em seus filmes. Em \u201cLos Due\u00f1os\u201d, temos na protagonista interpretada por Rosario Bl\u00e9fari, um papel muito interessante de uma mulher que, a partir de uma s\u00e9rie de conflitos com seu parceiro, acaba sentindo uma atra\u00e7\u00e3o muito forte por um dos pe\u00f5es da fazenda, quase ao modo erot\u00f3mano, com uma mescla de poder; essa quest\u00e3o de mistura entre classes sociais\u2026 voc\u00ea pensa que \u00e9 algo novo que come\u00e7amos a ver? A forma como isso foi trabalhado no filme \u00e9 algo novo no cinema nacional e internacional?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AT<\/strong>: \u00c9 atrativa a categoria do novo. Eu nunca havia pensado quanta novidade poderia trazer com respeito a esse la\u00e7o, contudo, na dramaturgia, nos pareceu atraente colocar uma mulher, que em geral nos filmes \u00e9 o objeto de desejo de um protagonista masculino, que tem esse impulso de avan\u00e7ar muito, e \u00e9 o jogo cl\u00e1ssico do flertar desse cara. Ent\u00e3o, n\u00f3s dissemos: vamos na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, buscar o inc\u00f4modo; ela tem mais poder econ\u00f4mico que ele, ela \u00e9 a chefe e ele o empregado, e depois tudo ir\u00e1 se deturpando. Tudo isso agregava para n\u00f3s a categoria de um potencial dram\u00e1tico, de modo que n\u00e3o o escolhemos pela sensa\u00e7\u00e3o de novidade, mas porque est\u00e1vamos convencidos de que era inc\u00f4modo. Procuramos fazer com que os personagens conduzissem as coisas pensadas originalmente no plano do improv\u00e1vel, ao terreno do prov\u00e1vel. E era o que persegu\u00edamos, gerar essa incomodidade. Ent\u00e3o, n\u00e3o o viv\u00edamos como novo, mas sim como potente, pondo mais lenha na fogueira, buscando n\u00e3o intelectualiz\u00e1-lo. Quer dizer, n\u00e3o \u00e9 um document\u00e1rio sobre como os patr\u00f5es de fazendas abusam de seus empregados; quer dizer, n\u00e3o \u00e9 realista, mas sim uma ironia ao modo de uma com\u00e9dia dram\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segunda pergunta<\/strong>: No seu filme \u201cEl Motoarrebatador\u201d h\u00e1 outra modalidade de v\u00ednculo: um casal, em que o cara est\u00e1 diante de condutas delituosas de forma permanente e uma mulher que, diferentemente do que se costuma apresentar em filmes ou s\u00e9ries, a mulher que costuma acompanhar o malfeitor em suas andan\u00e7as diz: \u201ceu vou at\u00e9 aqui\u201d &#8211; e inclusive come\u00e7a a pensar em outra coisa. Podemos pensar algo do novo, uma vez que aqui, a durabilidade n\u00e3o est\u00e1 garantida; se algo n\u00e3o funciona, outra hist\u00f3ria come\u00e7a? O personagem de Antonella, parceira de Miguel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AT<\/strong>: \u00c9 interessante a pergunta, assim como em \u201cLos Due\u00f1os\u201d, n\u00e3o o coloquei como algo novo, mas intu\u00ed que para esse personagem, o ch\u00e3o est\u00e1 sempre quente. Mas sempre pensei para Antonella, nessas meninas que querem que seu filho tenha um pai, que saibam que o tem, mas que ela n\u00e3o vai querer mais nada deste cara. Ela o quer como pai, nada mais; hoje te abro a porta, mas se amanh\u00e3 n\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o. Aqui n\u00e3o busco trazer uma novidade, mas sim ver de que modo vou tirar mais suco desse drama. Espremer a laranja e espremer mais a laranja. N\u00e3o pensamos em Antonella como a t\u00edpica \u201cmulher do submundo\u201d, que em outros filmes sempre est\u00e1 comendo os frutos do bandido ou do valent\u00e3o. Aqui, tiramos esses privil\u00e9gios do Miguel, ningu\u00e9m valoriza o dinheiro que consegue desse modo e ele come\u00e7a a notar, e algo j\u00e1 est\u00e1 se quebrando nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessa a mim mostrar em meus filmes, v\u00ednculos onde as cartas j\u00e1 est\u00e3o marcadas, rela\u00e7\u00f5es que j\u00e1 est\u00e3o terminadas, como ressacas de festas que j\u00e1 aconteceram e n\u00e3o que est\u00e3o come\u00e7ando. Diferente daquele cinema mais rom\u00e2ntico que o meu, evidentemente, onde se p\u00f5e muita \u00eanfase na conquista e na forma que as pessoas se conhe\u00e7em. Aqui \u00e9 ao contrario: a \u00e9pica \u00e9 a desvincula\u00e7\u00e3o entre dois que n\u00e3o estavam se dando muito bem e as novas fontes de prazer que est\u00e3o experimentando. S\u00e3o v\u00ednculos desfeitos. Nos pr\u00f3ximos filmes que estou escrevendo tamb\u00e9m se trata disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: M\u00f4nica Hage<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revis\u00e3o: Fl\u00e1via Leibovitz<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Diretor de Cinema \u2013 Escreveu e dirigiu \u201cLos Due\u00f1os\u201d (Os donos) (2013) e \u201cEl Motoarrebatador\u201d (The Snatch Thief) (2018), ambos os filmes premiados no Festival de Cannes.<\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:10px;margin-bottom:10px;width:100%;\"><\/div><div class=\"fusion-video fusion-youtube\" style=\"--awb-max-width:600px;--awb-max-height:360px;--awb-align-self:center;--awb-width:100%;\"><div class=\"video-shortcode\"><div class=\"fluid-width-video-wrapper\" style=\"padding-top:60%;\" ><iframe title=\"YouTube video player 1\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hedxIwujmV0?wmode=transparent&autoplay=0\" width=\"600\" height=\"360\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\"><\/iframe><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:10px;margin-bottom:10px;width:100%;\"><\/div><div class=\"fusion-video fusion-youtube\" style=\"--awb-max-width:600px;--awb-max-height:360px;--awb-align-self:center;--awb-width:100%;\"><div class=\"video-shortcode\"><div class=\"fluid-width-video-wrapper\" style=\"padding-top:60%;\" ><iframe title=\"YouTube video player 2\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bJhBH3PsF1k?wmode=transparent&autoplay=0\" width=\"600\" height=\"360\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\"><\/iframe><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1041,"menu_order":29,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[18,11],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1040"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1040"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1040\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1042,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1040\/revisions\/1042"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1040"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1040"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}