{"id":213,"date":"2020-11-20T18:17:47","date_gmt":"2020-11-20T21:17:47","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=213"},"modified":"2020-11-20T18:17:47","modified_gmt":"2020-11-20T21:17:47","slug":"segundo-argumento","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/segundo-argumento\/","title":{"rendered":"Segundo Argumento"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><span style=\"color: #ff8700;\"><strong>Do amor repeti\u00e7\u00e3o ao novo no amor<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u201ca an\u00e1lise nos incita a esse lembrete de que n\u00e3o se conhece nenhum amor sem \u00f3dio\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> quer dizer que n\u00e3o estamos de todo nas ant\u00edpodas do ENAPOL anterior. Com efeito, o amor repeti\u00e7\u00e3o, narcisista, pulsional, o amor ao ser, \u00e0 unidade imagin\u00e1ria e ao complemento, com este empuxo a fazer Um de dois, produz sofrimento, gozo, indigna\u00e7\u00e3o perante esperan\u00e7as v\u00e3s e, \u00e0s vezes, viol\u00eancia. Isto n\u00e3o cessa de chegar a nossos consult\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a psican\u00e1lise, o amor em sua vertente de repeti\u00e7\u00e3o produziu no s\u00e9culo XX uma nova enfermidade na civiliza\u00e7\u00e3o: a neurose de transfer\u00eancia, n\u00e3o sem este tra\u00e7o genu\u00edno do amor ao analista, como indica Freud. Um novo amado diferente da figura do m\u00e9dico terapeuta. Este amor repeti\u00e7\u00e3o traz consigo um \u201cn\u00e3o querer saber\u201d do gozo. \u00c9 a paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia entrela\u00e7ada \u00e0 paix\u00e3o amorosa. Freud a chamou \u201camor \u00e0 comodidade\u201d ligada ao desejo de continuar dormindo. Em seu semin\u00e1rio sobre o novo, Miller sustenta que \u201cna psican\u00e1lise, tentamos enganar o retorno do mesmo\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste X ENAPOL iremos nos aprofundar sobre o novo no amor. No in\u00edcio de uma an\u00e1lise est\u00e1 o amor de transfer\u00eancia com a cren\u00e7a no inconsciente. Ao final surge o novo sob a forma do bem dizer e da inven\u00e7\u00e3o onde \u201co passe \u00e9 um neologismo, uma nova forma de dizer [\u2026] como se estabeleceu uma nova rela\u00e7\u00e3o com a repeti\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Um <em>witz<\/em> sancionado n\u00e3o sem o Outro do corpo e dirigido \u00e0 Escola para transmitir um dizer algo do indiz\u00edvel e incur\u00e1vel no <em>sinthome<\/em>. Dizer e amor se entrela\u00e7am no ultim\u00edssimo ensino, sendo inclusive o amor uma condi\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia do saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No territ\u00f3rio do inconsciente real e da primazia do Um-sozinho, do gozo autoer\u00f3tico, o que se pode dizer do amor? Embora os Uns-sozinhos n\u00e3o fa\u00e7am amizade entre si, \u201co amor tem esta propriedade de isolar um Um-sozinho\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, ao mesmo tempo, \u201co amor \u00e9 o que poderia fazer media\u00e7\u00e3o entre os uns-sozinhos\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Em que consiste esta media\u00e7\u00e3o em nossa pr\u00e1tica; h\u00e1 algo desta media\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia de Escola; no la\u00e7o entre analistas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar \u00e0 altura do s\u00e9culo XXI implica em se perguntar sobre o novo do amor nas novas modalidades dos la\u00e7os, nas novas formas de fam\u00edlia, de casal e na escolha sexual. Tamb\u00e9m compartilhar as novas formas lingu\u00edsticas e express\u00f5es locais de dizer o amor. Al\u00e9m disso, implica escutar o que a arte \u201cdiz\u201d hoje do amor: a literatura, o cinema e o teatro. O rap e o trap se somam aos cantares do tango e dos boleros que n\u00e3o deixam de nomear as pontes entre o imposs\u00edvel e o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste X ENAPOL, compartilharemos nossa pr\u00e1tica com os amores loucos, devastadores, erotoman\u00edacos, amores que desencadeiam e outros que enodam, que fazem supl\u00eancia. Retomaremos nas psicoses, as no\u00e7\u00f5es de amor ao del\u00edrio, em Freud, e amor morto, em Lacan. No \u00e2mbito da psican\u00e1lise aplicada, abordaremos os modos de la\u00e7o nas institui\u00e7\u00f5es e os efeitos de levar at\u00e9 elas o discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No terreno sociopol\u00edtico encontramos discursos do amor ligados a novas vers\u00f5es do Pai, que \u00e0s vezes assumem sua face mais odiosa, em nome do amor a Deus, a uma na\u00e7\u00e3o e a comunidades de gozo. Neste ponto \u201ca contribui\u00e7\u00e3o fundamental da psican\u00e1lise ao discurso da pol\u00edtica \u00e9 precisamente a desconfian\u00e7a no ideal que leva \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o em nome do amor. Trata-se de manter sempre separados o nome e a causa\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Isto pode contribuir para a renova\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a que o novo amor produz no discurso anal\u00edtico<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> e na psican\u00e1lise aplicada no la\u00e7o social. Al\u00e9m disso, isto ser\u00e1 relevante para debater sobre o amor como fator pol\u00edtico na extens\u00e3o do ato anal\u00edtico \u00e0 a\u00e7\u00e3o lacaniana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos do empuxo \u00e0 felicidade e do amor-consumo, nesta \u00e9poca do <em>sinthome<\/em>, \u201ceste enganche do sujeito sobre o meio de gozo atrav\u00e9s do amor \u00e9, para Lacan, o que se designa como o rem\u00e9dio para o mal-estar na cultura denunciado por Freud\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. Amor lacaniano, amor rem\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O X ENAPOL \u00e9 um convite aos analistas de nossas tr\u00eas Escolas para colocar no centro o novo do amor, para \u201cviraliz\u00e1-lo\u201d e enla\u00e7ar-nos nesta virtualidade pand\u00eamica, com seus dizeres em seu registro mais digno, vi\u00e1vel, e de condescender ao gozo, preservando seu n\u00facleo indiz\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alejandro Reinoso<\/strong> (NEL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Ruth Jeunon<br \/>Revis\u00e3o: Paola Salinas<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> J. Lacan, <em>Semin\u00e1rio XX. Mais, ainda<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 122.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> J. A. Miller, <em>Perspectivas do Semin\u00e1rio 5 de Lacan<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999, p. 8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> J. A. Miller, <em>op. cit.<\/em>, p. 16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>J. A. Miller, O Ser e o Um, li\u00e7\u00e3o de 23 de mar\u00e7o de 2011. In\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> J. A. Miller, \u201cUma fantasia\u201d. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00b0 42. S\u00e3o Paulo, Eolia, janeiro de 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> E. Laurent, Honoris causa na Universidade de C\u00f3rdoba. Discurso pronunciado na Universidade de C\u00f3rdoba em 2 de dezembro de 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> E. Laurent, \u201c\u00bfUn nuevo amor para el siglo?\u201d Confer\u00eancia ditada nas XX Jornadas Anuais da EOL \u201cLa praxis lacaniana\u201d, 10 e 11 de dezembro de 2011 em Buenos Aires.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> E. Laurent, \u201cLa \u00e9poca del Sinthome\u201d. Discurso pronunciado na Universidade de Buenos Aires em 27 de novembro de 2019.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":189,"menu_order":107,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[6],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/213"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/213\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":217,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/213\/revisions\/217"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=213"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=213"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}