{"id":706,"date":"2021-05-17T02:07:12","date_gmt":"2021-05-17T05:07:12","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=706"},"modified":"2021-05-17T02:07:12","modified_gmt":"2021-05-17T05:07:12","slug":"o-amor-de-transferencia-uma-suplencia-nao-tao-rara","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/o-amor-de-transferencia-uma-suplencia-nao-tao-rara\/","title":{"rendered":"O amor de transfer\u00eancia: uma supl\u00eancia n\u00e3o t\u00e3o rara"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Freud adverte sobre o paradoxo que o amor de transfer\u00eancia apresenta por ser, ao mesmo tempo, o motor do tratamento e seu mais dif\u00edcil obst\u00e1culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transfer\u00eancia se produz como supl\u00eancia quando o sujeito, ao esbarrar com seu real, demanda aten\u00e7\u00e3o. Cada demanda em nossa \u00e1rea come\u00e7a com a busca da causa, partindo de uma posi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber. Nesse \u201cn\u00e3o sei\u201d j\u00e1 est\u00e1 impl\u00edcito um elemento suplementar: a suposi\u00e7\u00e3o de saber. Quem recebe a demanda \u00e9 colocado como suplente de algu\u00e9m que porta o saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O real insiste<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> de maneira singular em nossa \u00e9poca e isso sustenta as demandas. O amor de transfer\u00eancia hoje \u00e9 uma supl\u00eancia n\u00e3o t\u00e3o rara nos meios sociais, o temos comprovado: num mundo em pandemia, as demandas se multiplicam. Al\u00e9m disso, a \u00e9poca traz o \u201cnovo\u201d, uma \u201cplasticidade\u201d excessiva de representa\u00e7\u00f5es sociais do la\u00e7o transferencial. Hoje, o sujeito se satisfaz com muito pouca coisa, est\u00e1 \u00e1vido de supl\u00eancias transferenciais. Podem oferecer-lhe po\u00e7\u00f5es de qualquer tipo que ele facilmente as engole<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> (podem ser de conceitos de psican\u00e1lise, como de muitas outras pr\u00e1ticas: a medicina qu\u00e2ntica, os anjos, as constela\u00e7\u00f5es familiares, as medica\u00e7\u00f5es, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Byung-Chul Han nomeia isso <em>\u201cAgonia do Eros\u201d<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> na atualidade. Talvez n\u00e3o o seja. Por\u00e9m, \u00e9 preciso reconhecer que o eros transferencial existe hoje sob novas condi\u00e7\u00f5es: <em>\u201ch\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o diferente do sujeito com o saber do inconsciente, h\u00e1 novas condi\u00e7\u00f5es da transfer\u00eancia.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Essa transfer\u00eancia hoje pode ser uma \u201ctransfer\u00eancia l\u00edquida\u201d, cheia de err\u00e2ncias e\/ou \u201cerot\u00f4mana\u201d; pode ser habitada pelo \u201cam\u00f3dio\u201d; ser objetalizada no autismo; pode se transformar em \u201csintoma\u201d e \u201csofrimento\u201d; deve suportar o narcisismo c\u00ednico de hoje que exige \u201cum pouco mais de satisfa\u00e7\u00e3o\u201d; produzir um lugar modesto naqueles sintomas que n\u00e3o falam; suprir borromeanamente a estrutura psic\u00f3tica; evitar a demanda de com ela [a transfer\u00eancia] governar o sintoma ou ser o \u00faltimo \u201creduto\u201d para algumas solid\u00f5es contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o est\u00e1 em saber orientar a demanda para n\u00e3o fazer com ela uma <em>\u201csugest\u00e3o grosseira\u201d<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><em><sup><strong>[5]<\/strong><\/sup><\/em><\/a>. O analista se reconhece como testa de ferro da fun\u00e7\u00e3o de Sujeito Suposto Saber; significa\u00e7\u00e3o de saber que substitui o saber do eu. Saber manobrar com essa suposi\u00e7\u00e3o de saber exige reconhecer a especificidade determinada com a qual o sujeito se enla\u00e7a na transfer\u00eancia, para us\u00e1-la, dos\u00e1-la, contradiz\u00ea-la, comov\u00ea-la. Al\u00e9m disso, hoje, a manobra inclui um saber fazer quando se est\u00e1 inscrito em um discurso de c\u00f3digos e standards que regem as pr\u00e1ticas cl\u00ednicas na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os; e deve-se saber fazer com o novo das tecnologias e das redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o se pode ignorar em qualquer momento transferencial \u00e9 que o desejo do analista encobre um para al\u00e9m dessa supl\u00eancia: faz-se <em>partenaire<\/em> do sintoma; suporte para a aproxima\u00e7\u00e3o ao que faz \u201c<em>trou-matisme<\/em>\u201d, conduzindo at\u00e9 a outra margem onde dito amor j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio porque foi capturado em \u201csua ess\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. A supl\u00eancia transferencial se amplifica com a interpreta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de saber, mas com aquela interpreta\u00e7\u00e3o que equivoca, que faz corte, que perturba, que produz perplexidade e que provoca um despertar. O inconsciente se produz porque o desejo do analista \u00e9 uma supl\u00eancia que o faz existir. A transfer\u00eancia exige ao desejo do analista reposicionar o <em>une b\u00e9vue<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> que separa o H\u00e1 Um daquilo que representa o Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso desafio, hoje, \u00e9 colocar a c\u00e9u aberto essa supl\u00eancia que \u00e9 a transfer\u00eancia, como embarca\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria que transporta a condi\u00e7\u00e3o de gozo do ser falante de uma margem a outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Fernando <strong>Vel\u00e1squez Valencia<\/strong> (NEL &#8211; AMP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Bruna Guaran\u00e1<br \/>\nRevis\u00e3o: Renata Martinez<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lacan, J. <em>\u201cA Terceira\u201d. <\/em>In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n.62. Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, dez. 2011, pg. 18.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lacan, J. <em>\u201cO engano do sujeito suposto saber\u201d<\/em>. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001, pg. 336.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201cO neoliberalismo, com seus impulsos do eu e de desempenho desenfreados, \u00e9 uma ordem social da qual o eros desapareceu totalmente.\u201d [&#8230;] \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas a oferta de outros <em>outros <\/em>que contribui para a crise do amor, mas a eros\u00e3o do <em>Outro<\/em>, que por ora ocorre em todos os \u00e2mbitos da vida e caminha cada vez mais de m\u00e3os dadas com a narcisifica\u00e7\u00e3o do si-mesmo.\u201d [&#8230;] \u201cAssim, a tend\u00eancia da sociedade de consumo \u00e9 eliminar a alteridade\u2026\u201d <em>\u00a0<\/em>\u00a0In: Byung-Chul Han, <em>Agonia do Eros. <\/em>Petr\u00f3polis, RJ: Editora Vozes, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre do espa\u00f1ol. No original:<em>\u201chay una relaci\u00f3n distinta del sujeto con el saber del inconsciente, hay nuevas condiciones de la transferencia\u201d<\/em>. In: Bassols, M. <em>Las condiciones de la transferencia.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lacan, J. <em>\u00abA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d<\/em>. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.1995, pg.597.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> (o um engano) Lacan, J. \u201cO engano do sujeito suposto saber\u201d. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2001. Pg. 336. \u201cO que o psicanalista de hoje poupa ao psicanalisante \u00e9 justamente o que dissemos acima: n\u00e3o \u00e9 aquilo que lhe diz respeito, que ele n\u00e3o tarda a ficar pronto para engolir, j\u00e1 que nisso se esmeram as formas, as formas da po\u00e7\u00e3o\u2026 Ele abrir\u00e1 seu biquinho delicado de bicota; abrir\u00e1, n\u00e3o abrir\u00e1. N\u00e3o, o que o psicanalista acoberta, j\u00e1 que ele mesmo se protege disso, \u00e9 que possa se dizer alguma coisa sem que nenhum sujeito o saiba.\u201d N.T: na trdu\u00e7\u00e3o do espanhol o termo usado entre parenteses pelo autor e no titulo do texto de Lacan \u00e9 equivocaci\u00f3n, o que d\u00e1 outra conota\u00e7\u00e3o, frente ao que o autor cita antes a respeito de <em>une b\u00e9vue.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Miller, Jacques-Alain. <em>El ultim\u00edsimo Lacan, <\/em>Bs. As., Paid\u00f3s, 2014<em>. <\/em>Op. cit. p. 142.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":707,"menu_order":70,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[17,12],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/706"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=706"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":708,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/706\/revisions\/708"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/707"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=706"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=706"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}