{"id":759,"date":"2021-06-04T10:52:33","date_gmt":"2021-06-04T13:52:33","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=759"},"modified":"2021-06-04T12:35:16","modified_gmt":"2021-06-04T15:35:16","slug":"um-amor-mais-digno","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/um-amor-mais-digno\/","title":{"rendered":"Um amor mais digno"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Esta mesa me re\u00fane a velhos camaradas, com quem dividi o in\u00edcio do Campo Freudiano, a funda\u00e7\u00e3o das Escolas. \u00c9 um caminho que nos marcou e nos fez companheiros de uma mesma rota<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. \u00c9 algo especial estar aqui juntos, apesar de tudo, nos encontrando gra\u00e7as \u00e0 iniciativa de nosso amigo em comum, Ricardo Seldes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O amor e a falta<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando comecei a pensar como intervir hoje, me dei conta de que o t\u00edtulo do X ENAPOL era, verdadeiramente, uma aposta muito forte: \u201cO novo no amor\u201d. Normalmente, o novo nos surpreende, n\u00e3o sabemos o que \u00e9 novo at\u00e9 o encontrarmos; n\u00e3o podemos nos antecipar, porque se nos antecipamos, deixa de ser novo. Estamos, ent\u00e3o, em uma conjuntura dif\u00edcil, como fazer para inventar o novo? N\u00f3s n\u00e3o inventamos o novo, de repente surge algo e oh!: \u00e0s vezes com um tom de decep\u00e7\u00e3o (n\u00e3o \u00e9 o que eu esperava\u2026), e \u00e0s vezes com o colorido do bom encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o me pus a imaginar: se houvesse algo novo no amor, o que seria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha primeira resposta foi: se houvesse algo novo no amor, teria que estar fora do narcisismo, que \u00e9 a doutrina cl\u00e1ssica que Freud nos legou sobre o amor. Amar a si mesmo atrav\u00e9s do outro \u00e9 uma boa f\u00f3rmula que resume bem as variantes do narcisismo: amar o outro que \u00e9 meu ideal de eu, amar o outro que \u00e9 meu semelhante, amar o outro como fui amado. Lacan formaliza isso atrav\u00e9s do est\u00e1dio do espelho. Trata-se, finalmente, do registro imagin\u00e1rio do amor, esse que estamos acostumados a escrever entre a-a\u2019. N\u00e3o quero dizer que isto seja alheio ao registro do amor, apenas que n\u00e3o seria justo dizer que \u00e9 o novo quando o texto de Freud \u00e9 de 1914.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, certamente, tenta ir al\u00e9m e articula ent\u00e3o o amor ao falo, quer dizer, \u00e0 castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito firme esta orienta\u00e7\u00e3o, este caminho que Lacan toma, e valeria a pena perguntar \u2013 j\u00e1 que queremos nos interrogar sobre o novo no amor \u2013 se, em algum momento, ele abandona esta articula\u00e7\u00e3o entre amor e castra\u00e7\u00e3o. E se pensamos que a abandona, seria preciso localizar bem onde, porque s\u00e3o muitos os exemplos que insistem na articula\u00e7\u00e3o do amor com a castra\u00e7\u00e3o, apesar dos anos transcorridos entre um registro e outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida, a refer\u00eancia mais familiar que temos sobre a articula\u00e7\u00e3o entre amor e castra\u00e7\u00e3o \u00e9 a que afirma que amar \u00e9 dar o que n\u00e3o se tem<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>; ali o amor est\u00e1 claramente relacionado ao falo como faltante: o que n\u00e3o se tem. \u00c9 uma orienta\u00e7\u00e3o bem distinta da Freud. Trago-lhes, por exemplo, uns par\u00e1grafos de que eu gosto muito e que evoco toda vez que posso. Voc\u00eas os encontram na Confer\u00eancia 33: <em>\u201cA m\u00e3e somente obt\u00e9m satisfa\u00e7\u00e3o sem limites na sua rela\u00e7\u00e3o com seu filho menino; este \u00e9, sem exce\u00e7\u00e3o, o mais perfeito, o mais livre de ambival\u00eancia de todos os relacionamentos humanos.\u00bb<\/em> E no mesmo par\u00e1grafo, um pouco mais abaixo, termina com esta ideia surpreendente: \u201c<em>Um casamento n\u00e3o se torna seguro enquanto a esposa n\u00e3o conseguir tornar seu marido tamb\u00e9m seu filho, e agir com rela\u00e7\u00e3o a ele como m\u00e3e.\u201d<\/em> <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Trata-se, manifestamente, da articula\u00e7\u00e3o entre o falo e a crian\u00e7a, da equa\u00e7\u00e3o crian\u00e7a-falo \u00e0 qual se soma, por deslocamento, o pr\u00f3prio homem enquanto portador. Lacan modifica isto: n\u00e3o se trata do falo como presen\u00e7a, metaforizado pelo filho, mas do falo como aus\u00eancia; \u00e9 dar o que n\u00e3o se tem. Aqui o falo n\u00e3o vela a castra\u00e7\u00e3o como nos exemplos de Freud, aqui a castra\u00e7\u00e3o \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o mesma do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa mesma l\u00f3gica, no <em>Semin\u00e1rio 8,<\/em> Lacan constr\u00f3i a met\u00e1fora entre o amante e o amado. Tamb\u00e9m no <em>Semin\u00e1rio 8<\/em>, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cena que Alcib\u00edades faz para S\u00f3crates, Lacan formula que \u00e9 preciso ter atravessado todo o temor da castra\u00e7\u00e3o para poder fazer semelhante declara\u00e7\u00e3o de amor<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> e deixa, assim, aberta a via para entender o efeito de feminiza\u00e7\u00e3o que o amor produz no homem, posto que, para elas, a castra\u00e7\u00e3o n\u00e3o funciona como amea\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Vers\u00f5es da castra\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma mudan\u00e7a radical parece se produzir no <em>Semin\u00e1rio 20<\/em>, onde Lacan apresenta o amor como supl\u00eancia \u00e0 inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Mas, pensando bem, o amor como supl\u00eancia n\u00e3o deixa de estar inserido na l\u00f3gica da castra\u00e7\u00e3o se se leva em conta o que Miller prop\u00f5e em seu \u00faltimo curso, \u201cO ser e o Um\u201d: a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe \u00e9 o \u00faltimo elo na reelabora\u00e7\u00e3o, por parte de Lacan, da castra\u00e7\u00e3o freudiana.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> A partir do \u201cn\u00e3o h\u00e1 Outro do Outro\u201d, passando pelo \u201cn\u00e3o h\u00e1 metalinguagem\u201d e o \u201cn\u00e3o h\u00e1 transfer\u00eancia da transfer\u00eancia\u201d, por exemplo, encontramos distintas vers\u00f5es do \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d com as quais Lacan vai desimaginarizando a castra\u00e7\u00e3o freudiana at\u00e9 desembocar naquilo que fica radicalmente fora da dial\u00e9tica da falta, que \u00e9 o \u201ch\u00e1\u201d, a exist\u00eancia do gozo para al\u00e9m da castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, a rigor, no caminho que vai desde \u201co amor \u00e9 dar o que n\u00e3o se tem\u201d at\u00e9 o <em>Semin\u00e1rio<\/em> <em>20<\/em>, n\u00e3o sa\u00edmos, verdadeiramente, do registro que enla\u00e7a amor e castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como queremos trabalhar o novo no amor, eu gostaria de fazer uma precis\u00e3o sobre o subt\u00edtulo do ENAPOL, que fala das formas contempor\u00e2neas do la\u00e7o. \u00c9 frequente encontrar em nossa comunidade a articula\u00e7\u00e3o entre o discurso capitalista e o amor. Queria, simplesmente, recordar como Lacan apresenta tal articula\u00e7\u00e3o. Ele o faz no texto <em>Estou falando com as paredes<\/em> \u2013 voc\u00eas o encontram nesses pequenos livros que compilam diferentes confer\u00eancias de Lacan. Ali se l\u00ea que o discurso capitalista n\u00e3o quer saber nada da castra\u00e7\u00e3o, foraclui, ent\u00e3o, as coisas do amor<em>.<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0Eu o cito para indicar que, ainda quando se refere \u00e0s consequ\u00eancias do discurso capitalista sobre o amor, a refer\u00eancia de Lacan volta a ser a castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Um saber imposs\u00edvel<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessa-me comentar um texto que \u00e9 contempor\u00e2neo ao <em>Semin\u00e1rio 20<\/em> onde encontro algo \u2013 n\u00e3o me animaria a dizer novo \u2013 mas algo que me faz pensar, e os convido a me acompanharem nisso, que n\u00e3o \u00e9 simples. O texto \u00e9 a \u201cNota italiana\u201d e vou ler um pequeno par\u00e1grafo das p\u00e1ginas 330 e 331 dos <em>Outros Escritos<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em>. Lacan afirma ali que a rela\u00e7\u00e3o sexual somente se demonstra imposs\u00edvel pela escrita: <em>\u201cSem tentar essa rela\u00e7\u00e3o da escrita n\u00e3o h\u00e1 meio, com efeito, de chegar ao que [\u2026] propus como objetivo pelo qual a psican\u00e1lise se igualaria \u00e0 ci\u00eancia: a saber, demonstrar que essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel de escrever [\u2026]\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em> Sua ambi\u00e7\u00e3o nesse momento \u00e9 que a psican\u00e1lise se iguale \u00e0 ci\u00eancia, estamos no Lacan dos anos 70. Se a psican\u00e1lise se equipara \u00e0 ci\u00eancia, deveria n\u00e3o somente proferir, mas demonstrar que essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel de escrever. N\u00e3o basta saber que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, <em>\u201c&#8230;esse saber n\u00e3o \u00e9 pouco. Pois o que se trata \u00e9 de que, acessando o real <\/em>[a psican\u00e1lise<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>] ele o <em>determina, tanto quanto o saber da ci\u00eancia\u201d.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 esta ambi\u00e7\u00e3o de que a psican\u00e1lise consiga determinar o real, assim como o faz a ci\u00eancia? O que a ci\u00eancia determina no contexto do que estamos comentando? Que h\u00e1 saber no real \u00e0 espera do bom prestidigitador que o fa\u00e7a emergir, diz Lacan. Se trasladarmos isso para o nosso campo, nos encontramos no registro da repeti\u00e7\u00e3o, quer dizer, de um saber que j\u00e1 est\u00e1 escrito e que \u00e9 preciso fazer emergir. \u00c9 uma ideia que est\u00e1 de acordo com a do inconsciente como um saber n\u00e3o sabido que \u00e9 preciso tornar manifesto, mas se trata sempre de um saber que j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan n\u00e3o vai por a\u00ed. Sua ideia \u00e9 que, assim como a ci\u00eancia determina que h\u00e1 um saber no real, a psican\u00e1lise deveria determinar que h\u00e1 um saber que falta no real: o da rela\u00e7\u00e3o sexual. N\u00e3o \u00e9 um saber n\u00e3o sabido, \u00e9 um saber que n\u00e3o h\u00e1, imposs\u00edvel de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, Lacan fala do passe (lembrem-se de que se trata da Nota italiana, onde prop\u00f5e o passe como dispositivo para formar o grupo italiano). Diz: \u201c\u2026 tentar, a partir deles [dos AE], que apesar dos pesares passaram por suas provas no saber, aumentar os recursos gra\u00e7as aos quais venhamos a prescindir dessa rela\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda [a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe] para fazer o amor mais digno do que a profus\u00e3o do palavr\u00f3rio que ele constitui at\u00e9 hoje.\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Temos que levar em conta que no semin\u00e1rio 20, Lacan afirma que na an\u00e1lise n\u00e3o fazemos outra coisa sen\u00e3o falar de amor<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Falar de amor \u00e9 um gozo que est\u00e1 no lugar do gozo que falta. Como fazer ent\u00e3o do amor algo mais digno do que o palavr\u00f3rio a que estamos acostumados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se no dia de hoje tenho que pensar numa pequena refer\u00eancia de Lacan a algo novo no amor, \u00e9 esta refer\u00eancia: a de esperar dos A.E., que deram provas do saber que extra\u00edram de sua pr\u00f3pria an\u00e1lise, uma amplia\u00e7\u00e3o, algo que v\u00e1 al\u00e9m do palavr\u00f3rio sobre o amor a que estamos acostumados. Esse seria um amor mais digno, o que n\u00e3o seria v\u00e9u da rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o existe sen\u00e3o o que provaria que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o que falta no real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Provar o imposs\u00edvel por meio do contingente<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluo com o seguinte: A ambi\u00e7\u00e3o de Lacan, a esta altura \u2013 estamos no semin\u00e1rio 20 \u2013 \u00e9 que a psican\u00e1lise possa, ao modo da ci\u00eancia, determinar o real, determinar a rela\u00e7\u00e3o sexual como imposs\u00edvel de escrever. E como o faria? Leiamos, ainda, um par\u00e1grafo de \u201cTelevis\u00e3o\u201d: \u201cBasta que, em algum lugar, a rela\u00e7\u00e3o sexual cesse de n\u00e3o se escrever, que se estabele\u00e7a a conting\u00eancia (d\u00e1 na mesma), para que se conquiste um esbo\u00e7o do que dever\u00e1 ser conclu\u00eddo para demonstrar essa rela\u00e7\u00e3o como imposs\u00edvel, ou seja, institu\u00ed-la no real\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. E Miller coloca como colof\u00e3o: <em>O amor<\/em>. Provar o imposs\u00edvel por meio do contingente \u00e9 provar o imposs\u00edvel por meio do amor. E se se trata da an\u00e1lise, \u00e9 provar o imposs\u00edvel por meio do amor\u2026 de transfer\u00eancia. Retomo, ent\u00e3o, o tema do amor de transfer\u00eancia que comentamos hoje. O amor n\u00e3o \u00e9 somente o que permite o gozo condescender ao desejo, \u00e9 tamb\u00e9m o que permite demonstrar o imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter\u00edamos que interrogar os A.E.: de que maneira voc\u00ea encontrou em sua pr\u00f3pria vida o imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual? De que maneira voc\u00ea se deparou com isso? Conte-nos! E conte-nos como essa conting\u00eancia e essa impossibilidade se puseram em ato na transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>E provar o contingente por meio do amor<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos, ainda, dar uma volta a mais. Pelo lado da rela\u00e7\u00e3o sexual, desembocamos no real como imposs\u00edvel mas, pelo lado do amor, desembocamos no real como contingente, sem lei, um real feito de encontros, de conting\u00eancias, de imprevistos onde o que n\u00e3o est\u00e1 escrito pode chegar a se escrever, contingencialmente, por acaso. Ent\u00e3o, para terminar, me parece que minha proposta \u00e9 que um amor mais digno aspiraria n\u00e3o somente a determinar o real como imposs\u00edvel atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe, mas a determinar o real como contingente a partir do que pode cessar de n\u00e3o se escrever no amor. Isso daria uma perspectiva nova onde algo do saber psicanal\u00edtico se ampliaria para al\u00e9m do palavr\u00f3rio a que estamos acostumados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>In Fine<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo que d\u00e1 t\u00edtulo a esta mesa \u201cA revaloriza\u00e7\u00e3o do amor\u201d, apoia-se em uma pergunta: Pode o amor dirigir-se a algo diferente da imagem no outro ou, inclusive, buscar no outro outra coisa al\u00e9m de sua resposta enquanto grande Outro? Pode o amor ir al\u00e9m do narcisismo, do signo de amor? Pode, por acaso, o amor apontar o gozo? Pode-se amar o Outro em seu gozo? <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> Bem, isto seria algo novo no amor, para al\u00e9m da castra\u00e7\u00e3o, que nos conduziria direto ao que Lacan chamou de sexua\u00e7\u00e3o feminina e a essa rela\u00e7\u00e3o que uma mulher pode ter com o Outro, para al\u00e9m da castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Graciela Brodsky<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Ruskaya Maia<br \/>\nRevis\u00e3o: Paola Salinas<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Interven\u00e7\u00e3o apresentada na Segunda Conversa\u00e7\u00e3o para o X ENAPOL, \u201cRevaloriza\u00e7\u00e3o do amor\u201d, em mesa compartilhada com Ronald Portillo e Romildo do R\u00eago Barros, em 17 de abril de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Lacan, J.,<em> O Semin\u00e1rio, livro 5, As forma\u00e7\u00f5es do inconsciente<\/em>, J. Zahar, Rio de Janeiro, 1999, p. 218<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Freud, S. Confer\u00eancia XXXIII. Feminilidade (1933 [1932]). In: Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>standard\u00a0<\/em>brasileira. Vol XXII. Rio de Janeiro: Imago, 1976, pgs. 163 e 164.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Lacan, J. <em>O Seminario, livro 8, A transfer\u00eancia<\/em>, J. Zahar, Rio de Janeiro, 1992, p. 160.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Miller, J.-A., Curso de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, \u201cO ser e o um\u201d, aula 4, 9 de fevereiro de 2011, in\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Lacan, J.<em> Estou falando com as paredes, <\/em>J. Zahar, Rio de Janeiro, 2011, p. 88<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> N.T.: p\u00e1ginas 314 e 315 na edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Lacan, J., \u201cNota italiana\u201d, <em>Outros Escritos,<\/em> J. Zahar, Rio de Janeiro, 2012, p. 314.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> N.T.: em espanhol <em>psican\u00e1lise <\/em>\u00e9 uma palavra masculina, o que permite sua inser\u00e7\u00e3o e concord\u00e2ncia na frase com o pronome <em>ele<\/em>, que na Nota Italiana se refere ao saber da psican\u00e1lise. O mesmo n\u00e3o ocorre em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a><em>Ib\u00edd.<\/em>p. 315<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>Lacan, J., \u201cNota italiana\u201d, <em>op. cit<\/em>. 315<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Lacan, J., <em>O Semin\u00e1rio, livro 20, Mais, Ainda<\/em>, J. Zahar, Rio de Janeiro, 1985, p. 112.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Lacan, J., \u201cTelevis\u00e3o\u201d, <em>Outros Escritos,<\/em> J. Zahar, Rio de Janeiro, 2012, p. 537.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>Miller, J.-A., <em>El partenaire-s\u00edntoma<\/em>, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2008.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":770,"menu_order":61,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[27],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/759"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=759"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":773,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/759\/revisions\/773"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=759"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=759"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}