{"id":890,"date":"2021-08-01T22:23:34","date_gmt":"2021-08-02T01:23:34","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=890"},"modified":"2021-08-02T17:07:24","modified_gmt":"2021-08-02T20:07:24","slug":"amor-e-anti-amor-em-amy-winehouse","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/portfolio-items\/amor-e-anti-amor-em-amy-winehouse\/","title":{"rendered":"Amor e anti-amor em Amy Winehouse"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: right;\"><em>J\u00e9sus Santiago<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 prov\u00e1vel que Amy seja um caso de exce\u00e7\u00e3o \u00e0 tese de que a toxicomania seja uma tend\u00eancia contr\u00e1ria ao amor que, como prop\u00f5e Miller, \u201c\u00e9 um anti-amor, pois prescinde do parceiro sexual e se concentra no parceiro (a)sexuado do mais gozar\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Ao tratar do caso de Amy, escolheu-se colocar o foco no questionamento do modo singular em que a ruptura f\u00e1lica pr\u00f3pria da drogadi\u00e7\u00e3o acontece na sexua\u00e7\u00e3o feminina. Assim, a ruptura f\u00e1lica e o amor-devasta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o coisas que andam juntas em sujeitos nos quais prevalece o <em>n\u00e3o-todo<\/em> f\u00e1lico? Vejamos como essa conjun\u00e7\u00e3o entre a ruptura f\u00e1lica e o amor-devasta\u00e7\u00e3o aparece em uma das primeiras m\u00fasicas, <em>Fuck me pumps<\/em>. A impress\u00e3o \u00e9 que a letra apresenta uma narrativa em que a cantora discorre de maneira ir\u00f4nica, para uma outra mulher, sobre o quanto o feminino aparece na fantasia masculina como um objeto depreciado, rebaixado e sem valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o casamento com o falo numa mulher se exprime, em princ\u00edpio, pelo investimento libidinal e narc\u00edsico no corpo pr\u00f3prio \u2013 <em>ser o falo<\/em> \u2013, n\u00e3o \u00e9 justamente o fracasso disto que est\u00e1 em quest\u00e3o na drogadi\u00e7\u00e3o feminina e que a letra da m\u00fasica visa captar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Amy, h\u00e1 uma certa percep\u00e7\u00e3o niilista do feminino, na medida em que uma mulher se v\u00ea for\u00e7ada a resignar-se em ser a parceira-amor, com a condi\u00e7\u00e3o de tornar-se um objeto depreciado. \u00c9 algo que coincide com o que \u00e9 t\u00edpico do alcoolismo feminino: o desinvestimento narc\u00edsico no corpo pr\u00f3prio. Isso \u00e9 fatal para uma mulher no jogo das intera\u00e7\u00f5es com o parceiro amoroso. Suas letras emitem a mensagem de que \u00e9 inevit\u00e1vel o homem, de posse do gozo f\u00e1lico, tomar uma mulher como um objeto rebaixado. Nenhuma chance para que seja um conector para que a mulher possa se encontrar no amor, cuja condi\u00e7\u00e3o \u00e9 consentir-se em ser Outra para si mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>Addicted,<\/em> a ruptura f\u00e1lica \u00e9 ainda mais expl\u00edcita, pois Amy se apresenta como radicalmente desinvestida em tornar-se a parceira-amor causa de desejo de um homem. Ela diz o seguinte: <em>\u201cEu sou meu pr\u00f3prio homem. E n\u00e3o faz diferen\u00e7a se vou terminar sozinha&#8230; prefiro estar comigo mesma e fumar a erva que planto. Ela me viciou e faz mais do que qualquer pau de um homem (&#8230;)\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ela escreve <em>Back to black,<\/em> o sintoma das adi\u00e7\u00f5es coabita com o seu amor louco por Blake. \u201c<em>Quando nos conhecemos, foi atra\u00e7\u00e3o m\u00fatua instant\u00e2nea e fatal, e isso nunca deixou de ser assim. Sei que Amy e eu vamos ficar juntos. Ela \u00e9 o amor de minha vida<\/em>\u201d. \u00a0Com esse t\u00edtulo sombrio \u2013 <em>Back to black<\/em> \u2013, ela fala de sua volta para a escurid\u00e3o e do luto concernente ao primeiro t\u00e9rmino e corte com seu parceiro amoroso. Como artista, ela tenta de alguma maneira tirar proveito do drama do amor que a dilacera e a devasta. Acerca disso, ela diz: \u201c<em>Quando me separei daquele cara eu n\u00e3o tinha mais pra onde voltar<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na m\u00fasica, ela se refere ao fato de que, nesse t\u00e9rmino, Blake n\u00e3o teve nem tempo para se arrepender, j\u00e1 que se mantinha ligado, em sua fantasia, com a antiga namorada.<em> Back to black <\/em>diz mais ou menos o seguinte: <em>\u201cVoltou para a mulher que j\u00e1 conhecia e j\u00e1 se esqueceu de tudo&#8230; eu sigo um caminho perigoso&#8230; voc\u00ea volta para ela, e eu para a escurid\u00e3o. Apenas dissemos adeus com palavras, e eu morri uma centena de vezes\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o encontro de Amy com Blake se deu, via um amor \u00e0 primeira vista, \u00e9 preciso considerar as duas dimens\u00f5es que se imp\u00f5em para o sujeito. Tanto o <em>clar\u00e3o<\/em> que adv\u00e9m do impacto do raio, quanto o lado <em>foudrayant<\/em>, isto \u00e9, destrutivo e mort\u00edfero do amor. Se o amor pode se tornar um drama, marcado por efeitos devastadores, \u00e9 pelo motivo de que o clar\u00e3o que adv\u00e9m do encontro pode rapidamente se transmutar na for\u00e7a destrutiva do raio. Enquanto parceiro, Blake \u00e9 o alvo dos excessos da demanda dirigida aos deuses obscuros que possam, em seu inconsciente, fazer existir <em>A<\/em> mulher. Prevalece nela o amor narc\u00edsico, que traz em si o teor mort\u00edfero da busca da imagem ideal com a qual o sujeito procura o seu triunfo em sua pr\u00f3pria ru\u00edna. Nessa ren\u00fancia radical dirigida \u00e0 vida, o corpo falante, em sua m\u00e1xima mis\u00e9ria, recha\u00e7a todas as ofertas advindas do Outro que nada pode\u2026 e \u00e9 exatamente nisso que encontra o seu ser. \u00c9 o que se enuncia em <em>Rehab,<\/em> pois o \u201c<em>no, no, no<\/em>\u201d do tratamento \u00e9, no fundo, apenas um detalhe de sua recusa intransigente do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ineg\u00e1vel a autenticidade da arte de Amy, seja como int\u00e9rprete vocal compar\u00e1vel \u00e0s grandes divas do <em>jazz<\/em>, seja pela sua capacidade de inventar o novo com o aux\u00edlio do velho. A arte n\u00e3o lhe foi suficiente para fazer a travessia do amor-devasta\u00e7\u00e3o, em que o sujeito n\u00e3o precisa de ningu\u00e9m, encontrando no circuito fechado do gozo aut\u00edstico o seu pr\u00f3prio parceiro. Amy n\u00e3o p\u00f4de fazer de sua arte o seu <em>parceiro-sintoma. <\/em>N\u00e3o p\u00f4de jogar a sua partida com o seu parceiro-gozo de modo a impor-lhe a lei singular do sintoma, um meio para consentir com o fato de que, diante da opacidade indiz\u00edvel do desejo, n\u00e3o h\u00e1 saber no real sobre o amor.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> MILLER, J.-A. <em>A teoria do parceiro<\/em>. Os circuitos do desejo na vida e na an\u00e1lise. Contracapa: Rio de Janeiro, 2000, p. 170.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":895,"menu_order":42,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[25,12],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/890"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=890"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":896,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/890\/revisions\/896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=890"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=890"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/xpt\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}