María Olga: O que a palavra amor significa para você?
Manuel García: … sinto que é uma forma de viajar através da nossa própria existência, ou seja, uma forma de deslocar-nos rumo a algum lugar, na busca de algum sentido, tanto biologicamente como internamente, é o que o conceito de amor encerra.
Porque, com efeito, quando falamos de amor, falamos de laço, laço filial, laço entre um casal, laço familiar, laço com a eternidade. Aqueles que creem, podem ter um laço com deus, aqueles que não, poderão ter um laço de amor com a matemática e a necessidade de medir e dizer tudo através de algo quantificável. Esse laço que nós tentamos estabelecer nos acompanha, como você bem dizia María Olga, como um mistério desde o momento em que começamos a pulsar, talvez ainda como uma primeira célula. Essa necessidade constante de se relacionar e de ir em busca de algo que nos promete, como uma…, que nos promete uma espécie de oásis no deserto da incerteza da existência, isso é o amor.
Ou seja, o amor é ao mesmo tempo algo que podemos praticar ou sentir concretamente, uma conduta humana bem ancorada culturalmente – acredito -, mesmo que a forma de compreendê-lo e entendê-lo tenha mudado nas diferentes culturas, por exemplo, da poligamia de culturas antigas à monogamia. Ou seja, as regras do jogo do amor também podem ser histórico-culturais. Porém, temos que reconhecer que há algo que nos acompanha desde sempre: essa necessidade de vincular-nos e relacionar-nos seja física ou espiritualmente; ou numa justa medida, poderíamos dizer de que modo vamos construindo na linguagem quem somos ou como nos completamos com um outro, ou com uns outros, ou com uma outridade, qualquer que seja.
É como uma latência, uma pulsação constante, um movimento em direção a algo que buscamos permanentemente como humanidade.
María Olga: há amores, o amor não é um só
Manuel García: há amores. Exato, exatamente.
Tradução: Paola Salinas
Revisão: Renata Martínez