Por Débora Nitzcaner
EOL – AMP

 

“(…) o sintoma contemporâneo toma, às vezes, muitas vezes, a forma de problemas de casal.”[1]

J-A Miller

 

No Dia dos Namorados, uma jornalista de arte – María Paula Zacharías[2] – escreveu sobre alguns casais de artistas históricos destacando-os “pelo amor, pelo talento e a criatividade que os anima.” Eles são apresentados a partir de um achado: “as mulheres costumam ficar à sombra e o sentimento traça uma fina linha que o separa da loucura.” Pergunta-se, então, isso é amor?

Aqui se destaca o conceito de parceiro-sintoma, localiza, em cada laço, um parceiro que concentra a função do impossível de suportar, e é o que a conduz a escrever sobre o ilimitado de um gozo. Através deles, os artistas, introduz o amor por sua vertente real, em sua função de suplência, como metáfora de algo que não há.

Sendo o sintoma aquilo que toma a forma de problemas de casal nos dá indicação a respeito da primazia do Outro. Razão pela qual Lacan, no Seminário Mais, ainda, vale-se da função feminina no amor. É um gozo que demonstra, de modo irredutível, como se liga ao amor do Outro que, por definição, é com o que faz parceria.

Tradução: Bruna Guaraná

Revisão: Ruth Jeunon


[1] Tradução livre do espanhol: “el síntoma contemporáneo toma, a veces, muchas veces, la forma de problemas de pareja” Miller, J-A, Las parejas y el amor. Conversações Clínicas-Instituto do Campo Freudiano. Seção Clínica Barcelona. Ed. Paidós, ano 2003, p.17.

[2] Zacharías, María Paula, colabora como jornalista no jornal La Nación, especializada em artes visuais. Publicação online: https://www.lanacion.com.ar/cultura/amor-y-arte-historias-cautivantes-de-parejas-que-fueron-tambien-sociedades-creativas-nid14022021/