Mariana Schwartzman. EOL- AMP

MS: Mas. o que há de novo no amor…

Lolo: Bem, eu acredito que o amor como se vive hoje, creio que os jovens têm primeiro muitas relações por whatsapp, vive-se o amor muito virtualmente, tem também todo esse aspecto dos aplicativos, o se conhecer, é como um fast food das relações, não? As pessoas não se dão o tempo para se conhecerem e têm relações imediatas com alguém que se conheceu pelo aplicativo e logo se encontram…. e também o que ocorre e que me faz pensar isso, que quando a gente está com uma pessoa… e depois de 2 ou 3 meses ela diz “bah, você não é a pessoa que conheci”. O problema é que não se dão o tempo para se conhecerem. Conhecer alguém leva muito tempo, então, acredito que é um problema de velocidade, da atualidade em que se consome tudo muito rápido e há muito pouco, como um déficit de atenção. Por exemplo, a atenção para uma música é de uns 20 segundos…

MS: O novo seria a velocidade?

Lolo: O novo seria a falta de desamor. Penso um pouco que a virtualidade leva as pessoas a se distanciarem. Pode-se estar imediatamente em uma ligação com Tókio, se se quiser. E as relações são vividas assim, os jovens hoje estão indo ao colégio através de telas, dá-se aulas de violão através da tela, se vai ao psicólogo pela tela, e se acredita que assim se aproxima mais, mas, para mim, se distancia muitíssimo, me esfria muitíssimo…

MS: Suas canções de amor mudaram ao longo dos anos?

Lolo: Bem, no disco anterior, talvez as músicas fossem mais de sofrimento no amor e eu estou na contramão de todas essas canções melódicas como as de Ricardo Montaner, ou autores do pop latino melódicos que sempre falam “vou te amar, não te esquecerei” ou a queixa “você me machucou, sofri”; esse tipo de letra já não toca, me parece que estão falando de uma coisa muito no futuro ou do passado, ou recordando ou sofrendo, e não no presente, te amo agora. [Minha música] Não é do tipo “vou te amar e quando você voltar”. Ocorre-me um pouco isso. E meu novo disco fala do amor por tudo, mais como um amor incondicional. Ou seja, eu posso sentir um amor de casal, mas o amor é um só, e é o mesmo amor que você sente por sua mãe, por seus amigos, por seus parceiros, e essa coisa de posse não me convence em termos de amor, e essa coisa de perda e de sofrer tanto. O amor dura o que tem que durar e quando acabou, acabou. Acontece que estamos muito apegados ao ego e a essa coisa de “me machucou, me feriu”. Então eu tento escrever, por exemplo, de despertar o amor de alguém; há uma frase que diz: “quando você não puder ver o sol com muitas nuvens ao redor, olhe dentro de você o raio que nasce em seu corpo, seu fogo interior”. Ou seja, a força e o amor estão dentro de você, o amor é você. Pelo ser humano, e no momento em que nos dermos conta de que somos todos iguais, somos todos irmãos, nesse momento no mundo terá um avanço para outra situação, não sei, talvez para outra realidade. Mas o problema do ser humano é esse, é muito individualista, muito egoísta e lhe custa muito agir com amor e obviamente que aos grandes interesses, aos grandes capitais, não lhes interessa que o ser humano atue com amor, por isso também as guerras continuam.

Tradução: Ruscaya Maia
Revisão: Ana Beatriz Zimmerman e Marcia Zucchi.