Mural na Comuna 13 de Medellín – Colômbia

Diana Avella, Jeihhco, Yoky Barrios e Juan Pablo Barragán, são quatro representantes do Hip Hop colombiano que, em uma conversa intitulada ‘Nomear o inominável’ [1], transmitem os efeitos desse esforço de poesia urbana, direta e sem maquiagem, que impactou suas vidas, transformando-as. Oriundos de bairros periféricos abatidos pela violência e a precariedade, “abrilhantam-se” ao obterem um bem dizer através do rap. Em relação ao processo de paz na Colômbia, este dizer é um aporte em termos de memória, resistência, denúncia e aposta pela vida e pelo amor. Para eles, ser violento é não saber ter amor, por isso que sua poética em ato, (subir a voz e soltar as rimas) – em entregas de cadência, tom, pulsação, acento e decibéis – vibra em outros corpos e toca profundamente no amor de balada.[1]

As músicas de rap trazem a arte da improvisação. Em algumas passagens, um ritmo in crescendo se acelera cortando a respiração, para logo rasgar-se em um golpe que repercute. Do seu encontro com o rap, Jeihhco destaca: era uma música que me fazia mover a cabeça. Logo soube que também era por dentro. Diana acentua: sem recursos, sem ferramentas, sem microfones, sem medo, -a viva voz- é um impulso vital. Para Jocky: se não sinto esse golpe, morro. Prefiro escrever com um lápis a ser grosseiro e deixar furos no teu corpo[2]. Juan Pablo não hesita ao afirmar que foram tocados por esse vírus de querer dizer.

Por Gladys Martínez, NEL

Tradução: Cristiana Gallo
Revisão: Paola Salinas


Notas:

(*) Frase extraída da música Almas en guerra de C-15. Ver: https://www.youtube.com/watch?v=k4VYpb4_fBw

[1] “Nomear o inominável: conversações sobre arte e verdade” é o nome de um espaço que a Comissão da Verdade, encabeçada por Lucía González, propiciou com distintos artistas colombianos em torno do papel da arte frente à violência. Ver entrevista completa em: https://comisiondelaverdad.co/actualidad/noticias/hip-hop-ha-ayudado-a-narrar-la-violencia-comision-verdad-colombia

[1] N.T. No original amor del parche que pode ser tomado como ‘o amor de balada’, ou ‘na balada’, entendendo-se parche como o lugar de reunião de jovens ou grupo de jovens, de acordo com o Diccionario de Colombianismos, mas também como reunião de amigos. https://www.bbc.com/mundo/noticias/2015/07/150521_fooc_colombia_palabras_nc

[2] NT. No original há rima: “Prefiero escribir con un lapicero que ser grosero y dejar agujeros en tu cuerpo”.