No final, retomo o começo! Na primeira reunião do BUREAU, em 20 de setembro de 2020, com as Comissões então formalizadas, para tocar o X ENAPOL e o XXII ENCONTRO INTERNACIONAL DO CAMPO FREUDIANO, eu cunhei uma frase (que escrevi secretamente no meu caderno de notas das reuniões), a partir dos significantes destacados por cada um dos participantes. Esta é a frase:
Estamos dispostos ao trabalho, hiperconectados e com entusiasmo, para nos interrogar sobre o amor. É um desafio inventar um novo Enapol, percorrendo um caminho amoroso para construir novos laços!
O desafio estava posto: partir do ….”desconhecido para encontrar o novo” – como disse Baudelaire, citado por Laurent.
Agora, chegamos ao final do X ENAPOL! É o momento de comemorar pelo êxito deste encontro que reuniu mais de 2000 interessados pelo trabalho das Escolas e do Campo freudiano na América. É um resultado que concerne a afirmação de Lacan na Proposição: “Não instituímos o novo senão no funcionamento”. O novo no amor e nos laços sociais foi o objeto de nosso trabalho nestes últimos meses, que nos permitiu um avanço significativo em nossas pesquisas sobre o tema, devido ao funcionamento instituído: a sincronia no trabalho do Bureau com o Conselho da FAPOL e, em consequência, a articulação com os dispositivos criados para colocar em ato a proposta para o evento: as Comissões, Cientifica e de Organização, e seus desdobramentos em sub-comissões, grupos de trabalhos e cartéis, envolvendo mais de 200 pessoas da EBP, EOL e NEL e do Campo freudiano.
Iordan Gurgel
Construimos uma articulação frutífera das instancias da FAPOL com as das três Escolas na criação de uma verdadeira rede de desejos que possibilitou a mobilização de diversos atores que, com suas participações – seja no âmbito clínico, epistêmico e organizacional – criaram este ente de presentificação da psicanálise no social, o X ENAPOL, que absorveu e expôs ao publico da América, a partir de Santiago do Chile, via um aparato tecnológico de comunicação e difusão, o melhor da psicanálise lacaniana em nosso continente.
Assim, nestes três dias de trabalho assíduo, estiveram enodados e circulando: a política lacaniana pela fala dos presidentes das 3 Escolas e da Fapol, além dos observatórios e Redes; a clínica – veiculada por aqueles especialmente concernidos pelo Passe, que apresentaram um flechaço de extração de algo do amor, como também nas 10 conversações e nos trabalhos individuais (foram 211 selecionados); e o epistêmico que, mesclado com a politica e a clínica teve sua expressão, inclusive, por algumas participações espontâneas nos chats, que embora limitadas pelas contingências, tiveram seu lugar. O conjunto destas atividades abriu espaço, também, para as justas homenagens a Judith Miller e Jacques Lacan, em momento memorável para os analistas lacanianos da América.
Neste momento de encerramento, constatamos que o desafio da primeira reunião deu bons resultados e teve consequencias. O entusiasmo pelo êxito da realização do X ENAPOL nos impulsiona a continuar o trabalho da FAPOL e tomar o amor neste final, como amor à causa analítica, relançada continuamente e nos colocando a trabalho, mais ainda.
Obrigado aos colegas do Conselho da Fapol, das Comissões Científica e de Organização e a todos que participaram ativamente neste processo de construção deste evento e àqueles que, com suas presenças, o fizeram acontecer. Um viva para Viviana Berger, Ricardo Seldes, Lizbeth Ahumada e Luisa Aragón, que encarnam o Viva a todos os presentes!
Antes de passar a palavra a meu amigo Ricardo Seldes, quero fazer, desde Salvador-Bahia – a cidade mais negra fora do continente africano, uma saudação em Iorubá, que significa a energia e o poder dos Orixás: AXÉ! Muito axé pra todos vocês! A psicanálise continua!