{"id":869,"date":"2021-07-26T18:43:19","date_gmt":"2021-07-26T21:43:19","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=869"},"modified":"2021-07-26T18:43:19","modified_gmt":"2021-07-26T21:43:19","slug":"uma-marca-na-pedra","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/uma-marca-na-pedra\/","title":{"rendered":"Uma marca na pedra"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Quando se trata dos apaixonados, n\u00e3o h\u00e1 supl\u00eancia que valha. Seu amor \u00e9 \u00fanico, insubstitu\u00edvel e \u00e9 duro como a pedra. As palavras fluem, os corpos se entrela\u00e7am, o la\u00e7o se torna enfeite e o envolt\u00f3rio \u00e9 um presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse amor que durar\u00e1 para sempre, entretanto, tem hist\u00f3ria, \u00e9 t\u00e3o velho como o tempo e t\u00e3o eterno que \u00e9 dif\u00edcil rastrear as suas origens. Com o tempo, os amantes se separam, desdizem-se, e agora dizem que o amor \u00e9 substitu\u00edvel, que tudo passa&#8230; Ent\u00e3o, disp\u00f5em-se a cont\u00e1-lo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos prim\u00f3rdios, o amor foi gravado na pedra e com esta marca ficou inscrito seu primeiro tra\u00e7o. Com o tempo, a m\u00e3o e o cinzel foram substitu\u00eddos: necessitou-se da boca e da voz para diz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, outra vez voltou \u00e0 m\u00e3o e com uma ferramenta nova rabiscou-se uma letra que foi escrita sobre um papiro e se transformou em poema; o olho fez a sua parte para poder l\u00ea-lo e invoc\u00e1-lo. Em seguida se intrometeu o intelecto, a raz\u00e3o quis interrog\u00e1-lo l\u00edmpida, despojada dos seus afetos, mas rapidamente as paix\u00f5es se envolveram e deixaram tudo desordenado quando, ao final da sua exegese, foi homenageado no \u00e1gape.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, o amor se cobriu de sombras, ent\u00e3o foi adorado, endeusado e se tornou inef\u00e1vel. Depois, renasceu na arte e, no meio da escurid\u00e3o tenebrosa do seu tempo, se tornou cort\u00eas dentro de um poema novo: declama-o, sublima-o, exagera-o, ao mesmo tempo que d\u00e1 forma a uma mulher idealizada. Mais adiante, o amor se fez novela, comprimiu-se em novas rimas e se coloriu de mil maneiras, at\u00e9 dar forma ao quadro, at\u00e9 ficar esmagado dentro de todo tipo de quadrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed em diante, o amor busca se tornar independente, consagrar-se com todos os meios ao seu alcance: te faz rir, chorar, emocionar: te transporta no cinema, na TV, te faz sonhar na m\u00fasica popular, te entristece na letra de um tango amargo. O amor vira <em>star, <\/em>eterniza-se em rostos que transcendem sua beleza \u00e0s inclem\u00eancias da passagem do tempo e se multiplica em mil imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor usa outros atalhos e abre novos sulcos: \u00e9 teorizado, \u00e9 elucidado, \u00e9 logicizado e d\u00e1 \u00e0 luz a uma experi\u00eancia in\u00e9dita. O amor se torna causa, disp\u00f5e-se a mover as engrenagens de outro tipo de maquinaria, mais oculta, mais desconhecida para aquele que ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torna-se busca de saber e, no caminho, encontra seus disfarces: \u00e9 narcisismo puro, la\u00e7o entre semelhantes de uma massa, perigo de sugest\u00e3o, fonte de agressividade, desconhecimento flagrante. O amor resiste, transfere-se, aceita a troca e se converte em amor pela palavra. D\u00e1 muitas voltas, tantas, que acaba enrolado em torno de um vazio cujo centro deixa uma marca impressa que, como a primeira, \u00e9 tamb\u00e9m um risco, um tra\u00e7o. Ent\u00e3o, o la\u00e7o de presente se desata e o amor adquire forma borromeana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor que era duro como a pedra, \u00e1spero como ela, que fere quando te golpeia, suaviza-se, passa de uma palavra a outra e em sua trajet\u00f3ria encontra um limite, seu inomin\u00e1vel. Nesse vazio de puro nada se escreve uma marca, um tra\u00e7o, que \u00e9 tamb\u00e9m, como o origin\u00e1rio, prova da exist\u00eancia do humano. Ent\u00e3o, o amor se abranda e se faz banda. E dura. Porque no centro da fita moebiana aninha a marca primeira, a que se gravou na pedra. Dizem os amantes que \u00e9 por isso que o amor perdura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Damasia Amadeo de Freda<\/strong> (Analista membro, EOL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maio de 2021<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Ana Beatriz Zimmerman<br \/>\nRevis\u00e3o: Ruth Jeunon<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":870,"menu_order":48,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[17,12],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/869"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=869"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":871,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/869\/revisions\/871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=869"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=869"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}