{"id":1340,"date":"2021-10-06T11:36:37","date_gmt":"2021-10-06T14:36:37","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1340"},"modified":"2021-10-06T11:37:46","modified_gmt":"2021-10-06T14:37:46","slug":"entrevista-com-isolina-dabove","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/entrevista-com-isolina-dabove\/","title":{"rendered":"Entrevista com Isolina Dabove"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong>Isolina Dabove<\/strong><br \/>\nPesquisadora Principal do Conicet<\/p>\n<p>Entrevistadora:<br \/>\nAndrea Amendola<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Parte 1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AA: Dada sua investiga\u00e7\u00e3o com adultos mais velhos, h\u00e1 algo novo no amor nessa idade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ID: A viv\u00eancia do amor, sobretudo do amor no casal, \u00e9 sempre uma experi\u00eancia \u00fanica, n\u00e3o \u00e9? Qualquer que seja a idade. \u00c9 uma experi\u00eancia de transforma\u00e7\u00e3o profunda e nesse sentido nos conecta com o mais singular. Mas tamb\u00e9m \u00e9 certo que podemos fazer certas caracteriza\u00e7\u00f5es da viv\u00eancia do amor em fun\u00e7\u00e3o das etapas. E, nesse sentido, a velhice, me parece que a velhice traz perspectivas interessantes acerca dessas experi\u00eancias amorosas por muitas raz\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, por causa da pr\u00f3pria riqueza de vida que tem uma pessoa mais velha, n\u00e3 \u00e9 verdade? O amor nos atravessa j\u00e1 assentados e com um percurso importante, com uma consci\u00eancia mais clara de si do que nas outras etapas da vida, me parece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que, \u00e0s vezes, n\u00e3o aprendemos com nossos erros, temos ao menos inconscientemente certos alertas em rela\u00e7\u00e3o ao que nos aconteceu antes e se volta a nos acontecer, bem&#8230; h\u00e1 mais possibilidades para a pergunta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a viv\u00eancia do amor na velhice est\u00e1 atravessada por m\u00faltiplos preconceitos, e nesse sentido, a cultura patriarcal ocupa a\u00ed um lugar muito importante, porque as mulheres, em particular, geralmente estamos muito presas a padr\u00f5es valorativos que esta maneira de entender a vida imp\u00f5em, e somos as mulheres as que geralmente nos inibimos mais no desejo er\u00f3tico amoroso que pode aflorar na velhice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos homens mais velhos o sistema patriarcal cobra seu tributo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pot\u00eancia, \u00e9 o medo de \u2018n\u00e3o poder\u2019 em todas as ordens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, tudo isso se supera ou bem se p\u00f5e em movimento, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A favor da express\u00e3o do amor, acontecem coisas maravilhosas. Acontecem v\u00ednculos que nos assombram, que s\u00e3o&#8230; poder\u00edamos dizer, da ordem do m\u00e1gico porque a viv\u00eancia do amor na velhice acredito que \u00e9 mais cuidada, mais prudente e tamb\u00e9m mais intensa pelo alcance que tem a vida de cada um dos participantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A oportunidade que tiveram muitas pessoas mais velhas, homens e mulheres, de sair do arm\u00e1rio, no amor, n\u00e3o? E que o fizeram porque hoje, por sorte, vivemos em uma cultura aberta nesse sentido, n\u00e3o? Mais s\u00e1bia, eu diria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o&#8230;, bem, \u00e9 muito comovente ver casais de mulheres ou casais de homens que, inclusive, puderam se casar, que puderam formalizar, ou que puderam diz\u00ea-lo diretamente aos quatro ventos, como met\u00e1fora, n\u00e3o? Que haviam vivido esse amor por muitos anos ou toda a vida, mas de uma maneira clandestina porque n\u00e3o se sentiam autorizados pela sociedade em que vivem.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">Parte 2<\/p>\n<p><strong>AA:<\/strong> <strong>A tend\u00eancia a la\u00e7os l\u00edquidos se evidencia entre as pessoas mais velhas? <\/strong><\/p>\n<p>ID: A tend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 ao estabelecimento de la\u00e7os l\u00edquidos.<\/p>\n<p>Essa velhice, ou seja, em rela\u00e7\u00e3o ao segmento de pessoas mais velhas, que hoje se apaixonam ou vivem o amor.E acredito que isso da&#8230; tend\u00eancia a buscar rela\u00e7\u00f5es afetivas com proje\u00e7\u00e3o, com durabilidade, n\u00e3o l\u00edquidas, por sua vez, est\u00e1 ligada \u00e0 biografia, ao contexto cultural que essa gera\u00e7\u00e3o de baby boomers, para colocar um termo universal, viveram. As pessoas mais velhas de hoje, de sessenta anos ou mais, viveram a rela\u00e7\u00e3o de casal sobretudo, as rela\u00e7\u00f5es amorosas, num enquadre de pautas claras em rela\u00e7\u00e3o \u2013 se estamos falando de ocidente \u2013 \u00e0 monogamia, \u00e0 estabilidade desse v\u00ednculo, a import\u00e2ncia da constitui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, enfim, com a possibilidade de ruptura e de reestabelecimento de um novo v\u00ednculo, mas dentro deste esquema monog\u00e2mico, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 certo que quando essas pessoas eram jovens, n\u00e3o? Ou&#8230; viveram a maior quantidade de anos de sua vida, porque estamos falando de sessenta anos ou mais em rela\u00e7\u00e3o a uma expectativa de vida de oitenta ou mais, a maior quantidade de anos vividos, o fizeram baseados numa cultura, tamb\u00e9m hip\u00f3crita em rela\u00e7\u00e3o ao amor de casal.<\/p>\n<p>Sobre o amor l\u00edquido, me parece que n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o presente nos amores na velhice, ainda que, certamente, haveria um matiz a fazer a esta afirma\u00e7\u00e3o e \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 consci\u00eancia da finitude. Ent\u00e3o, muitas pessoas mais velhas se anima a iniciar ou a revivificar sua rela\u00e7\u00e3o de casal \u2013 tamb\u00e9m isso acontece \u2013 a renovar esse amor, mas com mais consci\u00eancia da finitude, de que em qualquer momento a morte pode chegar e a\u00ed \u00e9 tamb\u00e9m onde se produz a possibilidade de uma mudan\u00e7a e de uma conex\u00e3o mais profunda com o desejo amoroso, porque se costuma valoriza cada instante.<\/p>\n<p>A luminosidade que aparece nos olhos, no corpo, na pele de uma pessoa quando se apaixona. E nisto&#8230; n\u00e3o me parece que tenha idade.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">Parte 3<\/p>\n<p><strong>AA: O que nos ensina sua frase \u201cn\u00e3o se aposenta da vida\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>ID: Essa frase tem a ver com a sustenta\u00e7\u00e3o do desejo, com a sustenta\u00e7\u00e3o da vida em nosso corpo, em nosso esp\u00edrito, em nossa mente.<\/p>\n<p>E, do ponto de vista jur\u00eddico, a palavra aposentadoria tem um peso muito forte em nossas vidas, n\u00e3o \u00e9? Porque automaticamente se associa com o passivo, com o in\u00fatil, com um custo social, com ser uma carga, com j\u00e1 n\u00e3o ter projetos, ou, mais que ter projetos, n\u00e3o poder projetar, a impossibilidade de nos projetarmos&#8230; nada disso \u00e9 o que nos diz o amor.<\/p>\n<p>A aposentadoria \u00e9 um mecanismo de controle do mercado de trabalho, nem mais nem menos que isso, num sistema produtivo&#8230; bom, que hoje se chama capitalista e que tem seus bem\u00f3is, aspectos positivos e negativos, mas \u00e9 o que h\u00e1, o que coube a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o&#8230; mas claro, este sistema de aposentadoria toca fundo na cultura \u2013 inclusive amorosa \u2013 porque j\u00e1 lhes digo, se associa velhice com passividade, e n\u00e3o h\u00e1 nada mais assassino do amor que esta perspectiva. Digo assassino no sentido metaf\u00f3rico, mas tamb\u00e9m intenso, como denota a palavra.<\/p>\n<p>No amor n\u00e3o h\u00e1 lugar para a passividade, no amor tudo \u00e9 energia em circula\u00e7\u00e3o e \u00e9 a partir desse lugar que vivemos.<\/p>\n<p>Geralmente as mulheres mais velhas n\u00e3o se prop\u00f5em como um objetivo voltar a ter um parceiro, estar com algu\u00e9m. Isto acontece mais aos homens e aqui tamb\u00e9m incide a cultura patriarcal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cumprir com um supereu social que nos diz que devemos ser passivas, que devemos estar quietinhas, que nos diz \u201ccuidado ao se apaixonar\u201d ou inclusive ao ter fantasias sexuais, porque isso na velhice \u00e9 impudico.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que nada disso tem por que ser assim, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es coletivas e bom, espero que depois desta conversa, possamos semear perguntas, possamos semear a inquietude, o bichinho do desejo que tome todo nosso corpo, nosso esp\u00edrito e nos transcenda para o bem, para o bem.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Ruscaya Maia<br \/>\nRevis\u00e3o: Paola Salinas<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1345,"menu_order":8,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[21,11],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1340"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1340"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1363,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1340\/revisions\/1363"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1340"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1340"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}