{"id":764,"date":"2021-06-03T20:43:31","date_gmt":"2021-06-03T23:43:31","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=764"},"modified":"2021-06-07T11:42:45","modified_gmt":"2021-06-07T14:42:45","slug":"revalorizar-o-amor","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/revalorizar-o-amor\/","title":{"rendered":"Revalorizar o amor"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: right;\"><strong>Quest\u00e3o de fundo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Revalorizar o amor: isto quer dizer que o amor algum dia<br \/>\nfoi valorizado e degradou-se, e \u00e9 preciso re-valoriz\u00e1-lo?<br \/>\nOu, ent\u00e3o, que \u00e9 preciso encarar o amor sob a \u00f3tica<br \/>\ndo valor (de uso e de troca), a partir de uma<br \/>\nmudan\u00e7a no seu status?<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em>Eu, o Parceiro e o Amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cEu o amava. Porque era ele e porque era eu\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos conhecem sem d\u00favida esta explica\u00e7\u00e3o, dada por Michel de Montaigne sobre o porqu\u00ea da sua grande amizade com Etienne de la Bo\u00e9tie, o autor de <em>Servid\u00e3o Volunt\u00e1ria<\/em>. O nosso Chico Buarque, ali\u00e1s, comp\u00f4s uma can\u00e7\u00e3o baseada diretamente nessa frase de Montaigne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta de Montaigne me inspirou uma charada: se ele era ele e eu era eu, e os dois eram inteiros, por qual brecha passaria o amor&#8230;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram necess\u00e1rios alguns s\u00e9culos para que Freud, batizando o amor com um novo conceito, <em>\u00dcbertragung<\/em>, a transfer\u00eancia, pudesse matar a charada: haveria alguma coisa entre Montaigne e de la Bo\u00e9tie, sob a forma de uma associa\u00e7\u00e3o &#8211; hist\u00f3rica ou lingu\u00edstica -, que nem era um e nem era o outro, e por isso se amavam. O amor precisa, ent\u00e3o, remeter a um terceiro elemento, sob pena de n\u00e3o existir. Se ele existe, \u00e9 porque vem de um outro lugar&#8230; Isto est\u00e1 ligado, naturalmente, ao fundamento maior da psican\u00e1lise, que \u00e9 a postula\u00e7\u00e3o de que o sexo humano n\u00e3o tem um objeto adequado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Lacan, vamos aprender que n\u00e3o somente os dois elementos de qualquer encontro n\u00e3o se completam, como tamb\u00e9m \u00e9 o fato de n\u00e3o se completarem que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o do terceiro como supl\u00eancia. O \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, neste sentido, \u00e9 logicamente anterior e mais abrangente do que a ideia de que os objetos sexuais n\u00e3o s\u00e3o naturalmente adequados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de explicar o amor, a solu\u00e7\u00e3o da charada tamb\u00e9m indica que est\u00e3o aqui as condi\u00e7\u00f5es para as rela\u00e7\u00f5es entre o amor e o desejo. O amor, o amor comum, o amor humano, que persegue semblantes e nessa busca faz \u00e0s vezes sofrer miseravelmente, tem de percorrer um caminho, que \u00e9 de linguagem, para finalmente consistir, apesar da aparente estabilidade e fixidez dos corpos. E quando consiste, ou \u00e9 preciso que o sujeito se mantenha na ilus\u00e3o de ter encontrado o objeto adequado, at\u00e9 onde e at\u00e9 quando isto \u00e9 poss\u00edvel (a discrep\u00e2ncia entre o amor e seu objeto acaba aparecendo, como todos sabemos); ou ent\u00e3o um novo amor surgir\u00e1 na cena do mundo: na experi\u00eancia amorosa de cada um e como marca cultural. \u00c9 tarefa essencial da psican\u00e1lise, e nisto ela \u00e9 insubstitu\u00edvel, ajudar no surgimento desse novo amor, e constatar de qual transforma\u00e7\u00e3o \u2013 nos modos de gozar, provavelmente &#8211; prov\u00e9m o seu surgimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o novo amor, teremos conhecido uma revaloriza\u00e7\u00e3o do amor. N\u00e3o no sentido do resgate de um valor que teria existido nos tempos heroicos e se degradou ao longo do tempo, mas no do aparecimento de um valor in\u00e9dito, em condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o existiam antes. O amor continua seu destino de liga\u00e7\u00e3o com os semblantes, \u00e9 pr\u00f3prio dele, mas amarrado a algo diferente da pura circula\u00e7\u00e3o dos significantes, que representam um objeto que na verdade n\u00e3o poder\u00e1 ser localizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fun\u00e7\u00e3o mediadora do amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Creio que todas as religi\u00f5es e todas as sabedorias, ou quase todas, antigas e atuais, de alguma maneira anunciaram o amor como a sa\u00edda para o sofrimento humano. Cada uma delas a seu modo, todas, ou quase todas, reconheceram a fun\u00e7\u00e3o do amor como um Janus \u2013 que tamb\u00e9m tinha a fun\u00e7\u00e3o de mediador &#8211; entre a virtude e o pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, que n\u00e3o era religioso e nem apostava suas fichas nas sabedorias antigas ou novas, definiria essa fun\u00e7\u00e3o mediadora do amor no Semin\u00e1rio sobre a ang\u00fastia com a frase lapidar amplamente conhecida:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 o amor permite ao gozo condescender ao desejo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A posi\u00e7\u00e3o do amor como mediador <em>entre <\/em>gozo e desejo n\u00e3o \u00e9 exatamente uma localiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais uma passagem. O que est\u00e1 localizado, o que constitui a <em>mediana<\/em> entre gozo e desejo, completa Lacan, n\u00e3o \u00e9 o amor, mas a ang\u00fastia, o que \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o cl\u00ednica bem precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques-Alain Miller nos explica a fun\u00e7\u00e3o mediadora do amor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab O amor \u00e9 aqui mediador porque ele desloca ou falsifica o pequeno <em>a<\/em>, fazendo-o passar para objeto-visada, tornando-o <em>agalma<\/em> \u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um outro contexto e outra \u00e9poca, Miller havia feito uma afirma\u00e7\u00e3o que vai na mesma dire\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c&#8230;o amor \u2013 nesse caso o amor de transfere\u0302ncia \u2013 e\u0301 um desconhecimento, ou talvez melhor, um engano; que no amor ha\u0301 um engano (tese bem conhecida), porque se esconde o objeto <em>a <\/em>como dejeto.\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, o objeto <em>a<\/em>, nessa falsifica\u00e7\u00e3o <em>(palavra fundamental para falar do amor, que n\u00e3o \u00e9 pens\u00e1vel sem ela), <\/em>na medida em que se esconde como dejeto, desloca-se de detr\u00e1s do sujeito, onde Lacan o situa como causa do desejo no Semin\u00e1rio 10, para a frente, lugar dos objetos preciosos que o sujeito persegue. Sendo assim, cada objeto precioso, ou cada s\u00e9rie meton\u00edmica de objetos preciosos, carrega em si a marca da falsifica\u00e7\u00e3o que lhe deu origem. Penso que \u00e9 uma maneira simples de entender a fun\u00e7\u00e3o da causa do desejo. O objeto \u00e9 causa do desejo porque funda a falta que est\u00e1 na raiz do desejo. O objeto, ent\u00e3o, e sua falta estrutural, \u00e9 tamb\u00e9m o que permite que o desejo esteja sempre em movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michel Silvestre, em um artigo j\u00e1 antigo sobre o amor, falava do encontro com o desejo a partir, justamente, do necess\u00e1rio fracasso do amor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTomar o corpo do parceiro sexual peda\u00e7o por peda\u00e7o e perceber que falta, que \u00e9 um fracasso, serve finalmente para continuar a desejar, a n\u00e3o estar contente consigo mesmo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra passagem do mesmo artigo, Silvestre tenta responder a uma pergunta que nos cabe a todos fazer: o que podemos esperar da psican\u00e1lise, quais as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que subsista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe podemos esperar algo do futuro da psican\u00e1lise, <em>(responde Silvestre) <\/em>\u00e9 sob a condi\u00e7\u00e3o de dar-nos por objetivo o de abalar o sujeito na sua rela\u00e7\u00e3o com a puls\u00e3o de morte, e a \u00fanica maneira de consegui-lo \u00e9 levar em considera\u00e7\u00e3o aquilo que h\u00e1 na an\u00e1lise de amor de transfer\u00eancia. \u00c9, me parece, uma das formas de compreender por que Lacan define o amor como dar o que n\u00e3o se tem\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silvestre prop\u00f5e nessa frase uma articula\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas elementos: o <em>amor de transfer\u00eancia <\/em>como recurso contra a <em>puls\u00e3o de morte<\/em>, ou contra a<em> destrui\u00e7\u00e3o<\/em>, e a conhecida defini\u00e7\u00e3o lacaniana do amor como <em>dar o que n\u00e3o se tem<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A frase de Silvestre remete ainda a algumas quest\u00f5es de grande import\u00e2ncia sobre a presen\u00e7a e o papel da psican\u00e1lise no mundo: ser\u00e1 que o amor de transfer\u00eancia trouxe algo de novo para o amor e para o mundo? E, al\u00e9m de novo, ser\u00e1 esse recurso eficaz contra a destrui\u00e7\u00e3o? E finalmente, ser\u00e1 que o amor de transfer\u00eancia \u00e9 uma forma de revaloriza\u00e7\u00e3o do amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos habituados a pensar no amor de transfer\u00eancia como uma variante do amor em geral, com a particularidade de ser aplicada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impostas pelo artif\u00edcio anal\u00edtico. Em termos pr\u00e1ticos: dada uma procura \u00a0de cura ou de saber (uma procura posta em ato, digamos assim), surge o amor em consequ\u00eancia. No Semin\u00e1rio XX, Lacan condensou essa quest\u00e3o com uma frase: \u201caquele a quem eu suponho o saber, eu o amo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensa-se menos, talvez, que o amor de transfer\u00eancia tem em rela\u00e7\u00e3o ao amor em geral uma particularidade, que fica aqui como hip\u00f3tese: \u00e9 que o objeto do amor de transfer\u00eancia \u2013 entendido como aquele que faz trabalhar em uma an\u00e1lise &#8211; tem origem no resto, no dejeto da opera\u00e7\u00e3o que resultou na falsifica\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em>, enquanto o objeto do amor em geral incide naquilo que apareceu como precioso, por for\u00e7a da falsifica\u00e7\u00e3o. O amor de transfer\u00eancia seria de certa forma o aproveitamento do dejeto na cria\u00e7\u00e3o de um novo discurso, como afirmava Miller em \u201cA Salva\u00e7\u00e3o pelo Dejetos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2004, durante o Congresso da AMP em Comandatuba (BA), Jacques-Alain Miller terminou sua confer\u00eancia, chamada \u201cUma fantasia\u201d, com um argumento sobre uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o entre o saber e o amor. Mais do que mudan\u00e7a, o termo empregado por Miller \u00e9 invers\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs considera\u00e7\u00f5es que tive de saltar conduziam a uma invers\u00e3o quanto ao fato de dizermos tradicionalmente que o sujeito suposto saber \u00e9 o piv\u00f4 da transfer\u00eancia. Parece-me, todavia, que o \u00faltimo Lacan diz outra coisa. Diz ele: a transfer\u00eancia \u00e9 o piv\u00f4 do sujeito suposto saber.\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, um pouco adiante, conclui, e eu concluo com ele:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuer dizer que o inconsciente n\u00e3o existe. O inconsciente prim\u00e1rio n\u00e3o existe como saber <em>(n\u00e3o h\u00e1 um saber pr\u00e9vio, que seria objeto da procura do analisante).<\/em> E para que se torne um saber, para faz\u00ea-lo existir como saber, \u00e9 preciso o amor.\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p><strong>Romildo do R\u00eago Barros<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Miller, J-A. (2005) \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura do Semin\u00e1rio da ang\u00fastia de Jacques Lacan\u201d,\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n.43. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, p. 7-91<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u201cUma conversa sobre o amor\u201d, em <em>Opc\u0327a\u0303o Lacaniana online nova se\u0301rie<\/em> Ano 1 \u2022 Nu\u0301mero 2 \u2022 Julho 2010 \u2022<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Silvestre, M.: \u201cSur l\u2019Amour\u201d, em <em>Demain la Psychanalyse<\/em>, p. 303. <em>\u201cSi nous pouvons esp\u00e9rer en l\u2019avenir de la psychanalyse, c\u2019est \u00e0 condition de nous donner pour objectif d\u2019\u00e9branler le sujet dans son rapport \u00e0 la pulsion de mort, et le seul moyen d\u2019y parvenir est de tenir compte de ce qu\u2019il y a dans l\u2019analyse d\u2019amour de transfert. C\u2019est, me semble-t-il, l\u2019une des fa\u00e7ons de comprendre pourquoi Lacan d\u00e9finit l\u2019amour comme donner ce qu\u2019on n\u2019a pas\u2026.\u201d.<\/em> A tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas \u00e9 minha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>.Miller, J.A,: \u201dUma Fantasia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>.Miller, J.-A.: <em>ibidem<\/em>.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":777,"menu_order":62,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[27],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/764"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=764"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":774,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/764\/revisions\/774"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=764"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=764"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}