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O Eterno do Infantil

26 de novembro de 2025

Rômulo Ferreira da Silva – EBP Para dar a início à nossa conversa, parti da questão que tivemos como referência para essa sala de trabalho: “Como articular as fases da vida, inscritas no campo do sentido, com o eterno do infantil gozo da vida?” No relatório Modalidades do morrer no século XXI do Observatório que se dedica ao tema das mortes violentas de adolescentes e jovens na América Latina, que mostra números alarmantes, independentemente da classe social; a pergunta que se apresentou entre o “ilimitado empuxo pulsional a gozar” e a “busca da morte para terminar com uma existência dolorosa”,…

Como se depositam as marcas de gozo?

26 de novembro de 2025

Valéria Ferranti   Sabemos que o léxico da psicanálise se vale da língua corrente, dos termos cotidianos, das palavras comuns, então buscar o sentido que os significantes  insuportável, infância e marcas têm para nós, na nossa língua compartilhada, é fundamental. Então,  gostei muito da escolha que o grupo de trabalho fez e , para  nossa conversa hoje escolhi sublinhar o significante marcas. Lemos, na contra-capa do Escritos, “É preciso haver lido essa coletânea, e em todo a sua extensão, para perceber que nela prossegue um único debate, sempre o mesmo, o qual mesmo parecendo marcar época, pode ser visto como o…

Como a criança interroga o amor de transferência?

26 de novembro de 2025

Miguel Antunes[1] Agradeço à coordenação do ENAPOL, em nome de Helenice de Castro, e também aos responsáveis pela Conversação Federativa, em nome de Marcus André Vieira. Assim que recebi o convite, me perguntei sobre a função de um leitor. Essa questão me lançou imediatamente a uma passagem de Lacan do Seminário XXIII, em uma lição dada no dia de seu aniversário. Lacan afirma: “apesar de tudo, dizer visa a ser escutado. Gostaria de verificar, em suma, se não me contento em falar para mim – tal como todo mundo o faz, com certeza, se o inconsciente tem um sentido. Preferiria,…

Algumas pontuações

26 de novembro de 2025

Cleide Monteiro O relatório elaborado pelas três Antenas do Observatório A deserotização do mundo – Paixões tristes de todos os gêneros nos coloca diante do desafio de pensar “como fazer ressoar a deserotização e o infantil”. Daí decorrem vários desdobramentos, como a questão das paixões tristes, trabalhada na parte 3 do relatório, sobre a qual me deterei em minhas breves considerações. Dentre as inúmeras questões que suscitou, uma que me saltou aos olhos: “poderíamos falar de um rechaço ao valor erótico da língua, sempre dita no singular?” De que erótica falamos em tempos de recusa da sexuação? Como ler a…

A devastação da palavra

26 de novembro de 2025

Henri Kaufmanner Sempre me lembro da viagem que fiz com meus filhos mais velhos, já faz alguns anos. Fomos à Patagônia Argentina e ali pudemos conhecer a assim chamada Ilha dos Pinguins. Creio que nossos “hermanos” daquele país estejam mais acostumados a esse encontro. Para mim foi uma imensa e intensa surpresa. Nessa ilha, na época da nidificação, os Pinguins se dirigem aos milhares para ali botarem seus ovos. Impressionou-me a quantidade deles, milhares como disse, cada pequena família em seu ninho. Ali, a nós humanos, cabia caminhar delicadamente por entre as pequenas barreiras demarcadas, sem tentar qualquer contato ou…

Leitora – 1º tempo

26 de novembro de 2025

Ruskaya Maia EBP/AMP A primeira coisa que destaco em minha leitura é a introdução do termo freudiano gérmen, que será articulado aos conceitos lacanianos de letra e lalíngua. Os autores o foram buscar numa das cartas de Freud a Fliess, cujo recorte, que vou reler, constitui a epígrafe do texto: “O que aconteceu na primeira infância? Nada, mas já havia o gérmen de um primeiro impulso sexual”[1]. Nenhuma história, nenhum sentido – e já lá algo havia. Não se trata mais da concepção freudiana que colocava o atentado sexual como elemento necessário na etiologia das neuroses, antes, essa citação faz…

Leitora 2º Tempo

26 de novembro de 2025

Louise Lhullier – EBP/AMP O que aconteceu na primeira infância? Nada, mas já havia o germe de um primeiro impulso sexual.[1] Meu ponto de partida é o nada dessa citação de Freud, que se lê em epígrafe no texto O germe do pulsional e a lalíngua[2], do qual fui leitora nas Conferências Federativas do XII ENAPOL. Como ler esse nada? A pergunta que o antecede – O que aconteceu na primeira infância? dá uma indicação: nada aconteceu. Nada de acontecimento.  Por outro lado, este mas já havia que vem após a vírgula aponta que nesse nada de acontecimento havia o…

Comentário sobre o texto do GT “O gozo e a alegria”

26 de novembro de 2025

Andréa Reis Santos (EBP/AMP) O texto do GT toma como ponto de partida uma pergunta de Lacan em “Alocução sobre as psicoses da criança”. Pergunta que eles se propõem a dissecar e a articular com a questão do gozo: “Que alegria encontramos naquilo que constitui nosso trabalho?” Uma pergunta curiosa no contexto em que foi proferida. Por isso começo pelo contexto: Maud Mannoni organiza em 1967 as Jornadas de estudos sobre as psicoses da criança, ocasião em que reuniu um grupo de psicanalistas de diferentes orientações. Lacan foi convidado a fazer o discurso de encerramento, que se converteu no texto…

ME DIVIRTO!

SALA: NÃO EXISTE GENTE GRANDE ME DIVIRTO!   “Tenho sempre cinco anos” (Jacques Lacan) “Todos sabem que sou alegre, dizem até moleque: eu me divirto (…). É verdade. Não sou triste. Ou, mais exatamente, só tenho uma tristeza, naquilo que me foi traçado como carreira: é haver cada vez menos pessoas a quem eu possa dizer as razões de minha alegria, quando as tenho” (Lacan, J. “Alocução sobre as psicoses da infância”. Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p. 361).   Relatores: Alessandra Pecego (EBP) e Flory Kruger (EOL) Participantes: Adriana Dolengiewich (Mendoza), Alejandro Góngora (Santiago de Chile),…

O FANTASMA DA ÉPOCA. O HOMEM NEURONAL E ESTILOS DE VIDA

SALA: FILHOS DO MAL-ENTENDIDO O FANTASMA DA ÉPOCA. O HOMEM NEURONAL E ESTILOS DE VIDA   “E agora temos que constatar, parece irresistível, o real se tornou neuro-real. O neuro-real é chamado para dominar os próximos anos. Nós teremos que averiguar o que fazer com esse neuro-real” (Miller, J.-A. Todo el mundo es loco (Los cursos psicoanalíticos de Jacques-Alain Miller, Editorial Paidós, 2015, p. 142)   Relatores: Paula Borsoi (EBP); Carlos Márquez (NEL); Celeste Viñal (EOL) Participantes: Andrea di Pietro (Rio de Janeiro), Diana Palma (Mendoza), Eduardo Vallejos da Rocha (São Paulo), Gonzalo Rodríguez (Tucumán), Gresiela Nunes (Tubarão), José Luis…